quarta-feira, 15 de junho de 2022

LULALCKMIN

 


A Paleontologia Imaginária, ao contrário do que se imagina, não tem uma evolução linear enquanto disciplina científica. Como qualquer ramo da ciência, tem tido agudas controvérsias e grandes mudanças paradigmáticas em seu desenvolvimento (T. Kuhn, Congresso de Paleontologia Imaginária de Antofagasta, 1962). A questão dos Cisnes Verdes fósseis e sua comprovação empírica (Popper, 1939), por exemplo, foi um destes grandes momentos.

Contudo, dentre tantas controvérsias, a questão do gênero Lulalckmin ocupa um capítulo à parte. Quando seus primeiros espécimes foram descobertos e analisados (Lula da Silva et al., 2022, Imaginary Paleontological Review), muitos notaram a notável semelhança com outros espécimes já muito conhecidos do registro paleontológico, como o Lulinus, encontrados em terrenos pliocênicos do ABC Paulista (Atas do 13º Congresso de Paleontologia Imaginária de São Bernardo, 1980), e o Geraldinus, encontrados em terrenos similares na bacia sedimentar de Pindamonhangaba (Covas et al., Congresso de Paleontologia Imaginária de Pinda, 1996).

Segundo muito analistas, tratavam de duas espécies muito diferentes e inclusive competidoras entre si, sendo quase impossível encontrar um organismo com características das duas espécies. O Lulinus era um mamífero muito adaptado a vários ambientes, associados com espécies do Gênero Sinistrus (ver PTistus sp). O Lulinus, inicialmente descoberto em sítios paleontológicos fosseis em Garanhuns, chegou a ser a espécie dominante no plio-pleistoceno, ocupando inclusive trechos de cerrado no Brasil central (Lulalá et al., Congresso de Paleontologia Imaginária de Brasília, 2002). Embora proveniente da base da cadeia alimentar, o Lulinus chegou a conviver tranquilamente com espécies predadores enquanto estava protegendo espécies predadas (Genro, 2005).

Já o Geraldinus era uma ave tucaniforme que chegou a dominar extensas áreas da Pangeia (Cardoso, 1994, Imaginary Paleontological review). No entanto, inicialmente sua distribuição geográfica era restrita ao território do atual estado de São Paulo, que chegou a dominar desde o Cretáceo. O Geraldinus, ao contrário dos demais tucaniformes desta época, ocupava preferencialmente extensas áreas dominadas por cucurbitáceas, como o Sechium adule, ou chuchu. Apesar de estarem bem adaptados ao ambiente cucurbitáceo em que viviam, os Geraldinus quase foram extintos no fim do holoceno graças aos ataques de canídeos do gênero Bolsodoria (Congresso Paulista de Paleontologia Imaginária, 2018).

Dada a grande dessemelhança das espécies, muito apontaram ser o Lulalckmin uma fraude, fruto de reconstrução maliciosa de espécimes fósseis (Gomes, 2022, Congresso de Paleontologia Imaginaria de Paris). No entanto, alguns mostraram que o surgimento do Lulalckmin, apesar dos muitos pontos ainda em aberto, pode ter sido muito importante para combater os vermes anaeróbios do gênero Bolsonarus, que tornaram muito difícil a sobrevivência de importantes ambientes paleoecológicos brasileiros. Muito apontam que mamíferos com características de aves já foram descritos em espécimes fosseis imaginários em vários ambientes, como o ornitorrinco australiano ou mesmo o Pegasus sp, o cavalo alado, cujos primeiros registros foram feitos na Grécia antiga, citados por Aristóteles em sua Física (livro IX).  

A origem do Lulackmin está em aberto. Ainda não temos argumentos que possam esclarecer sobre a origem do Lulalckmin nem a sua função paleoecológica. Quem sabe nos próximos meses tenhamos acesso a novas descobertas que possam dar uma nova luz e esclarecer esta importante controvérsia. 

arte: julian fagotti


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)