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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A GAZETA ANTONINENSE!!


O jornal a Gazeta Antoninense, de 1884, deliciosa recordação do passado da Deitada-a-beira-do-mar
Neste dia em que a deitada-a-beira-do-mar faz seu aniversário de 217 anos – mas com um corpinho de 216!– apresento uma singela recordação de um importante documento para o povo capelista disponível aqui na internet (ver aqui). Trata-se de uma cópia do jornal “gazeta antoninense”, numero 3, de 16 de novembro de 1884, publicado pelo site da hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. A hemeroteca digital é uma imensa e amigável plataforma, onde se podem encontrar muitas outras preciosidades...
A princípio, sabemos pouco da referida “Gazeta”: no subtítulo ela se intitula como “órgão imparcial”, com publicação semanal. Seu diretor era Joaquim S da silva, que já colocamos aqui como um dos pioneiros da imprensa capelista, ao lado de tantos outros que vieram depois, já no século XX, como João Leite e sua filha Armandina, Admaro Santos e outros, numa lista bem extensa.  Neste único exemplar, que somente foi preservado porque foi enviado ao Coronel José d´Almeida, residente na corte (Rio de janeiro), temos algumas noticias interessantes.
No editorial, um texto falando sobre a potencialidade do município, pedindo a união dos “esforços  particulares, com o auxilio protecionista dos poderes provinciais”, para cuidar do incremento da produção de cachaça em Antonina. Convoca os agricultores e capitalistas para a indústria da cana, que então estava sendo importada para nossa região, em notável prejuízo para os agricultores. O texto conclama para uma união de capitalistas e agricultores, junto com uma politica fiscal adequada para reverter este quadro. 
Ainda na primeira pagina, na seção de noticias, é reproduzida uma representação conduzida pelo coronel Teóphilo Soares Gomes, pedindo a construção do ramal ferroviário para antonina. A representação é citada por diversos homens públicos e comerciantes da cidade. Trata-se de uma importante reivindicação, pois com a construção da ferrovia, antonina perdia a primazia em termos de transporte de mercadorias para o porto, encarecendo o produto e prejudicando os comerciantes da cidade. Este ramal viria a ficar pronto em 1890, seis anos depois desta representação.
Na pagina 2, há uma noticia policial: a liberta Maria, conhecida pelo apelido de “Sacandé”, teria amanhecido morta na estrada do Itapema. A notícia informa que, tendo o habito de se embriagar, a vítima estava ferida por “instrumento cortante”. Como há pouco s dias a vitima havia entrado numa briga com o cigarreiro Luiz Fernandes, quando este espancava uma mulher,havia forte indicio de crime, e o texto diz esperar do Sr. Delegado os devidos esclarecimentos.
Outra noticia criminal é de um homem que foi preso ao desembarcar do paquete “Aymoré”, que entrara na nossa formosa baía vindo de Santos no  dia  10 de novembro último.  De uma verificação no seu quarto, no hotel Camacho, foram encontradas jóias e cerca de 702$000 em dinheiro. Ao que tudo indicava tratava-se de um fugitivo que vinha de Santos, onde havia cometido um terrível crime. Aguardava-se a requisição das autoridades paulistas para que o criminoso fosse encaminhado àquela praça.
Nesta pagina há também uma poesia satírica de Alberto Corte Real, dedicada a seu amigo Teóphilo Soares Gomes. Nela, o eu da poesia relata um sonho em que seria herdeiro de Rotschild, célebre banqueiro judeu. Mesmo sendo bom cristão, o “ouro cegou-lhe os olhos da alma”, e, de maneira demoníaca, entregou-se aos prazeres da riqueza e da luxuria sem freios. No entanto, quando o sono acabou, o único alívio que sentiu foi ter acordado tão somente “um bom cristão”.
Nos anúncios figurava com especial desenvoltura o senhor Manoel Miranda, vendendo desde bules e açucareiros de ferro até camas de ferro. Há também uma extensa propagando do sulfato de quina Marca Flexa, tendo ainda um parecer do doutor Joaquim Câmara, do Rio de Janeiro, que atesta as faculdades e a pureza da medicação.
Por último, mas não menos importante, Antonina recebia por aqueles dias o magico Jules F Bosco, um artista internacional mostrando seus talentos para os bagrinhos. O anuncio do espetáculo era um primor de horror, ao menos para a época. Um homem (seria o próprio Jules F Bosco?) segurando uma cabeça ensanguentada. Queria pegar uma maquina do tempo e ir lá ver.

Enfim, um singelo presente para meus queridos conterrâneos, hoje envoltos em tantos escândalos e confusões  e que merecem olhar com carinho e curiosidade para esta interessante documento que nos mostra a capela de outras eras...
Anuncio do espetáculo do magico internacional Jules F Bosco na Antonina de nossos trisavós!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DE FOCAS E OUTROS BICHOS

As focas estão brabas!!

Antonina está na mídia por estes dias.  Não por suas belezas, por sua história ou por seu povo, sempre tão alegre e generoso.  As noticias do afastamento de João D´Homero e a guerra de liminares que se trava por estes dias na Deitada-a-beira-do-mar  são o grande assunto na cidade e sobre ela.
João pode até vencer a batalha de liminares, mas perdeu uma importante batalha na guerra de seu mandato. Se sua atuação fosse proba, se sua atuação fosse correta e eficiente, se a população visse nele alguém que luta por ela e não por seus interesses ou de seus amigos, certamente não estaria passando por este perrengue todo. Nenhuma das gestões anteriores que me lembre, embora algumas tenham sido abaixo de zero nestes quesitos, superaram o desgaste desta atual gestão.
João pode vencer a batalha das liminares, pode cabalar uns votos na câmara, pode achar algumas brechas na lei, mas nada esconde o fato de que sua gestão está sendo, no mínimo, insuficiente. O descaso com a Saúde parece ser a ponta de um grande iceberg que pode vir a tona com investigações livres e desimpedidas.
Por falar em iceberg, parece que um dos factoides da reunião da câmara na terça, quando se decidiu pela comissão processante, foi a fala de um vereador, chamando os cidadãos que ali estavam de “focas amestradas”. Além da infelicidade de investir contra cidadãos e eleitores, parece que o referido vereador é quem parecia amestrado, ao defender o indefensável. Sim, pois onde há fumaça há fogo. A coisa pública não pode ser usada como se privada fosse. Há que se investigar.
Depois de junho de 2013 nosso povo perdeu a paciência, para o bem ou para o mal. Estamos impacientes, estamos com pressa. Não se trata de se fazer o que sempre se fez, há que se fazer mais: saúde, educação, transporte publico, tudo isso é importante e urgente. Não se pode brincar com estas coisas. Mas aparentemente, o poder público municipal é que estava equilibrando bolas, batendo palminha e dando gritos roucos pelas ruas. E ainda querendo apanhar todos os peixes que lhe eram atirados.
A câmara está cumprindo seu papel. Parabéns ao presidente da câmara, vereador Márcio Balera, que, no meio deste nevoeiro, leva o barco devagar. Com calma, respeito às leis e transparência, tudo há de ser esclarecido. E esse é, precisamente, o papel dos vereadores, o motivo pelo qual de quatro em quatro anos sejam reconduzidos a seus cargos: fiscalizar o executivo.
O que não pode, o que não dá, é a situação que encontrei em fins de setembro na terrinha, com pessoas insatisfeitas, um poder público arrogante e descompromissado, serviços públicos insuficientes.  O povo elege, acredita, confia. Se não confia, protesta, pede pra sair. Se for o caso, tem que sair, é do jogo.
Antonina quer mar, arte e amor; mas com saúde, educação, transporte publico de qualidade.

Focas, leões marinhos e outros bichos querem respeito.