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quarta-feira, 15 de junho de 2022

LULALCKMIN

 


A Paleontologia Imaginária, ao contrário do que se imagina, não tem uma evolução linear enquanto disciplina científica. Como qualquer ramo da ciência, tem tido agudas controvérsias e grandes mudanças paradigmáticas em seu desenvolvimento (T. Kuhn, Congresso de Paleontologia Imaginária de Antofagasta, 1962). A questão dos Cisnes Verdes fósseis e sua comprovação empírica (Popper, 1939), por exemplo, foi um destes grandes momentos.

Contudo, dentre tantas controvérsias, a questão do gênero Lulalckmin ocupa um capítulo à parte. Quando seus primeiros espécimes foram descobertos e analisados (Lula da Silva et al., 2022, Imaginary Paleontological Review), muitos notaram a notável semelhança com outros espécimes já muito conhecidos do registro paleontológico, como o Lulinus, encontrados em terrenos pliocênicos do ABC Paulista (Atas do 13º Congresso de Paleontologia Imaginária de São Bernardo, 1980), e o Geraldinus, encontrados em terrenos similares na bacia sedimentar de Pindamonhangaba (Covas et al., Congresso de Paleontologia Imaginária de Pinda, 1996).

Segundo muito analistas, tratavam de duas espécies muito diferentes e inclusive competidoras entre si, sendo quase impossível encontrar um organismo com características das duas espécies. O Lulinus era um mamífero muito adaptado a vários ambientes, associados com espécies do Gênero Sinistrus (ver PTistus sp). O Lulinus, inicialmente descoberto em sítios paleontológicos fosseis em Garanhuns, chegou a ser a espécie dominante no plio-pleistoceno, ocupando inclusive trechos de cerrado no Brasil central (Lulalá et al., Congresso de Paleontologia Imaginária de Brasília, 2002). Embora proveniente da base da cadeia alimentar, o Lulinus chegou a conviver tranquilamente com espécies predadores enquanto estava protegendo espécies predadas (Genro, 2005).

Já o Geraldinus era uma ave tucaniforme que chegou a dominar extensas áreas da Pangeia (Cardoso, 1994, Imaginary Paleontological review). No entanto, inicialmente sua distribuição geográfica era restrita ao território do atual estado de São Paulo, que chegou a dominar desde o Cretáceo. O Geraldinus, ao contrário dos demais tucaniformes desta época, ocupava preferencialmente extensas áreas dominadas por cucurbitáceas, como o Sechium adule, ou chuchu. Apesar de estarem bem adaptados ao ambiente cucurbitáceo em que viviam, os Geraldinus quase foram extintos no fim do holoceno graças aos ataques de canídeos do gênero Bolsodoria (Congresso Paulista de Paleontologia Imaginária, 2018).

Dada a grande dessemelhança das espécies, muito apontaram ser o Lulalckmin uma fraude, fruto de reconstrução maliciosa de espécimes fósseis (Gomes, 2022, Congresso de Paleontologia Imaginaria de Paris). No entanto, alguns mostraram que o surgimento do Lulalckmin, apesar dos muitos pontos ainda em aberto, pode ter sido muito importante para combater os vermes anaeróbios do gênero Bolsonarus, que tornaram muito difícil a sobrevivência de importantes ambientes paleoecológicos brasileiros. Muito apontam que mamíferos com características de aves já foram descritos em espécimes fosseis imaginários em vários ambientes, como o ornitorrinco australiano ou mesmo o Pegasus sp, o cavalo alado, cujos primeiros registros foram feitos na Grécia antiga, citados por Aristóteles em sua Física (livro IX).  

A origem do Lulackmin está em aberto. Ainda não temos argumentos que possam esclarecer sobre a origem do Lulalckmin nem a sua função paleoecológica. Quem sabe nos próximos meses tenhamos acesso a novas descobertas que possam dar uma nova luz e esclarecer esta importante controvérsia. 

arte: julian fagotti


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)



sexta-feira, 31 de maio de 2019

PROPRIOLAVUS


(ilustração Julian Fagotti)
A Paleontologia Imaginaria não é futebol, mas também é uma caixinha de surpresas. Entre os fósseis imaginários que estão catalogados ou descritos já lá se vão milhares, como comprova a produção da Imaginary Paleontology Review, um dos periódicos de maior impacto do mundo científico imaginário.
Um destes fósseis, entre tantos outros, é bastante singular pelo fato de não ser um fóssil. Trata-se do propriolavus. A história é longa, e vai ser contada aqui um tanto abreviadamente, dada a exiguidade de tempo e espaço. Ou seja, temos mais o que fazer...
O propriolavus não é nenhuma novidade na escala do tempo paleontológico.  Desde a antiguidade se conhecem estas feições:  trata-se de feições aleatórias nas rochas, preenchidas por cimentos ou óxidos, muitas vezes dando a impressão de formar figuras. Em cientifiquÊs são chamados dendritos. Nestes dendritos, uns veem a Virgem Maria, outros veem um coelho. Outras ainda, um sapo engolindo uma estrela. Foi descrita também um quati malhado e uma concha de amonite. A maioria, entretanto, nada vê. Porquê é só uma mancha na rocha, e não um fóssil.
Aristóteles citou uma destas impressões em sua Física, volume II (hoje perdida), recuperada numa citação de latina de Flavius inflavius: “em terras da Capadócia acharam muitas destas figuras, que não querem dizer coisa nenhuma. Lá, são chamadas de propriolavus”. Na Idade Média tal feição foi descrita por Santo Agostinho, referindo-se a elas como “imposturas da pedra”.
No mundo islâmico, esta figura foi descrita por Ibn Sina, também conhecido na Europa como Avicena. Ibn Sina descreveu tais feições como imposturas e como alucinações que a luz do sol poderia provocar. Para Al Jabr, um dos mais famosos alquímicos islâmicos, o propriolavus era somente fruto da imaginação. Na tradução latina de al Jabr, realizada no século XIV pelo sábio bizantino Constantino da Beócia, o propriolavus foi descrito como “parente do azinhavre e do azebre”.
A história do propriolavus começa a mudar com a leitura da obra do padre Anastasius Kircher. Em seu texto “quae et nos credimus, quod impostor esset propriolavus”, Padre Kircher coloca em questão se o propriolavus seria uma impostura.  Ou, então, uma mera brincadeira da Natureza, ou lusus naturae, como se dizia naquela época.
O texto kircheriano chegou a Inglaterra, onde recebeu uma leitura atenta de Stebe de Bannon. Stebe de Bannon, como sabemos, que estava na época envolvido numa conspiração para assassinar metade das monarquias europeias e instaurar um reino cruzado na Europa Ocidental. Descoberto seu plano, foi esconder-se na América.
Em suas andanças pelo continente norte americano, Stebe de Bannon encontrou vários espécimes do propriolavus, alguns com o mau cheiro característico. Não se sabe exatamente como, num destes trabalhos subterrâneos de Stebe de Bannon, o propriolavus auto-intitulou-se fóssil, com o nome científico de Olavus decarvalhus. A seção tipo onde ocorreria o presumido fóssil seria a região de Richmond, na Virginia. Coberto de razão, o propriolavus começou a ser estudado por diversas pessoas em diversos lugares da América Portuguesa.
Consta que o mineiro Silvério dos Reis foi um dos maiores especialistas no estudo do propriolavus. Apaixonado pelo estudo do propriolavus, Silvério dos Reis chegou mesmo a enviar alguns espécimes para o filósofo Emanuel Kant, que então estava se interessando por assuntos de Paleontologia. Mas o eminente filosofo achou o propriolavus sem importância, e sequer respondeu as cartas de Silvério dos Reis.
Revoltado com a ausência de resposta, Silvério acusou o então alferes Joaquim Jose da Silva Xavier de haver sabotado seu contato com Kant. Silva Xavier sofreu então um sério assassinato de reputação, orquestrado pelo propriolavus, que via em tudo sinais de perseguição. Como se sabe, o Alferes, ao final, foi condenado a morte na forca e diversos outros cidadãos mineiros tiveram seus bens confiscados e foram enviados para o exilio por conta das maquinações de Silvério do Reis e do propriolavus.
O autointitulado fóssil Olavus decarvalhus não foi muito bem aceito na comunidade cientifica. A maior parte dos pesquisadores sequer reconhecia sua existência. No entanto, sempre coberto por camada e mais camadas sedimentares de razão, o Olavus decarvalhus estava sempre acompanhado de um pequeno grupo de leigos que acreditavam piamente em seu caráter fossilífero.
Durante um certo período geológico, chegou a ter alguma relevância, inclusive poder. Chegou a ser considerado o suporte de espécimes unicelulares como o Velez sp e o weintraubius balburdicus. Mas quando começou a abrir mais fortemente sua boca, o Olavus decarvalhus foi se tornando mais conhecido. Quanto mais conhecido, menos estudiosos acreditavam nele.
O propriolavus extinguiu-se totalmente ao fim do Antropoceno inferior. Deixou, em vez de impressões fósseis, um sem-número de dívidas para seus seguidores pagarem.




 (a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)






terça-feira, 22 de janeiro de 2019

NEGACIONISTUS


Arte: Julian Fagotti
(Para Leda Gitahi)

Não há como negar: um dos gêneros mais comuns e importantes do período entre o Devoniano e o Cretáceo foram os anfíbios do gênero negacionistus. Estudos recentes da Paleontologia Imaginária jogam luz sobre alguns aspectos até então pouco esclarecidos do negacionistus e apontam novas causas para seu surgimento e posterior extinção (Souza & Brown, Imaginary Paleontology Review, 2019).


Segundo o trabalho citado, existiriam diversas espécies de negacionistus, cada uma adaptada ao seu paleo-ambiente. Uma das espécies mais antigas é o negacionistus holocausticus, que data do Devoniano inferior (S. Wiesenthal, Atas do Congresso de Paleontologia Imaginaria de Tell Aviv, 1959). Segundo Wiesenthal, o n. holocausticus tinha olhos grandes, mas provavelmente tinha dificuldades de enxergar. O que em certa medida explica o seu desaparecimento, ao final do Permiano.


Da mesma forma que o negacionsitus holocausticus, o negacionustus climaticus foi outra espécie importante no registro paleontológico imaginário. Seu maior período de difusão parece ter se dado entre o Jurássico e o Cretáceo, tendo desaparecido ao final deste ultimo período. Não há evidências de n. climaticus acima do limite Cretáceo/Terciário, o limite K-T (Anais do Congresso de Paleontologia Imaginária de Honololu, 1959).


Ao que tudo indica, o n. climaticus tinha olhos bastante desenvolvidos, mas não conseguia enxergar com clareza (Lindzen & Ferry, Imaginary Paleontological Review, 2009). Também não eram muito bons em estatística, e não entendiam cálculos matemáticos e modelos climáticos complexos, o que pode, segundo alguns, ter levado a sua extinção ou reprovação em massa (Koch & Koch, Atas do Congresso de Paleontologia Imaginaria da Filadélfia, 2005). Como quase todos os anfíbios, o n. climaticus também tinha uma língua retrátil longa, ferina e pegajosa. Seus alvos preferenciais, de quem se alimentava, eram insetos do gênero incautus sp (Exxonmobil, Secret Report, 2005).  


Um dos trabalhos mais interessantes para se entender o gênero negacionistus com certeza foi o de Sigmund Freud. Antes de se tornar o pai da psicanálise, o jovem Sigmund dedicou-se à paleontologia, e fazia trabalhos de campo em diversos sítios fossilíferos imaginários ao redor de Viena. Suas descobertas mais importantes resultaram num trabalho publicado nos Anais do Congresso Paleontológico Imaginário de Viena, 1890. Neste texto recentemente redescoberto, Freud percebeu que os negacionistus, apesar de bem equipados para a sobrevivência ao ambiente hostil do cretáceo, escolhiam negar a realidade como forma de escapar de verdades desconfortáveis. Ao fazê-lo, segundo Freud (op. cit.), as espécies de negacionistus acabavam por aceitar fatos alternativos e hipóteses de difícil comprovação empírica.


Existem alguns trabalhos que fazem uma relação entre o negacionistus climaticus e outras espécies, como o terraplanistus sp, o fascistus sp e o criacionistus sp (Trump, 2016; Bolsonaro et al., 2019). No entanto, embora similares, estudos recentes comprovam ser espécies distintas, porem adaptadas ao mesmo meio ambiente. Existe mesmo a hipótese de algumas destas espécies serem extraterrestres, com indicações de derivação lunática (Damares Alves, comunicação pessoal, 2019; D. Bertrand de Orleans e Bragança, 2018, Anais do congresso de Paleontologia Imaginaria de Petrópolis).


Um animal estranho e monstruosos num tempo estranho, como foi o Mesozoico, o negacionistus climaticus, apesar de suas vantagens competitivas, teria sido extinto junto com os grandes dinossauros. Uma teoria muito aceita no passado diz inclusive que os n. climaticus negaram a possibilidade de choque de meteoros com a Terra no final do Cretaceo (Suguio, Imaginary Paleontology Review, 2012).


No entanto, alguns dados recentes mostram que eles se extinguiram um pouco antes, no Cretáceo médio (Heartland Institute, Special Report, 2010). Segundo a teoria mais aceita atualmente, com a deposição de evidências cada vez mais esmagadoras, os n. climaticus foram soterrados por toneladas destas mesmas evidências que eles negavam, e acabaram se extinguindo (IPCC, 2006). Nem precisou de meteoro. 


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

LAVAJATUS


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

Entre todos os fósseis estudados no período Triássico, os répteis do grupo Lavajatus foram uma de suas espécies mais características. Foram especialmente dominantes entre o Triássico inferior (Andar Bumlaiano), quando tiveram rápida radiação (Janot, 2015). Depois de um período onde foram os predadores mais importantes (Moro et al., 2016), acabaram por se extinguir no final do Triássico superior (Andar Joesleyano).
O gênero federalicus foi um dos gêneros mais importantes do Triássico inferior. Tratam-se, provavelmente, de saurídeos pequenos e muito velozes, que andavam em bandos, atacando preferencialmente de manhã bem cedo (Silva et al., atas do Congresso de Paleontologia Imaginária de Curitiba, 2016). No entanto, apesar de seus hábitos matinais, paradoxalmente, estes saurídeos tinham problemas de visão, já que foram registrados muitos espécimes usando óculos de proteção, em especial de cor escura. Muitos espécimes especialmente bem preservados foram desenterrados em diversos sítios paleontológicos imaginários (Silva, op.cit.).
Alguns destes espécimes do gênero federalicus foram objeto de muita especulação nos meios científicos, como o federalicus lenhadoris e, principalmente, o federalicus niponicus. No entanto, estes espécimes eram periféricos, e logo desapareceram no registro paleontológico. Os mais importantes, na escala evolutiva eram os saurídeos do gênero ministeriopublicus.
Entre os espécimes do gênero ministeriopublicus, era bastante ruidoso o M.  dallagnolicus. Este espécime era especialmente perigoso porque matava suas vítimas com mordidas sépticas e com apresentações mortíferas de powerpoint (Zavascky, 2015). Quando atacava suas presas nas planícies deltaicas do Triássico médio, o dallagnolicus não tinha provas, mas tinha muita convicção.
Os métodos de caça dos ministeriopublicus eram geralmente derrubar as presas e arrasta-las para cavernas especialmente selecionadas. Uma vez lá dentro, os ministeriopublicus faziam-nas delatar umas às outras. Outra forma de caça eram os vazamentos seletivos (Moro, 2016), quando inundavam uma área selecionada no lado esquerdo dos vales para caçar os animais pegos de surpresa em armadilhas. Os animais do lado direito, durante o Triássico inferior, escapavam com facilidade destas armadilhas (Neves & Mendes, 2015).
Os saurídeos do grupo lavajatus irradiaram-se bastante durante o Triássico médio, especialmente dispersos no território sul-americano. São encontrados sítios com ocorrências de ossadas quase intactas destes animais ao longo de quase todo o território brasileiro, embora espécies possam ter sido encontradas também em jazimentos no Equador, Colômbia e Peru (Santos & Toledo; Atas do Congresso de Paleontologia imaginária das Ilhas Cayman, 2012).
Nos sítios paleontológicos fósseis do Brasil existem muitas controvérsias sobre ocorrências de saurídeos do gênero ptistus nos sítios paleontológicos de Atibaia e no Guarujá (OAS, 2013). No entanto, sobram evidencias de saurídeos do gênero tucanossauros em diversos pontos de Minas Gerais e de São Paulo (M. Odebrecht, comunicação pessoal). Escavações no metrô paulistano revelaram, ao menos parcialmente, alguns esconderijos fósseis ainda não suficientemente investigados (ALSTOM, 2012).
O ministériopublicus, com auxílio dos federalicus, predavam seletivamente os sáurios do gênero ptistus, que quase foram extintos ao final do período Carniano (Andar Pallociano). No entanto, na medida em que se achavam mais poderosos e dominando todo o ambiente, no período Ladiniano, os saurídeos da lavajatus se aproximavam dos dinossauros maiores e mais ferozes, tentando domina-los, o que acarretou sua extinção (Jucá, Atas do Congresso de Paleontologia Imaginária das Bahamas, 2016).
Existem evidências que os saurídeos do grupo lavajatus foram extintos no final do triássico. Os grandes dinossauros do gênero pmdbistus, acuados pelos federalicus e pelo ministeriopublicus finalmente reagiram (Jucá, op. cit.). Algumas espécies de federalicus foram privadas de recursos ambientais e se extinguiram já no período Temeriano. Os saurídeos do gênero tucanossaurus encontravam uma saída ambiental sofisticada através do mecanismo dos Sifões Transientes Facilitadores (STF), ficando facilmente fora do acesso dos animais do grupo lavajatus e continuaram se multiplicando (Mendes & Neves, 2016; Neves & Mendes, 2017; Fachin & Mello, 2017). O ministeriopublicus, também sofrendo em condições adversas, acabou por se extinguir ao fim do Triássico (Andar Wesleyano).
No entanto, o consumo exagerado de pastagens mesozoicas por parte dos grandes sáurios dos gêneros pmdbistus e tucanossauros e outras espécimes menores começou a afetar a totalidade do ambiente. O consumo indiscriminado de capins do gênero propina sp acabou por inviabilizar toda a fauna da região (Batista & Odebrecht, 2017a, b). Existem evidências de extinções maciças de diversas espécies de saurópodes em todo o Gondwana Meridional no início do Jurássico (Maia, em preparação). Nesta área do planeta, durante o Mesozoico, essa fauna toda não precisava de meteoros ou de extensos episódios de vulcanismo para se extinguir.

Arte: Julian Fagotti

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A CONTROVÉRSIA DO QQTACONTECENO


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

Para Marko Monteiro e Carolina Zabini
Depois da controvérsia do Antropoceno, uma nova e maior controvérsia acende os debates científicos da Paleontologia Imaginária. Assim, os debates sobre o período Antropoceno, sua delimitação temporal e mesmo a sua existência enquanto período geológico passaram a um segundo plano. O novo período proposto é o Qqtaconteceno (Crutzen, 2017).
Segundo Monteiro (2016) trata-se de um período além de controverso, perplexo. A sucessão normal das faunas e sua disputa no ecossistema planetário estariam se dando numa velocidade até então inaudita, complicando e fazendo modificar nossa compreensão da evolução planetária (Zabini, 2016).
No Qqtaconteceno, predominou amplamente sobre os demais o gênero feicebuquis. Havia o F. destrus e o F. sinistrus, que faziam grandes disputas em pontos nodais da rede (Ortellado, 1999). A arma destes grupos era uma enzima altamente tóxica chamada textão. O textão acumulava-se em grandes áreas, em geral inviabilizado a compreensão do que estava em disputa (Mainardi, 2013). Em geral, um grupo não entendia o que o outro dizia, e grandes toneladas deste material acumularam-se no registro sedimentar (Almeida, 1946).
Outros animais do gênero feicebuquis são os F. correntinus, que criava diversas correntes de bobagens que também marcaram o registro fóssil do Qqtaconteceno (Zuckerberg, 2012, 2013, 2015). O F. narcisistus era outra espécie característica, e mostrava com frequência as festas que frequentava, batizados, casamentos e fotos de crianças fofas (Kardashian, 2014) . Os mais estranhos, no entanto, são os F. abstinenticus, que se recusavam terminantemente a entrar. Dizia-se mesmo que tal espécie não existia, mas alguns exemplares foram achados juntamente com fosseis do gênero Instagranis (Favatto & Steinkpf, neste momento agora). Outro gênero característica deste período é o Tinderius sp, que tentava desesperadamente se acasalar, com resultados bastante duvidosos (Marquezine & Neymar Jr, 2014).
Mas não se trata somente do gênero feicebuquis, embora ele seja o predominante do período Qqtaconteceno. O gênero Tuitus também era muito comum (Safadão, 2015). Em geral os espécimes deste gênero eram similares aos do gênero Feicibuquis, porem mais curtos, com 140 vertebras (Porchat & Duvivier, 2012, 2013, 2016). Outra diferença qualitativa importante era que o Tuitus sp se organizavam segundo quais as espécies seguiam as outras, formando grandes aglomerados nos oceanos do Qqtaconteceno (Oparin, 1944).
Os registros também apontam mudanças ambientais causadas por grandes paquidermes como o Donaldus trumpicus do Qqtaconteceno da América do Norte. A princípio pouco representativas (1% do total), elas acabaram por tomar conta do registro no qqtaconteceno médio (Al Gore, 1999). A presença do D. trumpicus desorganizou os grandes sistemas evolutivos da região (Sanders & Clinton, 2015), determinando o avanço de espécimes predadoras mais antigas. A ligação do D. trumpicus com outros espécimes da Eurásia, como o Vladescus putinus da Russia conduziu a um retrocesso geral do registro paleontológico imaginário (Cameron, 2014).
No Brasil o Qqtaconteceno (Fora Temer, 2016) é fruto de um ambiente de estagnação paradoxalmente provocados pelos mamíferos do gênero Ministeriopublicus (Janot et al., 2014). Trata-se de uma espécie altamente seletiva, que preda somente os mamíferos esquerdos, deixando os mamíferos direitos livres para continuar predando (Calheiros & Jucá, 2016a, b). Os espécimes hoje dominantes, como os Patus amarelus e os Coxinhus raivosus são decorrência da perda de dominância de grandes espécimes do antropoceno recente como o gênero Ptistus sp. Na tentativa de extinguir as grandes espécies sindicalistas e populares não há certeza, mas há muita convicção (Dallagnol, 1933).
A perplexidade causada no Qqtaconteceno, no entanto, não é nova. Sócrates (apud Platão) já estava intrigado com o registro paleontológico da região de Qqtacontecenia, na Ásia Menor. Suas indagações sobre o Qqtaconteceno forneceram várias explicações que são utilizadas até hoje para entender o registro paleontológico imaginário. Na Alemanha, Karl Marx e Friedrich Hegel (Marx & Hegel, 1844) também propuseram explicações sobre o Qqtaconteceno, explicado como uma luta entre gêneros e ordens paleontológicas imaginárias.
Hoje há várias explicações sobre o Qqtaconteceno (Zizek, 2010; Bauman, 2011). No entanto, o registro paleontológico tem mostrado a consistente reentrada de mamíferos pleistocênicos e mesmo cretáceos nos ambientes modernos. Se o Antropoceno era um período contraditório, marcado pelas bruscas mudanças climáticas e ambientais, o Qqtaconteceno é um período onde a perplexidade faz parte do registro.
Há que se perguntar: tem algum meteoro disponível por aí?

domingo, 20 de novembro de 2016

HOMO DEBEM


(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)


Os homens de bem não constroem Impérios;
apenas lhes fornecem a argamassa.
Millôr Fernandes
Dentre todos os locais do Leste Africano onde foram encontrados resquícios de hominídeos fósseis, nenhum tem causado tanta polêmica quanto a Garganta de Olduvai, onde foram pela primeira vez encontrados os restos fósseis do homo debem. Segundo o arqueólogo Osborne Leakey, primo de Richard Leakey, o homo debem foi uma espécie representativa do Pleistoceno inferior de Olduvai (O. Leakey, 1959). Os principais jazigos fossilíferos, localizado nos estratos superiores, indicam sua ocorrência imediatamente após as Grandes Guerras Pleistocênicas (Marshall, 1946).
Algumas características iniciais mostravam tratar-se de uma espécie dominante, de comportamento bastante singular. Consumia com avidez os produtos líticos de seu tempo, e desfrutou de um período de grande irradiação, tendo alcançado a maioria dos locais habitados pelos hominídeos de seu tempo (McLuham, 1960).  
Segundo os principais trabalhos sobre o homo debem, a espécie era reconhecida por ser muito produtiva, produzindo artefatos líticos de consumo para a maioria dos hominídeos de período (Ford, 1927; Toyota & Ford, 1957; Toyota et al., 1988). Tinha um comportamento monogâmico restrito, e se acasalava com fêmeas recatadas e das cavernas (Fora Temer, 2016). Segundo alguns pesquisadores do período, o homo debem era uma espécie muito respeitada e temida em todo o leste africano (Magnoli, 2011).
Estudos mais recentes, porém, mostram que o comportamento do homo debem não é tão homogêneo quanto aparentemente se pensou (Foulcault, 1974). Os homo debem eram na verdade uma espécie bastante subordinada entre os demais grupos de hominídeos. A espécie verdadeiramente dominante eram os homo debens, que controlavam os grandes caminhos murados (wall streeets, em inglês). Os homo debens dominavam a produção dos homo debem e exploravam seu trabalho de produção de manufaturas líticas (Pikety, 2012).
Frequentemente, durante as crises provocadas pelo homo debens, os homo debem perdiam suas ferramentas e ficavam sem ter o que fazer, vagando pelas savanas e consumindo bebidas alcoólicas (Bukowsky, 1960). As fêmeas da espécie rebelavam-se continuamente contra sua dominação, e os lares chefiados somente por fêmeas da espécie chegou a representar metade dos locais de moradia ao fim do pleistoceno (Beauvoir, 1956).
Depois de duas grandes crises, datadas pelo Carbono 14 em 100.929 e 100.208 BP (antes do presente), os homo debem foram praticamente extintos (Soros & Buffet, 2008). No entanto, algumas espécies de hominídeos inadaptados para as mudanças daquele início de milênio, acabavam por associar os homo debem a posturas retrógradas e conservadoras (O. Carvalho, 2013). Espécies parasitas como o Coxinhus sp e o Australopithecus bolsonarius participavam de estranhas festividades com os corpos pintados de amarelo e orando para uma divindade aquática (O Grande Pato), tentando lembrar dos homo debem como um exemplo positivo de hominídeo (R. Azevedo et al., comunicação verbal, 2016).
Alguns pesquisadores, no entanto, levantam a hipóteses de que os homo debem jamais tenham de fato existido. Segundo estes pesquisadores, a lenda dos homo debem, pacíficos e corretos, foi inventada para que os demais hominídeos da região se submetessem mais pacificamente aos homo debens (Chomsky, 1980; Chomsky, 2010; Chomsky, 2014). A polêmica subsistiu durante vários anos, sem resultados satisfatórios (Villa, 2012; Villa, 2013; Villa, 2014; Villa, 2015).
O que se sabe é que após a provável extinção dos homo debem persistiram vários anos de disputas no leste africano, entre os lados direito e esquerdo do vale de Olduvai, sobre quem se apropriaria do material lítico produzido. Não se sabe exatamente o que resultou, mas a ampla proliferação de hienas e urubus na região pode ser indicativo de uma extinção generalizada de vários espécimes de hominídeos (O. Leakey, 1964).


quarta-feira, 20 de maio de 2015

HOMO LATTES

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)


Uma das mais impressionantes espécimes de hominídeos foi o homo lattes, que habitou as porções mais altas da garganta de Olduvai, na Tanzânia, onde foram achados seus restos.  Os exemplares desta espécie viviam em ambientes pares, evitando fortemente ambientes impares (FNDE, 1998). Seu principal habitat era a “Plataforma dos homo lattes”, uma região de relevo tabular raso pouco acima da entrada de Olduvai, nas cabeceiras do rio CNPQ, um dos formadores do lago MCT.
O homo lattes, neste ambiente meritocrático agreste e semidesértico, alimentava-se somente de pequenas comprovações e citações (CAPES, 2010), fato que limitava muito a irradiação da espécie. De fato, as ocorrências fósseis mais importantes se restringem aos pequenos “montes acadêmicos”, pequenas elevações próximas a cavernas onde as ocorrências de registros  da espécie eram mais abundantes.
Segundo Osbourne Leakey, primo do antropólogo Richard Leakey (O. Leakey, conferencia de abertura do 1º Congresso Brasileiro de Paleontologia Imaginária, Brasília, 1992), as ossadas de homo lattes apresentavam fortes indícios de problemas de coluna e ossos fracos, por trabalharem obsessivamente , quase sempre sentados escrevendo em cavernas mal ventiladas. Trabalhavam com artefatos bastante diversos dos demais primatas, tentando fazer artefatos estranhos e de pouca utilidade, como pontas de flecha sustentáveis e anzóis de osso que não capturavam adequadamente os peixes.  A cada tentativa, no entanto, anotavam tudo escrupulosamente nas cavernas da região.
Uma das mais famosas destas cavernas é a Curriculum Cave (INEP, 2007), onde estão preservadas as produções do homo lattes, como por exemplo as participações em Diretórios de Grupos ao Redor do Fogo, as orientações de trabalhos e participações em caçadas a manadas de antílopes e outros mamíferos. A maneira de escrever estas produções era bastante trabalhosa e consumidora de tempo, mas parece que havia algum sistema de recompensas para que se fizessem tais registros e os mantivessem atualizados. Percebe-se pelo registro paleontológico que muitos avanços foram realizados. Na Curriculum Cave 2, já no pleistoceno, por exemplo, já era possível identificar os co-autores e recuperar citações.
O Homo lattes tinha como predador os temíveis Burocraticus capensis (capes, 2011). Esta espécie de carnívoros, que habitava o Planalto Central logo acima da Plataforma dos homo lattes,  frequentemente exigiam dos homo lattes novas e mais elaboradas inscrições nas cavernas. O Burocraticus capensis também administrava um sólido sistema de recompensas com a distribuição de pequenas bolsas de couro de antílope, que era revisto trienalmente e que provocava grandes tribulações aos bandos (perdão! Diretórios de Grupos) de homo lattes (CAPES, op. cit). 

Não existem indícios seguros das causas da extinção do homo lattes. Uma das mais prováveis é a mudança climática na região dos montes acadêmicos ao final do Pleistoceno, com o fim da distribuição de bolsas pelos Burocraticus capensis. Outra provável causa é a competição com o homo sucupirus, que surge na região ao final deste período e que disputa avidamente com o homo lattes o controle da plataforma. Outros autores afirmam, no entanto, que o homo lattes se extinguiu porque não conseguia mais fazer nada sem colocar lá dentro da caverna. Nem festa da firma nem aniversário de criança, tudo era colocado lá na plataforma do homo lattes. A falta de espaço num ambiente tão exíguo provocou a extinção da espécie antes do fim do pleistoceno. 
No entanto, resta a questão: com os homo lattes extintos,  quem ficou atualizando a plataforma? 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

SARTREANUS CASTORIANIS

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)


Uma das espécies mais características do pós-guerra mesozóico foram os galináceos da família dos Sartreanus (Christos & Leboriaux, 1946, Congresso de Paleontologia Imaginaria de Potsdam). Essa espécie era muito ruidosa, e em geral preferia a vida em pequenos nichos ecológicos bem especializados, como os cafés do plioceno da bacia de Paris (Lefort, 1958).
Animal muito inteligente, logo ocupou rapidamente seu espaço, questionando com vigor o status quo anterior. Tinham asas bastante desenvolvidas para galináceos do seu porte, e pulavam as cercas com frequência. Costumavam ter mais de um parceiro, embora fossem fiéis a somente um deles. Nestes casos, os Sartreanus sp iam esclarecer estas relações exogâmicas em romances autobiográficos os quais, infelizmente, não foram preservados no registro paleontológico (Le Bom, 1991).

Durante o período máximo de especiação, espalharam-se por quase todos os ecótones, com sua essência sempre precedendo a existência. Explicavam essas e outras postulações tanto em tratados filosóficos quanto em romances de formação pleistocênicos, dos quais restam muitos poucos vestígios (Zizou, 2006). Depois de um grande período de radiação adaptativa, alguns ramos tiveram algum sucesso evolutivo parcial, como o chiquitos baccanus, descritos no holoceno da ilha de Martinica (Braguinha, 1950; Veloso, 1968). Os demais foram paulatinamente se extinguindo, abandonando ruidosamente seus postulados filosóficos anteriores. Como postulado por Zizou (op.cit), a desistência antecede a extinção.  

quarta-feira, 8 de abril de 2015

HOMO INABILIS

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

O homo inabilis foi uma das espécies de hominídeos mais estranhas que surgiram nas savanas africanas durante o Plio-Pleistoceno. Tinham um cérebro altamente desenvolvido, e parecia-se com os homo erectus mais evoluídos. Mas os homo inabilis se constituíram numa verdadeira catástrofe em termos ecológicos. Eram muito distraídos e provocavam confusões muito grandes entre os primatas de sua era. Bandos de caçadores compostos por homo inabilis estragaram muitas caçadas de outras espécies de hominídeos, em geral porque faziam barulho fora de hora, atravessavam o meio da tocaia, ou atraiam acidentalmente bandos de tigres de dentes de sabre para o interior de agrupamentos de hominídeos desprotegidos. Julga-se que muitas espécies de hominídeos foram acidentalmente extintas quando, durante as caçadas, os homo inabilis perdiam o controle sobre as manadas de elefantes que tentavam capturar.
O antropólogo Osborne Leakey, primo do famoso descobridor dos pitecantropus e australopithecus, sir Richard Leakey, foi o principal estudioso dos homo inabilis. Em seu trabalho mais importante (O. Leakey, 1958), com o surgimento dos homo inabilis, muitas espécimes de primatas acabaram se extinguindo. Evidências antropológicas encontradas em camadas do plioceno africano descobertas por Leakey (op. cit.), registram a extinção de espécimes e grandes incêndios florestais em todo o leste africano.
 Os indícios levantados por Osborne Leakey parecem indicar que foram os homo inabilis os primeiros hominídeos a domesticarem o fogo. Isto quando pararam de se queimar e de provocar devastadores incêndios pelas savanas, que acabavam com ecossistemas inteiros. Estima-se que, isoladamente, os homo inabilis foram de longe a espécie que mais alterou os ecossistemas pleistocênicos, de uma maneira até então nunca antes vista.
Em geral, os homo inabilis tinham boas idéias, mas nunca eles as colocavam completamente em prática. Quando colocavam, era de forma tosca e imperfeita, logo dirigindo seus esforços para outras atividades e deixando aquelas idéias de lado. E assim por diante. Aperfeiçoaram o fabrico de utensílios, com novas técnicas de lascamento de pedras e outros artefatos líticos. Os espécimes que se dedicavam a estas tarefas sempre apresentavam escoriações advindas do trabalho de fabricação: dedos quebrados ou mutilados, pés cortados. Não foi por acaso que são invenção dos homo inabilis os primeiros - e toscos - curativos até hoje encontrados (Leakey, op.cit).
Ainda segundo o monumental tratado de Osborne Leakey, infelizmente desaparecido e somente encontrado em fragmentos preservados pelo fogo, pode-se supor que os homo inabilis acompanharam os homo sapiens na sua peregrinação rumo a Europa e Ásia.

A grande questão que se coloca (Pereira & Schroeder, 1988, atas do congresso de Paleontologia Imaginária de Vina del Mar) é se os homo inabilis se extinguiram completamente ou se ainda se encontram, isoladamente, entre os grupos atuais de homo sapiens. O próprio Osborne Leakey nunca conseguiu responder de maneira definitiva essa questão. Socorro!!

segunda-feira, 23 de março de 2015

FASCISTUS sp

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)


O fascistus foi um gênero de vermes muito comuns no início do Cenozóico. Existem indícios de uma ampla especiação em escala planetária, com registros fósseis mais importantes no eoceno da Itália (fascistus sp) e posteriormente uma espécie mais virulenta no oligoceno alemão (fascistus nazionalsozialistus). Existem registros que o fascistus, proliferando-se a partir das cervejarias de Munique, tornou-se a espécie dominante no mioceno alemão, também com registros um pouco posteriores na Espanha (f. francus) e Portugal (f. salazaristus), entre outros.
O fascistus era uma espécie muito agressiva, ameaçando seriamente o espaço vital de outras espécies importantes em diversos ecótones, às vezes assumindo o papel de exterminação em massa (Mengele & Eichmann, 1943). Particularmente ferrenha foi a disputa de espaço entre os fascistus sp e o sinistrus sp (ver sinistrus) em varias partes do planeta durante o plioceno (Molotov & Ribentropp, 1939).  Alguns roedores do mioceno da Inglaterra (Liberalistus anglicensis) também foram competidores do fascistus (Chamberlain & Churchill, 1940). Um pouco mais tardio, o mamífero Roosevelticus newdealorumdo mioceno e plioceno da America do norte também foi um importante competidor do fascistus, apesar de suas notórias dificuldades de locomoção dos membros inferiores (Eisenhower et alii, 1941, atas do Congresso de Palentologia Imaginária de Pearl Harbour). A conjunção destes diversos competidores, assim como a falta de alimentos e combustíveis em seu próprio habitat levou à extinção violenta da maioria das espécies de fascistus ao fim do pleistoceno (cf. atas do Congresso de Paleontologia Imaginária de Nuremberg, 1946). Entretanto, algumas espécies isoladas de fascistus sobreviveram e chegam até os dias de hoje, embora muito insignificantes na moderna cadeia alimentar  (Olavo de Carvalho, com oral, 2014).
Na America do Sul tivemos duas épocas de irradiação do fascistus. Antes do Plioceno, tivemos alguns espécimes de platielmintes que mimetizavam o fascistus, adquirindo alguns de seus hábitos, como o Salgatum integralis do Brasil e o peronius fascistus da Argentina. O Salgatum integralis, de coloração verde, era praticamente inofensivo, embora tivesse língua ferina (Lacerda, 1954; Quadros, 1961). Já o peronius foi mais importante, e derivou para outros espécimes com características bem distintas da original, embora ainda pertencentes ao gênero peronius, como o p. montonerus, o p. menemistus e, atualmente, o peronius kirchnerii (Borges & Casares, Imaginary Paleontology review, Special Issue, 1988).
O fascistus, principalmente da subespécie milicum, reintroduziu-se tardiamente na America do Sul a partir de locais na America do Norte depois do fim do plioceno (McCarty, 1953; Nixon, 1968, atas do Congresso de Paleontologia Imaginária da Filadélfia).  Instalando-se em diversos ambientes diferentes e, sem competidores naturais à altura, o fascistus dominou o continente sul-americano durante o pleistoceno inferior. Foram particularmente importantes of. mediciis e o f. videlius, no Brasil e na Argentina respectivamente (cf. Costa e Silva, 1968; Galtieri & Massera, 1975, Imaginary Paleontology Review). Uma das espécies mais resistentes, o fascistus milicum pinochetieri, do pleistoceno chileno, foi particularmente letal, tendo alguns espécimes sobrevivido até perto do presente (Bachelet & Frei, 1991, atas do Congresso de Paleontologia Imaginária de Viña Del Mar). Apesar de ter sido julgado extinto ou controlado, ainda temos muitos casos de contaminação por fascistus em diversas partes do mundo (Sarkozy & Le Pen, 2002; Berlusconi, 2005; Índio do Brasil et alii, 2010). Mais recentemente, descobriu-se tratar não de vermes do fascistus típico, mas espécies de piolhos que provocam uma sarna e dão arrepios ao coçar feridas antigas e já cicatrizadas, como o milicus depijamus e o filhotis dictaturii (Kataguiri & Harakiri, 2015), deixando os organismos de saúde sob alerta. Xô, fascistus!!

 (NE - Por vezes, o fascistus pode infestar as aves da família dos ramphastidae. De quatro em quatro anos, quando trocam as penas sob a influência da infestação genérica de fascistus, estas aves perdem as penas e, completamente calvas, emitem um canto triste, retrógrado mesmo [R. Azevedo, comunicação verbal]. Quem já ouviu confirma que é muito triste aquele cantochão vindo de aves de tão bela plumagem).

PS - Neste breve post não nos referimos a especies ainda vivos, só os já devidamente extintos. Mas, na Paleontologia, mesmo na Paleontologia Imaginária, tudo é uma questão de tempo...

sexta-feira, 6 de março de 2015

BOSSANOVUS

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

O bossanovus sp foi uma dos gêneros fósseis mais representativos do cretáceo brasileiro. Tiveram uma rápida especiação e distribuição em escala planetária, tendo desaparecido ao final do período. Foram encontrados grandes exemplares fósseis de Bossanovus em toda a zona sul do Rio de Janeiro, que era o principal reduto da espécie. O Bossanovus foi produto das camadas médias do cretáceo carioca, tendo sido o genial resultado do cruzamento do sambistus sp dos morros cariocas com algumas espécies mais instrumentalizadas da zona sul, durante o triássico (Lyra, 1961).
Um dos maiores exemplares encontrados é o do antonius brasileirus, também conhecido pelo nome indígena de “jobim-açu”. Foram encontrados diversos exemplares que atestam a grandeza da espécie, como o “puella ipanemorum”, fóssil-tipo do plio-pleistoceno carioca (Bôscoli, 1962). Outros exemplares importantes foram o “Redentorii sp”, encontrado no sopé do morro homônimo, assim como outros dispersos em avalanches e soterrados pelas águas de março (Cesar Camargo Mariano, comunicação pessoal, 1972).
Outro espécime importante foi o joaogilbertus. Apesar de ser monocórdico e desafinado, o joaogilbertus também tinha um coração. Era um espécime sensível, e se retirava do ambiente à menor dissonância, o que acabou levando à sua extinção. Intratável e inaudível, mesmo assim o joaogilbertus teve grande difusão entre os outros bossanovus.
O vinicius demoralis foi outra espécie característica do gênero bossanovus. Tinha uma boa associação com o antonius brasileirus, com a reprodução de inúmeras peças importantes do gênero bossanovus. Mais tarde, também se associou com o badenpowell afrossambus e, já próximo da extinção, com o toquinhus sp. O vinicius demoralis era uma espécime apaixonada, e antes com tal zelo e sempre e tanto, que teve muitos acasalamentos assinalados no registro paleontológico. Alimentava-se do canis engarrafadus, espécime produzida na Escócia e envelhecida 12 anos em barris de carvalho, o que pode ter provocado, segundo alguns autores, a extinção do vinicius sp já durante o plioceno.
Já no jurássico foram descritos alguns exemplares do gênero bossanovus no sitio fóssil do Beco das Garrafas (ver Johnny Alf  et alii, 1959, “Grandes Sítios Paleontológicos Imaginários Fosseis Do Brasil”, volume III). Nesta área apresentavam-se diversos fosseis em pequenos espaços noturnos. Entretanto, tinham o hábito de sair em manhãs de luz e à tardinha, para observar barquinhos e patinhos. Em geral, o bossanovus tinha repulsa por se alimentar de ramos de tinhorão (tinhoramus sp), que provocavam nojo e urticária, principalmente no antonius brasileirus.
A difusão do gênero bossanovus foi muito rápida, tendo alcançado algumas regiões da America do norte, onde foram encontrados no sitio paleontológico imaginário de Carneggie Hall e também na Europa, como na região de Montreux (Getz & Sinatra, Imaginary paleontology review, 1980).
O gênero bossanovus foi muito importante na difusão de outros espécimes mais recentes do gênero mpbistus. Porem, depois de certo tempo, não houve mais renovação, e o bossanovus foi somente se repetindo.  Com a extinção dos espécimes maiores, subsistiram somente alguns exemplares menores, um banquinho e um violão. A repetição exaustiva dos espécimes consagrados não surtiu efeito de produzir alguma modificação no paleoambiente que levasse a novos gêneros modernos. Por fim, exausto e sem criatividade, o último bossanovus se extinguiu completamente ao final do cretáceo. Chega de saudade.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

MUTATIS MUTANDIS

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)
Dentre os numerosos espécimes de cordados que temos analisado do ponto de vista da Paleontologia Imaginaria, o Mutatis mutandis é uma das mais interessantes pelos desdobramentos de seu estudo. Trata-se de uma espécie de peixes que vivia mudando de um ecótone para outro, com uma intensa atividade que durou praticamente todo o Fanerozóico. Segundo Granero (1968, 2014), essas mudanças eram eventos especiais, que envolviam diversas e distintas etapas de desenvolvimento, e envolviam quase todo o ambiente nos quais estavam inseridos, incluindo diversas outros espécimes.
O Mutatis sp mudava-se primeiramente guardando objetos e utensílios em compartimentos na forma de caixas e sacos, amontoando esses objetos ao redor de seu ninho. Era grande a quantidade de objetos descartados neste processo (Giulian & Granero, atas do congresso de paleontologia de Feira de Santana, 1999, pag 201-235). Estes autores calculam a quantidade de materiais descartados em 30% do total de objetos do Mutatis mutandi.
No transporte dos objetos, era requerida a presença de animais do gênero Descuidadus sp, sempre presentes em grandes quantidades nesses eventos. O Descuidadus colocava os objetos de qualquer jeito nos transportes, em geral quebrando espelhos, vasos caros, quebravam plantas, esqueciam porcas e parafusos, riscavam as paredes, trocavam caixas e outros comportamentos bem reconhecidos no registro paleontológico, aumentando o descarte de objetos ao fim da segunda fase da mudança (Luisão Mudanças et al., atas do congresso de paleontologia imaginaria de Apucarana, 1994, pag 307-428).
Muitos destes também se extinguem durante estes episódios de mudança dos mutatis mutandis. Estas situações de extinções em massa podem atingir escala mundial. Durante o transporte, verifica-se que numerosas outras espécimes também se mudam, como os canídeos Caidus caminhonis e muitos outros seres, como roedores, plantas e insetos. Hoje se acredita que a extinção em massa do fim do Cretáceo foi causada por uma mudança domiciliar na região de Chichxlub, no Iucatã. Essa problemática foi tratada, entre outros, por Manuel Joaquim, em seu trabalho seminal intitulado “o Mundo Gira e a Lusitana Roda”, (Éditions du Chémin, 1956).
Os modernos estudiosos do tema não têm duvidas sobre o papel do Mutatis mutandis nas grandes extinções em massa do registro paleontológico. Para Granero (1995) três episódios de mudança do mutatis mutandis equivalem a um incêndio de grandes proporções, destruindo praticamente todo o meio. Por outro lado, Luisão Mudanças (2013) pondera que mudanças de pequenas proporções também podem acarretar danos ambientais profundos, principalmente se estiver relacionado com o Descuidadus sp.
No entanto, a irregularidade do registro paleontológico em escala planetária não garante que estejamos, ainda hoje, imunes a tais catástrofes (Fink, 2008, Atas do Congresso de Paleontologia Imaginária de Johanesburgo, p425-456). O mutatis mutandis deve ter sido extinto no final do Paleoceno, em meio à fase interglaciar Mindel (Fink, op. cit.). No entanto, alguns especialistas garantem que mais mudanças vêm por aí. Reservem muitas caixas de papelão, comprem uma boa fita adesiva e Salve-se quem puder.