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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

OS "BONS TEMPOS" DE MUNIRA PELUSO

Eu não estava com muita vontade de opinar sobre as eleições municipais de Antonina, por diversas razões. Sem nenhum desdouro aos demais candidatos à vaga de prefeito, continuo achando que Zé Paulo deveria ter uma chance de governar Antonina. As razões já dei aqui neste blog. Mas essa resposta, bem sei,  cabe aos quinze mil (quinze mil?) eleitores da Deitada-a-beira-do-mar.
O que eu gostaria de comentar – mais uma vez – é a longevidade da candidatura Munira Peluso. A movimentação na internet e no facebook começou com a clara intenção de alavancar sua campanha. O tal do grupo público aberto parece bem demonstrar isso.
Conforme já falei aqui, Munira Peluso tem cerca de vinte a vinte e cinco por cento dos votos cativos. Isso não muda, pois é um eleitorado que veio com ela desde os anos 90 do século passado. As politicas clientelistas da ex-prefeita, que também já discuti aqui, contribuem para isso.
A campanha é bem óbvia. Fala de um tempo no passado, um tempo ideal. O álbum de fotos  “Bons Tempos”, mostra em tons descoloridos uma Antonina ideal, como se Antoninas ideais existissem. Obras realizadas, pessoas felizes, notícias boas nos jornais. Parece que tudo corria as mil maravilhas neste breve tempo, em comparação com os tempos que se seguiram.
Esta é uma tática ilusionista. Vista do tempo nebuloso de hoje, parece que havia uma era de ouro em Antonina, maior até que os tempos de Heitor Soares Gomes.   O que, evidentemente, é uma grande bobagem.
Naqueles tempos, Munira nadou numa corrente de prosperidade do governo Jaime Lerner (Quem se lembra?),  com a inauguração do Terminal Frigorifico e em algumas outras politicas que já não mais existem. Nem seu antigo benfeitor, Beto Richa, pode mais ajudar ninguém. A grande oferta de empregos daquela época não é possível mais hoje. Ou seja, uma gestão Munira neste já tão avançado século não seria mais do mesmo. A conjuntura é outra.
Claro que olhar para o passado olhando a partir do desastre ético da gestão D´Homero dá algumas vantagens em comparação com prefeitos anteriores, todos eles.  Mas esquecer o nepotismo e a mediocridade de uma gestão que quase acabou com o Carnaval de Antonina -quem se lembra? Essa era a Antonina de “Mônica”: parentes na prefeitura, moralismo de araque sufocando as festas públicas, valentões espancando desafetos e opositores.

Eram realmente bons tempos?

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O RIO QUE TUDO ARRASTA

Os professores na invasão da AL-PR. copiei daqui:  http://bitly.com/1zxB5lr

Estive uns dias bem longe, na cidade mineira de Pihum-hi, no alto São Francisco, próximo a Furnas, para uma atividade didática com meus alunos. De volta a Campinas é que pude ver o que foi a manifestação de 12 de fevereiro deste ano em Curitiba. É a gente bronzeada das redes sociais (e dos movimentos sociais) mostrando seu valor. Que maravilha, meninos.
De um lado, um governador que atropelou e fugiu. Beto Richa foi o único responsável pela crise econômica que atravessa o estado. Fazendo o que? Com certeza não foi politica publica e de inclusão. Foram quatro anos medíocres, sem compromisso com a população. Na reeleição, surfou em cima da onda antipetista, aliou-se ao que se tem de mais atrasado na politica paranaense e se deu bem, se reelegendo ainda no primeiro turno. Mas e ai? Mais um governador medíocre que o Paraná tem. Beto Richa é um politico sem expressão nacional governando um estado rico economicamente e medroso politicamente. E agora, Beto? Vai Continuar mastigando isopor? Até quando isso vai dar certo?
É claro que não deu. O Brasil não é mais o pais de antes de 2013, para o bem ou para o mal. O mau humor do povo nas ruas bate à sua porta e não tem mais volta. Os movimentos populares vieram para ficar, mesmo que eles ainda não saibam disso. O governador convocou sua lamentável tropa de choque, comandada pelo “delegado” Francisquini, político bufão e sem fibra. Adoráveis as gozações de sua empulhação e de sua covardia quando é a hora de lutar o bom combate. Contra a massa organizada não há argumentos. Beto Richa viveu seu dia de Álvaro, o Dias. (este, aliás, somente outro dos bufões que a politica paranaense adora inventar e manter no circo da “polititica” local).
É de se rir quando se fazem apelos pela ordem chamando os adversários de baderneiros, de vândalos. É o padrão Casa Grande, querer que a Senzala se comporte e seja bonitinha mesmo quando é aviltada e humilhada pelos sátrapas de plantão.  A crise não foi provocada pelos professores paranaenses, categoria corajosa e que sempre está na liderança dos movimentos sociais num estado amorfo e sem brilho próprio. Desde os anos 70 os professores foram a vanguarda das movimentações sociais no estado. Chamar de baderneiro quem está lá na linha de frente do ensino falido que nossos governantes impingem à massa não é só cinismo, é deboche.
“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem”. Nada como o bom e velho Bertold Brecht para nos lembrar que, no século XXI os movimentos sociais não estão mortos como queriam alguns. Lembrar que existem muitos combates a serem lutados na área social e politica. Internacionalmente, a intervenção da maior potência militar do planeta deu origem a uma instituição política que não fazia sentido desde o século XIII, o califado. Aqui no Brasil pululam os que querem aumentar seus ganhos a custa de miséria, desemprego e especulação econômica. Guincham aqui e acolá velhos e novos lacerdistas. No Paraná os “xoques de jestão” de Beto Richa levaram o estado a ser realmente um estado mínimo. Não sei quais seriam os próximos passos nesta luta. Mas dignidade não se negocia, se conquista. Parabéns aos mestres por essa lição ao governador e seus gorilinhas de papel.


terça-feira, 9 de julho de 2013

AO PATRIÓTICO POVO DE ANTONINA!

(segue a plataforma de Ermelino de Leão em sua campanha a prefeitura municipal de Antonina em 1912)

Ermelino de Leão (1871 - 1932) em sua Biblioteca na Deitada-a-beira-do-mar
[continuação]


Apelarei para a boa vontade dos antoninenses, esperando que cada um dos habitantes deste município seja um colaborador do seu governo, auxiliando-o na execução fiel das posturas, cujo império deve ser igual para todos.

Apelarei para as classes laboriosas para os pequenos, para os operários, para o commércio, para a indústria, pedindo-lhes o concurso de seu apoio, afim de levar a efeito uma obra de ressurgimento, si não me faltar a boa vontade da população e os recursos necessários.

Sei que outros ilustres correligionários, dignos de nosso apoio e que mereceram minha previa indicação, poderiam dar mais brilhante desempenho às funções prefeituraes: si obedeci ao apello dos meus amigos e correligionários, tive em vista desígnios superiores da PAZ, do CIVISMO  e da LEALDADE.

Conto que não me faltará, sendo eleito, com a boa vontade da patriótica administração do estado, e do ilustre patrício que, ora, com brilho, ocupa a suprema magistratura do Paraná.

Si o pronunciamento das urnas sanccionar a indicação dos meus correligionários a amigos posso assegurar aos habitantes deste município que serei obscuro, mas sincero defensor dos interesses collectivos, procurando fazer da administração um culto de civismo, e guiando os meus passos no caminho da ordem e da moralidade para os grandes ideaes que conduzem à Perfectibilidade Humana.

Com o penhor do meu compromisso que ora assumo, entrego aos meus patrícios o passado de dedicação e sacrifício pelo Paraná, esperando, confiante, o pleito livre de 20 de junho proximo vindouro.


Antonina, 16 de maio de 1912



Ermelino Agostinho de Leão. 

domingo, 7 de julho de 2013

VOTE CERTO, VOTE DIREITO: ERMELINO PRA PREFEITO!!

 (por um desses acasos da vida, topei com um pequeno livrinho em que o Dr Ermelino de Leão mostrava "Ao Patriótico Povo de Antonina" seu programa de governo. Ermelino foi candidato a prefeito pelo Partido Republicano Paranaense ao cargo de Prefeito Municipal em 1912. Vejam as diferenças e semelhanças com hoje, 101 anos depois. Conservei a ortografia original) 


Ermelino Agostinho de Leão
(1871 - 1932)
AO POVO ANTONINENSE

Indicado por meus amigos e correligionários para o cargo de Prefeito Municipal, não declinei da distincção de tão iniludível prova de confiança, unicamente pelo intenso desejo de prestar a terra em que resido e a qual me acho vinculado por inquebrantáveis elos, os serviços que de mim, os meus patrícios, tem o direito de exigir.

Assim procedendo, não me deixei inspirar nos sentimentos subalternos da ambição, nem seduzir pelos encantos enganadores do poder: obedeci a norma, que me tem norteado a vida publica, de jamais recusar o contributo de minha dedicação, em qualquer esfera que ella possa resultar de utilidade, ao Paraná.

Não levarei para a administração municipal, caso o pronunciamento das urnas me invistam da função publica, outro programa que não synthetize a simples contextura desta sentença: o meu programa consiste no cumprimento do dever.
Cumprirei, pois, o meu dever, quando eleito, continuando a ser um advogado dos altos interesses do município, procurando impulsionar o seu progresso e contribui para o aproveitamento das riquezas que seu abençoado solo tem acumulado, sem outra preoccupação que não a não ser da utilidade publica e a do bem-estar da população.

Na ordem politica, cumprirei o meu dever conjugando a minha acção com a dos altos poderes do Estado, procurando fazer da Prefeitura um auxiliar eficaz ao patriótico governo do paraná, dentro do município, quer prestando todo apoio as medidas administrativas quer provendo, sem transgredir a esfera da autonomia a harmonia dos poderes, que considero uma das grandes virtudes de nosso regimen politico.  

Cumprindo o meu dever, prestarei ao Partido Republicano Paranaense desta localidade que levantou minha candidatura, os serviços compatíveis com a boa administração e que a lealdade politica me impõe.

Como exator do dever, eleito, empenhar-me-hei para implantar a tranquilidade e a harmonia tão necessárias ao desenvolvimento da nossa sociedade, tornando a justiça uma aliada da administracção.

Estas, as linhas do meu programa politico que visa a Concórdia, como elemento da ordem e para os fins do progresso.

Na ordem administrativa, não prometo o revolver de um vasto plano de reformas que exceda as possibilidades de nosso município: terei, quando eleito, a preocupação de conservar, melhorando, propugnando pelos legítimmos interesses das classes menos favorecidas, que são as que mais reclamam a intervenção e o auxilio dos governos.

Cumprirei meu dever, zelando pela boa aplicação das rendas municipaes, adoptando o regimen de larga publicidade dos actos da prefeitura, de modo a permitir a mais severa fiscalização do público a todas as suas resoluções.

Tentarei reduzir as despesas às proporções da receita, mantendo o equilíbrio financeiro que assegure credito e a boa fama que o município preza.

Cumprirei meu dever, cuidando das vias publicas e o calçamento gradual de parte da cidade, que está reclamando este urgente melhoramento.

Cumprirei meu dever, propugnando pela difusão do ensino, estabelecendo um combate pertinaz ao analfabetismo e estimulando o professorado municipal ou estadoal, por um conjunto de medidas que concorram para elevar a frequência das escolas deste município.

Em desempenho ao dever, sendo eleito, procurarei regularizar os serviços de assistência aos necessitados e de hygiene, impedindo que sejam creados focos de infecção, atendendo ao problema de alimentação publica e concorrendo para que as condições favoráveis de salubridade do município se tornem coletivas e sólidas.
Procurarei estudar o problema da habitação proletária, investigando os meios de proporcionar aos nossos operários casas hygienicas e baratas.

Não circunscreverei minha acção aos estreitos limites do quadro urbano: tratarei dos interesses da lavoura , procurando adoptar uma politica econômica que tenda a desenvolver os diversos ramos de cultura agrícola, lançando, em bases scientificas, a polycultura que, felizmente, é um dos característicos da agricultura antoninense. Com taes intuitos, pedirei, quando elevado a prefeitura, o apoio decisivo dos altos poderes do Estado e da República, de modo a banir a rotina e proporcionar aos lavradores novos processos que assegurem maior compensação ao trabalho.  


Si os votos livres do povo de Antonina me considerarem digno de gerir os destinos do município, não me descuidarei de impetrar do governo da união medidas que concorram para melhorar as condições de nosso porto, batalhando, com tenacidade, para que vejamos satisfeita essa legitima aspiração de que todos nutrimos; e, bem assim, continuando a pugnar pela justiça no regimen tarifário e pela reabertura da estrada da graciosa. Não só prometo aos patrícios mais que o cumprimento do dever: serei um simples intérprete dos desejos da população de Antonina, um sincero advogado de seus interesses, um fiel exator das leis municipaes.

[continua]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

COMEÇOS DE GESTÃO


Estou curtindo minhas merecidas férias em Floripa, mais precisamente na Praia da Solidão. O nome diz tudo, embora esteja cercado de gente: aqui é o fim da linha. A praia á linda, sem muito fervo, uns dias chove noutros dias bate sol. Diz que férias é bom porque acaba. Se não, seria desemprego.
Leio nos jornais daqui que o novo prefeito de Floripa quer mudar a cara da cidade. O primeiro-ministro, ou seja, o homem forte do novo governo, é um arquiteto, Dalmo Vieira filho. Sua proposta, audaciosa, é mudar a cara de Floripa em quatro anos. Quatro anos? Difícil, hein?
A cidade está numa grande encruzilhada. Cresce muito, muito rápido. Não tem infra-estrutura, não tem vias adequadas, não tem um transporte publico adequado. Floripa reclamou quando não foi escolhida cidade-sede para a copa. Mas alguém aí já tentou pegar a auto-estrada para o sul da ilha em dia de jogo do Avaí? Nem são Paulo tem congestionamentos assim.
As ruas são estreitas. Aqui na praia, são servidões, pequenos acessos dos antigos moradores que viram algo assim como ruas. Só da pra passar um carro por vez. Logo, não deveriam dar acesso a carros. Mas, no Brasil, proibir acesso a carros? Todas as casas tem garagem. Logo, as servidões nas temporadas de férias  vivem um caos.
Por isso, o novo secretário cassou, por três meses, todos os novos alvarás na cidade. Para pra organizar. Vamos ver quanto tempo ele vai conseguir controlar a situação. Aqui em Floripa, por diversos motivos, ela é quase sempre incontrolável.
Estou vendo que a nova administração na terrinha começou tocando obras no jardim Maria Luísa. Muito bom. Tem que começar forte mesmo, mostrando pulso. A maquina da prefeitura funciona bem, eu vi isso no 11 de março. Todos os gestores da crise só tiveram elogios para a atuação de Canduca e sua equipe. Conversei recentemente com alguns deles e eles me confirmaram isso.
O problema foi que a administração se enrolou logo depois no cipoal de procedimentos para reconstrução das casas. Pouco se avançou. Os governos estadual e federal também ficaram mais distantes. O resultado foi que a aprovação de Canduca desceu a níveis mais baixos que a maré baixa da lua cheia.
Avalio, como sempre avaliei, que a gestão Canduca foi muito boa onde Canduca pessoalmente  é bom: captação de recursos. A cidade voltou a ficar no mapa dos recursos federais, voltou a receber verbas que em outros tempos passavam batido dos gestores municipais. A cidade está mais antenada em relação ao dinheiro de Brasília.
Tomara que João, Wilsinho e equipe tenham mais sorte – e competência – nesta empreitada. Cabe enfrentar os problemas e dar soluções. Como eu já disse em outras postagens, nossa querida Deitada-a-beira-do-mar não é nenhuma Parati, nenhuma Ouro preto, mas também não é nenhuma vilinha de pescadores perdida por aí. Tem um belo patrimônio colonial, uma baia tão bonita quanto Parati e uma igreja de N.S. do Pilar, como Ouro Preto. Antonina não é rica, mas também não é tão pobrinha quanto se pensa. Basta ter vontade de trabalhar e bom senso.

PS – A nova câmara já pensou em fazer alguma homenagem aos gestores da crise de 11 de março? 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ANO NOVO, VIDA NOVA

A boa e velha Deitada-a-beira-do-mar, vista de cima, no ultimo dia  16 de dezembro; algumas nuvens no caminho, mas o futuro virá.


Fecham-se as cortinas. 2012, o ano cabalístico, em que o mundo ia acabar, está acabando. Pra uns finalmente, pra outros cedo demais. Enfim, foram 366 dias e quatro horas onde demos mais uma volta em torno do sol, onde rimos, amamos, choramos, odiamos, trabalhamos (não necessariamente nesta ordem!). Foi um tempo novo e absolutamente igual a outros que passaram como 1919, 1956, 1968 (este sim não terminou), 1978, 1994, 2005, e tantos outros anos atrás.
Em março, a tragédia de 2011 fez um ano, infelizmente sem muita coisa a ser comemorada. Na terrinha, no Reino-nem-tão-distante-assim, vulgo Deitada-a-beira-do-mar, foi um ano quente, de eleições pra prefeito. Muitas apostas foram feitas, e quem iria imaginar, em dezembro, o resultado das urnas de outubro?
Desejo ao João e ao Wilsinho o mesmo que desejei a Canduca quatro anos atrás: que vocês entreguem aos seus sucessores uma cidade melhor que a que estarão encontrando a partir de amanhã. Acho, sinceramente, que Canduca assim o fez: a Antonina que entregará a João & Wilsinho é melhor do que a que ele recebeu. Não é a Antonina dos sonhos, mas numa cidade em que poucos pagam IPTU e todos querem dar pitaco as coisas não podem ser melhores, infelizmente.
Para a blogosfera, que saiu muito arranhada e desiludida do confronto eleitoral, desejo força e um 2013 de mais crítica e discussão, onde tenhamos mais debatedores e menos anônimos. Este espaço precisa se renovar; que no próximo ano sejamos outros, mesmo ainda sendo os mesmos.
Para todos os seguidores deste blog modesto mas honesto um excelente 2013, com muita paz, alegria, saúde e prosperidade!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

JOÃO D´HOMERO NÃO VAI SER EMPOSSADO!


Se o mundo acabar em 22 de dezembro, por causa do calendário Maia, acabou-se a brincadeira pra cerca de 5000 prefeitos e outro tanto de vereadores, que nem vão iniciar seus mandatos. Incluindo João D´Homero e seu invencível vice, meu querido Wilsinho. O mundo todo está com as barbas de molho. Indícios para isso não faltam. Lembrem, por exemplo, que o Corinthians foi campeão da Libertadores e já está em Tóquio. O jogo depois de amanhã será contra o Al Ahly, do Egito. Ou seja, os manos versus a irmandade (muçulmana). Tem indício maior do fim dos tempos?
Tem uns gringos loucos estocando agua, comida e, inexplicavelmente, dinheiro. Alguém vai querer, no fim do mundo, trocar uma Coca-Cola por qualquer punhado de dólares? Cada uma...
E na Deitada-a-beira-do-mar? Será que o mar vai pegar fogo? Será que a turma do litro vai subir aos céus num disco voador em forma de garrafa de plástico? O Beato Rosnento, enrolado numa bandeira do coxa, vai lançar um CD com o padre Marcelo Rossi?
Eu bem que tentei comprar uma passagem pra Cancun, pois dizem que lá vai ser o ultimo pôr-do-sol da terra, mas milhares de bichos-grilos compraram todas as passagens da Azul, da TAM e até da Varig pra ir pra lá. Acho que vou ver o fim do mundo da Terrinha mesmo. Me aguardem: eu chego pro fim do mundo!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ANOTADO!!


Prezado amigo picanço
Proponho que todas as mensagens em que sejam sugestões, principalmente, mas denńcias e insatisfaçõs também, sejam centralizados no blog do Joaodomero.

joaodomero.blogspot.com.br/

e também aqui, para as discussões, pois quando for para o João saber, estaria lá o resultado das discussões, por exemplo.

O mesmo deveria ser feito pra os demais blogs.
O que pensam ?
Seria um controle e um falar registrado direto com o Prefeito,Ele se obriga a prestar contas e divulgar suas intenções, publicar resumo das atividades na semana, e responder sobre o esgoto que fede nas ruas etc. As ações para desentupir os dutos pluviais, and so on
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

HEIN? É ISSO MESMO?

Meu caro Cequinel pôs a boca no trombone (aqui): se foi verdade essa destrambelhação, é algo muito grave. Politica é uma coisa séria, mas também é uma brincadeira. Ninguém, a não ser os muito bestinhas, vai perder a amizade por conta de brigas de politica. Ou vai? É só um jogo pelo poder, meus caros, não precisa ser tão a sério! A sério, na vida, basta o amor pela amada, pelos filhos & pais, e a certeza de que deste mundo nada se leva. Ninguém está aqui pra dar caneladas "reais" ou tornar "difícil" a vida de ninguém. Isso é coisa do tempo de seu Edgard Withers, se é que esse nome diz alguma coisa pro povo de hoje em dia. 
Mesmo porque meu caro amigo Zé Paulo, de quem não tenho procuração para defender, tem luz própria e é uma das pessoas mais inteligentes e educadas que conheço. De fina cepa, diriam outros. Se não caiu nas cruéis provocações que sofreu durante a campanha, não vai cair agora nesse joguinho de intimidação barata. Assim agem as pessoas adultas emocionalmente. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

URUBLUES LEVANTA VÔO!

Modestamente, registro que meu blog, modesto, mas honesto, atingiu hoje sua maior audiência  foram 163 visitas nas ultimas 24 horas; no mês, foram 2073. Mesmo sendo um naniquinho na  blogosfera da Deitada-a-beira-do-mar, é uma honra tamanha audiência para um blog pequeno e pouco conhecido. Sempre procurando levar imprecisões, algaravias, garatujas e heresias para quem tiver paciência de atura-las...MUITO OBRIGADO!!

ADEUS, MUNIRA?


Quando a internet cravou que a apuração das eleições na Deitada-a-beira-do-mar tinha chegado aos 100%, fiquei olhando os dados na tela do computador, ainda sem entender os números. Algo havia mudado. Sem contar a votação de João d´Homero e de Zé Paulo, achei muito interessante a votação de Jeff Fonseca. Esses três são nomes relativamente jovens, pouco “rodados” na politica, e que podem ter ainda um grande futuro pela frente.
E quanto à Munira Peluso? A grande dama da politica antoninense, a musa do populismo tardio, como a ela me referi numa postagem que ficou famosa (aqui), havia recebido 2767 votos dos bagrinhos, ou 22,17% do total. O que isso significa? Será que existe alguma possibilidade eleitoral futura para Munira Peluso ou este é o seu canto do cisne?
Registre-se, por exemplo, que esta é a mais baixa votação proporcional que Munira teve desde sua estréia na política antoninense (ver diagrama abaixo). Hoje, objetivamente, sua retórica recebe aprovação de cerca de um quinto dos eleitores capelistas. Seu filho e herdeiro politico, o advogado Napoleão Peluso Junior, obteve uma digna votação para vereador, tendo ficado em 18º lugar, com 215 votos, o que não foi suficiente para sua eleição.
As votações proporcionais de Munira Peluso com os percentuais de votos válidos recebidos  nas eleições em que participou em Antonina

Dos vereadores de sua chapa, embora sejam campeões de voto, todos tem luz própria na política capelista. Não há muita possibilidade de uma bancada “pelusa” na Câmara Municipal. Alguns têm seu próprio caminho a percorrer, como o vereador Luiz Carlos Polaco, que praticamente repetiu a votação da eleição passada, com cerca de 600 votos. (E o vereador Roberto Fernandes, o Cara-de-relógio, é o novo campeão de votos da Deitada-a-beira-do-mar: alcançou a marca histórica de 687 votos e quebrou a recorde de meu pai, Dodô Picanço, que recebera 640 votos nas eleições de 1972).
Quanto a Munira, percebe-se nestas eleições que ela começou num patamar bastante alto de intenções de voto. Em meados de agosto, sua candidatura iniciou um forte declínio nestas intenções de voto até a votação "real" em 7 de outubro. Acredito que boa parte da votação de Munira se deva à lembrança boa que as pessoas em geral tinham do período que ela governou. Associada à inauguração do Terminal da Ponta do Félix, que acabou por gerar muitos empregos na terrinha, Munira surfou numa conjuntura boa para a cidade mas que pouco teve a ver com sua ação direta.
Por outro lado, o apoio do governador Beto Richa à Munira Peluso não se revelou eficaz. Beto Richa, aliás, foi o grande perdedor destas eleições. Inclusive perdeu na capital, onde seu antigo vice sequer foi para o segundo turno! Uma derrota bastante séria para as pretensões do filho do saudoso José Richa, esse sim um político de respeito. Com a derrota de Luciano Ducci encerra-se na Prefeitura de Curitiba o longo ciclo de governos de centro-direita que governava a capital “leite quente” desde a eleição de Jaime Lerner em 1989. Um fato definitivamente histórico.
Embora as gestões de Munira na prefeitura não tenham sido um completo desastre, também não foram nenhuma obra prima da gestão publica. Com  o forte peso do nepotismo no secretariado, suas ações mais lembradas pela população não foram seus planos de governo, mas sim sua distribuição de cestas básicas. A gestão da Educação foi mais pelos prédios que pela melhoria real do ensino. E as festas públicas, como o carnaval, foram relegadas a uma gestão pobre e sem brilho. O carnaval burocrático dos tempos de Munira Peluso são quase um exemplo de como não fazer.   
Assim, conforme uma postagem que fiz anteriormente, verifica-se que Munira perdeu perdendo (aqui). Não precisou que seus problemas com a aprovação de suas contas e com a lei da ficha limpa influenciassem. Melhor assim.
Não sei se é o fim de seu grupo politico. Mas sua candidatura-sonrisal - que se desfez na chuva da campanha - é um indicio que seu apoio hoje se encontra concentrado num pequeno grupo de eleitores, um quinto do total. Os demais, que a principio votariam em Munira e em seu grupo, perceberam que existiam outras alternativas. A fila da política anda.
Só lamento pelos meus colegas de blogosfera que seguiram a candidatura “pelusa”, principalmente meu querido amigo Neutinho. Estas eleições municipais provaram, Brasil afora, que os eleitores queriam pessoas novas com práticas novas. O pragmatismo eleitoral não foi suficiente para garantir-lhes uma vaga na Câmara Municipal. Uma pena para Antonina e para Neutinho, que tem bagagem e coragem e bem que merecia estar lá. 

domingo, 7 de outubro de 2012

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RESULTADOS DAS URNAS CAPELISTAS


O povo decidiu. Sua fala, como em toda República que se presta, é soberana. A vitória de João D´Homero foi maiúscula e sem discussão. 5133 votos, ou 42% do total. Representa a vitória de um grupo que iniciou a campanha sozinho, mas que tomou corpo e conquistou os corações e mentes da maioria dos capelistas.
Meu candidato, meu querido amigo Zé Paulo, por outro lado, teve uma campanha difícil, enfrentando muitos problemas. No entanto, os 3351 votos que obteve são motivo de muito orgulho, de uma campanha de alguém que ainda tem muita quilometragem politica pela frente. Sua campanha foi propositiva e tinha, em minha opinião, a melhor proposta e o maior apoio politico. Tanto que, de sua chapa, elegeram-se quatro vereadores.
Por outro lado, provavelmente estas eleições podem significar o fim politico do grupo politico de Munira Peluso. Que começou forte e arrogante, inclusive com muita intimidação aqui na blogosfera, mas que foi derretendo, derretendo e afinal teve 2767 votos,  ou 22 % do total. O tempo dirá.
Por outro lado, cabe destacar a campanha low-profile de Jeff Fonseca , que mesmo tendo ficado na quarta posição tinha uma chapa bastante forte e elegeu 2 vereadores com votação expressiva. É uma forte posição e pode ter bastante influência nestes próximos quatro anos.
João D´Homero, eleito prefeito de Antonina com uma chapa pura, a qual teve somente uma vereadora eleita. Aliás, esse vai ser um problema bastante sério, e o novo prefeito vai ter que se haver com uma câmara com nomes de oposição bastante fortes.
De qualquer forma, boa sorte ao próximo prefeito. Tomara que consiga resolver os problemas que sua campanha mostrou e que tentamos mostrar por aqui. Que consiga governar bem e para todos. E que daqui a quatro anos a conversa se dê num nível bem mais alto que a deste ano. Com mais trabalho, saúde e educação para o feliz e soberano povo da Deitada-a-beira-do-mar. Os bagrinhos merecem. 

SAÍRAM OS RESULTADOS!!


sábado, 6 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

DIA 8 VAI DAR M.E.R.D.A.

COPIO INTEGRALMENTE DO ORNITORRINCO. FAÇO ISSO, COMO DIZ NOSSO BEATO ROSNENTO, POR CONCORDAR, DE PLANO, COM SUA BOQUIRROTA ARGUMENTAÇÃO. 

Caneladas eleitorais: Amigos do Jekiti X Ornitorrinco


 Sem comentários:
Meu incondicional amigo Luiz Henrique, do indispensável Amigos do Jekiti, depois de devidamente provocado (aqui e aqui), respondeu-me assim:
O ovo do Beato Rosnento
O amigo Paulo Cequinel, vulgo beato rosnento, se apropria de uma reles opinião minha para colocar-me no palanque de João Domero e Canduca. Naturalmente sua estratégia não cola e muito menos vai induzir os leitores ao erro, porque todos sabem que a coligação que ele apoia já mostrou o ovo da serpente, aqui mesmo neste blog.
Um homem de luta como Cequinel não deixaria por menos, pois a estratégia da sua coligação é clara e cristalina: "bater" em que está na frente e "elogiar" quem está atrás para ver se seu candidato ganha uns pontinhos. 

Como faz parte do jogo, vou aceitar as regras até os dados pararem de rolar no dia 07, quando o povo decidirá se o monstro será abortado ou amamentado com o colostro da mãe generosa.
Mas o amigo cai na própria arapuca ao conjugar a frase no modo indicativo, quando deveria, se acreditasse na vitória do seu candidato, colocá-lo no condicional, para passar a ideia de provável e não de certeza.
Mas isso tudo só a psicanálise freudiana decifra, pois o que interessa é saber que o bom e velho ornitorrinco sentiu o golpe, sem trocadilhos.
Que dia 08 chegue logo, para que voltemos a discutir as estratégias revolucionárias do nosso amado e querido M.E.R.D.A.
grande abraço

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O contra-ovo d'Ornitorrinco 
Como é de sobejo conhecimento nesta cidade, este modesto Ornitorrinco é dado à faina que fez a fama das boas galinhas poedeiras, de modo que ofereço ao prezado e incondicional amigo as seguintes considerações:
Não o coloquei, você é que subiu no palanque do candidato da pureza absoluta, no exercício dos seus direitos, aliás.
Não conheço a estratégia ou as variações táticas da coligação do Zé Paulo: não estou na campanha, não participo de reuniões e não sei com quantos beques e volantes jogam, ou se preferem centroavante fixo ou atacantes que caiam pelos lados, meu prezado amigo. O que escrevo em meu blog é de minha exclusiva lavra e, de quando em vez, meio sem querer, acerto umazinha no gol.
Tenho certeza que Zé Paulo será eleito no próximo dia 7 de outubro, e isso NÃO É mera manifestação de desejo ou de vã esperança.
Não aprecio nenhuma das mais de 458 escolas/correntes da psicanálise, aliás quero distância desta tropa de especuladores porque, aos 60, não tenho mais tempo e paciência para que me inventem um trauma qualquer.
Com efeito, precisamos mesmo discutir a estratégia e os próximos movimentos táticos do glorioso M.E.R.D.A.(*), de modo que você e Lia estão convocados para umas beras geladas ou um vinhote de boa cepa e procedência.
Com ou sem caneleiras?

Grande abraço.  
(*) Movimento Escatológico Revolucionário de Antonina

QUEM ESTÁ COM A BOLA É O SANTOS...

a Beira-mar em São Vicente de manhãzinha...todo mundo na pista de fora indo trabalhar em Santos...
Não, não virei casaca...continuo atleticano, se é que isso adianta alguma coisa nessa vida. Na real , desde segunda feira estou em Santos(SP) participando do 46o Congresso Brasileiro de Geologia. Meus alunos estarão apresentando trabalhos sobre os morros da Deitada a-beira-do-mar e do Floresta, e eu estarei, amanhã, com uma apresentação sobre as minas de ouro de Paranaguá (leia-se a região de Morretes e Antonina) no século XVII. E, sempre que possível, acompanhando a blogosfera capelista e os momentos finais da campanha politica, com Zé Paulo e Wanda na cabeça!!

domingo, 30 de setembro de 2012

QUEM VOTA EM ANTONINA? parte 2, a missão!


Como se vota e quem vota em Antonina? Será isso diferente do resto do Paraná e do Brasil? Às vezes, comendo um pirão do mesmo, deitado numa rede e tomando uma cachacinha – de Morretes, por que não? – pensamos que tudo se resume no mundo entre o alto da Serra e a ilha do Teixeira. Não nego que esta porção do mundo tenha sua particular poesia, mas estes sentimentos estão mais para a metafisica do bagre com farinha (ou do bacucu, claro está) do que para a realidade nua e crua.
Na minha idiota sina de perseguir alguma objetividade, os eleitores antoninenses, segundo o grau de instrução segundo o TRE-PR (aqui), estão mostrados na figura abaixo.
escolaridade dos eleitores da Deitada-a-beira-do-mar em 2012 (fonte:TRE)


Pela figura, pode-se ver que a maior parte dos eleitores da Deitada-a-beira-do-mar são as pessoas que tem ensino fundamental completo (40%). Se contarmos estes eleitores com ensino fundamental incompleto mais os eleitores analfabetos e os que leem e escrevem, temos um total de 58% do eleitorado.
Os eleitores com ensino superior completo e incompleto fazem um total de 4% do eleitorado, enquanto que os eleitores com ensino fundamental completo e com ensino médio completo e incompleto fazem os outros 45% do eleitorado capelista.
O que isto quer dizer? Quer dizer que Antonina não é diferente, no fundamental, que o eleitorado do Paraná, tomado como um todo (ver figura abaixo). A grande diferença é que o estado tem uma porcentagem de eleitores com ensino superior na faixa dos 10%, contra somente 4% dos bagrinhos. O demais é bem parecido.
Escolaridade dos eleitores do Paraná em 2012 (fonte:TRE)

De novo a pergunta: o que isso quer dizer? Em termos de eleição, acho que não muita coisa. Pessoas com menos escolaridade tendem a assimilar um discurso mais simples, que não quer dizer que não saibam o que querem, nem que não saibam votar. Seria muita prepotência ou muita ingenuidade achar que eleitores com menos escolaridade não sabem distinguir bem o que querem e o que não querem. Pensamento de tucano paulista, um tipo elitista e prepotente que não existe abaixo do rio Paranapanema. Os tucanos da margem esquerda do Paranapanema são só toscos e/ou ingênuos.  Menos mal, causam menos estrago.
Talvez estes dados signifiquem, por outro lado, que precisamos melhorar estes índices de escolaridade. Uma população mais escolarizada tem renda melhor e vive melhor. Tem mais crítica e sabe distinguir melhor o que quer, pois tem mais facilidade de escolher diferentes opções que são colocadas.
Por isso, uma politica de educação não deve estar centrada só em consertar escolas, como vemos em alguns manuais de campanha “pelusos”. Temos que ter politicas sérias de valorização de professores, mas não essas aí, genéricas, pra boi dormir. Só quando a educação for realmente prioridade as coisas mudam. Será que os políticos aguentam o tranco de uma nova multidão esclarecida desafiando seus pobres mandatos?

sábado, 29 de setembro de 2012

O CAVALEIRO INEXISTENTE


Estes tempo reli um livro de Ítalo Calvino, o “Cavaleiro Inexistente”. Nesse livro, o impagável Calvino nos conta a história de um cavaleiro do Imperador Carlos Magno, o nobre Agilulfo. Agilulfo era um perfeito cavaleiro, com sua armadura branca, resistente e reluzente – mas vazia. Comandado só pela vontade, reto e perfeito, perfeccionista, cumprindo cegamente todas as regras e normas, Agilulfo desprezava seus companheiros, os outros cavaleiros, tão viciosos, tão deturpados pela vida e pelos humanos sentimentos.
Calvino, com sua acuradíssima prosa, nos diz que a vida é bem mais complicada do que pensamos. Quem não quer, acossado pelas premências da vida cotidiana, alcançar um patamar onde tudo seja puro, não corrompido, onde a vontade seja soberana e os vícios derrotados? Porém, como conseguir esse ideal?
Aqui em São Paulo a grande discussão estes tempos é a candidatura Russomano. Um outsider, um candidato sem estrutura nenhuma, lançando-se a prefeito sem o apoio de grandes máquinas e que está chegando ao segundo turno das eleições da maior cidade do país. Quer exemplo maior de vitória da vontade contra a necessidade da vida?
O que tenho visto sobre a candidatura de João D’Homero, na nossa  Deitada-a-beira-do-mar, me lembra esse paradoxo. Trata-se, segundo sua campanha, de um candidato chapa-pura, combatendo máquinas eleitorais fortíssimas, apenas com o exemplo e com a vontade de dar certo.
No entanto, o que é apresentado? O texto de sua plataforma (aqui) é parco, vago e ambíguo. Na entrevista que vi na internet (aqui) , aparece um candidato sem ideias, sem expressão, sem o que contar de novo e diferente para o eleitor. Nos debates (aqui), diz que não sabe nada, mas que vai ter um secretariado que sabe o que fazer. Como assim?
Como Russomano, que não tem staff em que se apoiar, João D´Homero surfa no desconhecimento que o eleitor tem dele e de seus projetos (aqui). Faz da rejeição dos outros sua tabua de salvação (aqui). Mas existem perguntas a serem respondidas. Quais são suas ideias? Quem são seus apoiadores? Com quem vai governar? São perguntas que precisam ter respostas bem claras.
Meu caro Jeff Fonseca faz uma campanha modesta, mas honesta. Tem um partido forte localmente, com uma chapa de vereadores consistente, composta principalmente de comerciantes. Gostando-se ou não, tem um nome e uma identidade fortes, e uma forte dose de coerência, inclusive nas propostas que apresenta. Assim comparada, a campanha de João D´Homero ainda é uma incógnita.
A continuar nesse bom-mocismo sem propostas, o que podemos esperar?
Nosso bom e nobre Agilulfo, o cavaleiro inexistente, parece uma boa metáfora. Quando finalmente teve que se apresentar tal como era, ou seja, despir sua armadura, é que ele realmente se revelou. Agilulfo era um cavaleiro puro e sem vícios, virtuoso por nunca ter que testar sua virtude. Em busca da vida real, um dia ele apeou de seu magnífico cavalo, tirou o elmo, tirou a parte de cima e a parte de baixo da armadura: o que as pessoas viram foi nada. O vazio. Sem sua carapaça reluzente, Agilulfo era vazio como o vento que sopra à tarde nas árvores da Feira-mar. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

QUEM VOTA EM ANTONINA?


Meu caro Luiz Henrique postou semana passada um texto no imprescindível  Amigos do Jequiti (aqui) em que falava do conservadorismo do antoninense. Concordo em algumas coisas, discordo em outras, a discussão está lá.
No entanto, fiquei com vontade de saber quem são, pelo menos estatisticamente, as pessoas que vão depositar o seu voto no próximo 7 de outubro pra escolher o novo prefeito da Deitada-a-beira-do-mar.
Segundo o site do TSE (ver aqui) os antoninenses que tem titulo de leitor e estão aptos para votar estão distribuídos nas faixas etárias da figura abaixo. A população jovem (17 a 24 anos) é relativamente pequena (16%). A população entre 25 e 34 anos é bem maior, com aproximadamente 21% do total. Assim, temos que 37% da população é constituída por jovens, que estão se iniciando na vida, e por jovens adultos, os que estão se casando, tendo filhos e consolidando uma vida. Por suas características, este é seria o eleitor mais propenso a mudanças.
A população antoninense, por faixa de idade, segundo o TSE

O grupo a seguir, na faixa dos 35 a 44 anos representa cerca de 18% do eleitorado. Este é o grupo que, em geral, está consolidado no mercado de trabalho. Infelizmente, pelas características socioeconômicas do município, este grupo é o que, demograficamente, está faltando na cidade (ver aqui). São as pessoas que foram obrigadas a sair em busca de melhores oportunidades fora.
 Já o grupo majoritário é representado por pessoas entre 45 e 59 anos (24%) representam as pessoas já situadas na vida, com filhos ou netos pra sustentar. Para estas pessoas, qualquer mudança que possa prejudicar sua atual condição é vista cm profunda desconfiança. São estes os eleitores mais conservadores.
Os eleitores com mais de 60 anos representam cerca de 18% do total. Trata-se de um grupo que, em sua maioria já está aposentado. Pode tanto estar numa vida confortável, quanto pode assumir a postura politica que quiser – inclusive não ir votar, facultativo para os maiores de 70 anos. Poderia até ser conservador em sua essência, mas, como foram jovens nos anos 50 e 60 acredito que boa parte deles, os mais escolarizados, tendem a apoiar propostas mais avançadas.
Assim, do ponto de vista da faixa etária, não há, a meu ver, nenhuma particularidade na Deitada-a-beira-do-mar que a torne radicalmente diferente de qualquer outro lugar neste pálido planeta azul. O que estas pessoas, em suas diferentes faixas etárias querem? sem medo de errar eu apontaria, entre tantos outros: saúde, emprego, segurança, uma casa, um tempo pra descansar, conversar com a família e os amigos.   E, também,  pra sonhar por que não? Sonhar sonhos simples, que caibam dentro da existência. Não é pedir demais.
Isso é ser conservador ou ser  liberal? É de direita ou de esquerda? Acho que estas questões não encontram eco neste nosso mundinho entre a serra e o mangue, onde as questões são outras, bem outras.
É ver pra crer. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SOBRE PESQUISAS ELEITORAIS E MASSA DE PÃO

  • Tem candidato aí que - dizem - é como massa de pão: quanto mais bate mais cresce. O problema destes tipos de candidato é que eles são como o fermento; quando o fermento está velho e passado, a massa embatuma e não cresce; perguntem aí pro meu amigo Orlandinho, que sabe dessas coisas.  
  • “O povo já decidiu!” Não, meus caros, o povo ainda não decidiu, porque hoje não é como no tempo dos coronéis, onde os capangas domingo cedo estavam na rua e o resultado já se sabia de antemão. O dia pro povo decidir é sete de outubro. 11 dias portanto.
  •  (A propósito, os blogs “pelusos” não vão mais mostrar as pesquisas eleitorais? Parece que as coisas andaram mudando na Deitada-a-beira-do-mar!)