A belíssima Igreja de Nossa Senhora da Escada, em Guararema. Os escoteiros capelistas passaram aqui perto, acossados por fortes chuvas de verão. |
(Estamos no mês de janeiro de 1942. Enquanto o mundo está em
Guerra e o Brasil segue sob a Ditadura do Estado Novo, cinco escoteiros de
Antonina (PR), entre 15 e 18 anos, estão numa marcha a pé rumo ao Rio de Janeiro
para entregar uma mensagem para Getúlio Vargas. No episódio de hoje, 14 de
janeiro de 1942, Beto, Milton, Lydio, Antônio (Canário) e Manoel (Manduca)
estão saindo de Suzano e passando por Guararema.)
Às cinco horas da manhã o guarda noturno do centro de Suzano acordou os cinco escoteiros. Este fora o combinado com Chefe Beto. Os cinco rapazes precisavam descontar o atraso do dia anterior. Aquele dia em Suzano amanheceu bonito, e eles, com muita energia.
Às cinco horas da manhã o guarda noturno do centro de Suzano acordou os cinco escoteiros. Este fora o combinado com Chefe Beto. Os cinco rapazes precisavam descontar o atraso do dia anterior. Aquele dia em Suzano amanheceu bonito, e eles, com muita energia.
As 7 da manhã, eles já haviam passado por Santo Ângelo, e as 10 horas
chegaram em Mogi das Cruzes. Outra cidade com uma grande colônia japonesa. Mas
aqui o ritmo era outro. Os rapazes precisavam andar. Procuraram uma autoridade
para carimbar o livro e continuaram o caminho. Pararam somente dois quilômetros
adiante, numa pequena ponte. Aqui, almoçaram um pão cada, duas colheres de
farinha de milho, um pedaço de linguiça e uma caneca de café. “Que baita
almoção!”, ironizou Lydio em seu diário.
Depois de descansarem um pouquinho, os rapazes puseram se a
marchar. Estavam agora passando pela Serra do Tapity, em direção a Guararema.
Apesar de não ser uma serra muito íngreme, o caminho era castigado por um sol
impiedoso. O caminho de mais de 9 quilômetros era lento. Mas, assim tinha que
ser, como diz Lydio. Passaram pela encruzilhada que leva a Sabaúna e Luiz
Carlos, e tomaram o rumo de Guararema.
A partir de agora os rapazes estavam entrando no Vale do
Paraíba. O vale se estendia ao longo do leito do rio Paraíba, como uma planície
marcada por morros suaves. Era cercada a sudeste pela Serra do Mar e a Oeste
pela Serra da Mantiqueira, compondo uma paisagem muito bonita. Com uma longa
tradição na cultura do café, os fazendeiros do vale do Paraíba dominaram boa
parte da política imperial brasileira, com toda sua violência e seu atraso.
Com a decadência da lavoura cafeeira na região do Vale do
Paraíba, principalmente por causa do cansaço das terras, a cafeicultura
mudou-se para o Oeste Paulista, onde despontava a cidade de Campinas. Depois de esgotar as terras onde estava, o "general café" continuou sua busca por novas terras intocadas, marchando ainda mais para oeste. Nos anos 1940, a
cafeicultura estava já no norte do Paraná, onde despontavam as cidades de
Londrina e Maringá.
Por seu lado, a economia do vale do Paraíba paulista neste
período estava se recuperando. A produção de leite era o forte da produção, e a
industrialização também era acentuada. Em lugar dos lamentos de Monteiro
Lobato, o Vale se reerguia.
Correndo da chuva, Chefe Beto, Milton, Lydio, Canário e Manduca não passaram por Guararema, e
foram direto para a localidade de Escada. Era uma pequena localidade que havia
sido um aldeamento de indígenas no século XVII, e que agora estava praticamente
abandonada. No entanto, A igreja de N.S. da Escada, recentemente restaurada, um
é uma pequena joia do Barroco brasileiro. Mas nem deu tempo de chegar no
pequeno vilarejo.
O tempo arruinou e um forte temporal desabou sobre a região.
Ainda faltava dois quilômetros para Escada, e o jeito foi se abrigar num estábulo.
Era uma estrebaria muito fétida segundo Lydio, mas que foi limpa rapidamente
para que pudessem pernoitar por ali.
Era uma invernada de gado, e de manhã as vacas estavam todas
na porta da estrebaria. Os rapazes ficaram assustados, mas felizes porque
tinham lembrado de fechar a porteira. As vacas não saiam dali por nada. Somente
com tições de fogo eles conseguiram rapidamente afugentar os animais e
rapidamente abandonar aquele lugar.
Sua narrativa, contextualizando os acontecimentos, põe o leitor em uma posição privilegiada.
ResponderExcluirMuito obrigado, Edson! alguns destes lugares eu visitei. conheci Guararema e Nossa Senhora da Escada...um lugar fantástico!! Obrigado pelo seu amoroso feedback!!
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