quarta-feira, 12 de junho de 2013

FOTO AÉREA DE 1952!!


Assim era a Deitada-a-beira-do-mar em 1952, ou seja, há 61 anos atrás...
Por um lado, pode se ver a intensa atividade comercial, com navios no trapiche, no Matarazzo e diversos atracadouros ainda funcionando. por outro, vejam o canal que passa na frente da cidade e que tem uma cor mais escura. É muito diferente do canal que vemos hoje, com cores mais claras, mostrando uma quantidade maior de sedimento em suspensão, ou seja, mais material para assorear a baía mais bonita do mundo. Impactos da Capivari-Cachoeira, que foi inaugurada nos anos 70 como um inequívoco sinal de progresso para a terra de Tube e Valle Porto. 
Observe-se que o Batel ainda não estava formado direito, as casas estavam todas ao longo da avenida. O Tucunduva ainda menos, assim como o Portinho e as Graciosas. 
Como um bom contraponto ao dias atuais, o morro era mais devastado antes - veja-se o Bom Brinquedo e o Morro do Salgado, que tinham menos vegetação que hoje. Se o progresso tivesse continuado, a cidade hoje talvez teria muito menos verde e muito mais áreas de risco a escorregamentos. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

ANTONINA NA FINLÂNDIA


Na semana passada, mais exatamente na última quinta-feira, minha colega Luci Hidalgo Nunes, professora aqui do IG-UNICAMP, apresentou em Helsinque  na Finlândia, na 7ª Conferencia Europeia sobre Tempestades Extremas, um trabalho nosso tentando entender o que aconteceu na Deitada-a-beira-do-mar naquela semana de março de 2011, que tanto desassossego nos trouxe. Ainda não temos muita ideia, mas ela, que é uma das climatólogas mais respeitadas deste país, acha que podemos descobrir porque choveu tanto naqueles dias. 
Lá no encontro, que é um dos maiores eventos mundiais sobre tempestades extremas, muitos cobrões da meteorologia mundial  ficaram assustados, segundo Luci me contou, com a quantidade de água que caiu, muito altos para qualquer padrão mundial que se veja. Os resultados da pesquisa que estamos iniciando podem servir, no futuro, para que os meteorologistas consigam detectar estes movimentos da atmosfera a tempo, para poder avisar a Defesa Civil e fazer com que a população consiga se prevenir e diminuir a vulnerabilidade a estes eventos extremos. 
a Ciência a serviço da Capela...

(O único senão é que eu não consegui ir pra Finlândia e fazer com antecipação meu pedido pra Papai Noel; mas não hão de faltar oportunidades...)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

CHAPÉU DO FEITICEIRO

As nuvens no alto do Morro do Feiticeiro, na tarde preguiçosa da segunda feira passada; vistO de cima, bonito igual!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

AMOR, BELEZA, INSPIRAÇÃO

A baía mais bonita do mundo, vista do céu na tarde preguiçosa da última segunda -feira....

Passei um domingo preguiçoso na Deitada-a-beira-do-mar, em companhia de meus familiares. No finalzinho da tarde, quando os bares fecham e os trabalhadores dão sua sagrada e necessária  sonequinha de domingo, resolvi dar uma voltinha pela minha cidade natal.
Vi que o mato já está cobrindo grande parte das cicatrizes do 11 de março, como era de se esperar. O mato não espera pelo homem, ainda mais num clima quente e chuvoso como o da terrinha. Infelizmente, deu pra ver que pouca coisa se avançou além da pura e simples desocupação de algumas áreas mais atingidas.
Dei uma volta pelo portinho, onde se vê poucas marcas da tragédia. Alias, as marcas ali foram realmente bem poucas. O problema no 11 de março por ali foram os escorregamentos e as cicatrizes que se abriram no solo morro acima, que indicavam o risco de serem retomados vertente abaixo, aí sim atingindo casas e pessoas. Hoje se vê algumas velhas casas de madeira sendo demolidas e as casas de material vão muito bem, obrigado.
Lá longe, a vista da baia era muito bonita. Uma maré vazia daquelas de fazer as aguas se espelharem. Os morros lá atrás, os barcos e casas, tudo foi se construindo, na maravilhosa luz de uma beleza atroz, como a baia de Antonina sabe ser. Sim, a beleza pode ser atroz, assim como a feiura pode ser cândida. Cândidos são alguns quintais do Portinho e da Graciosa, alguns malcuidados, com lixo, restos de construção, denotando certa falta de asseio. Outros, ao contrário, até com o chão varrido, roupas obedientes tentando secar ao friozinho e à maresia daquela tarde de domingo um tanto fria.
Na segunda feira, indo embora de ônibus, senti a crueldade da minha terra.  Havia uma maré cheia estúpida de tão bonita, como me dizendo: “deixa disso, não vai não, fica por aqui sentindo o vento na cara e ouvindo o barulho das garças e gaivotas, a vida não pode ser melhor que isso”. Pior que era verdade, nada podia superar aquela beleza. Cruel ir embora assim, deixando tanta boniteza pra trás.
Mas fui. Nem fotografar quis, pra só ficar com a imagem na memória.
Já no avião, vi que minha terra continuava a me aprontar. Quando o jato fez a volta pra seguir sua rota, passou por cima da baia no instante do por do sol, ali pelas cinco horas. O reflexo do sol baixo, nas águas da baía de Antonina, deixaram-na dourada, com a silhueta da terra firme e das ilhas marcando seu contorno. Parecia uma imensa cornucópia, aquelas conchas espiraladas da mitologia, do interior da qual brotavam alimentos e bebidas sem cessar. Depois, o avião mergulhou nas nuvens e nada mais vi.
Aqui onde estou, de volta às obrigações, me impus voltar a escrever no blog. Este andava sumido, sem tempo nem paciência. Meus leitores que me perdoem, mas dei uma cansada. A blogosfera capelista anda meio chata e repetitiva, mas sei que parte disso – a que me cabe – é culpa minha, só minha.
Vamos lá. Que a beleza da Deitada-a-beira-do-mar nos sirva de guia e inspiração. 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

FAZEMOS QUALQUER NEGOCIO!!


P.S. -mas só pra quem acredita!!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

REBELIÃO EM ANTONINA!

Batuque na cozinha, sinhá não qué!

Em 15 de janeiro de 1859, o suplente de delegado Joaquim Leite Mendes estava desesperado com as notícias que estava recebendo. Com o olhar preocupado, tirou o chapéu e deu uma olhada pela janela. Lá fora, um semelhante dum calor, ele via os urubus pousados no telhado de asas abertas, depois da chuva que recém caíra e esperando a chuva que ia cair mais tarde. O morro do Feiticeiro estava semi-encoberto por uma nuvem fina. O ar estava abafado, mormacento.
Leite Mendes preocupava-se, pois o delegado Alves d’Araújo estava em viagem para a Vila do Príncipe [hoje Castro]. Que fazer? Depois de raciocinar olhando os telhados pela janela, tomou sua decisão. Pegou uma folha de papel, a pena e a tinta, sentou-se à mesa e, com sua fina caligrafia, começou a redigir um ofício endereçado ao governador da província, Francisco Liberato de Matos: “ontem estava este Município de Antonina  exposto a uma próxima sublevação de escravos sob protesto de sua liberdade geral que lhes foi conferida mas que foi negada por pessoa suspeita da cidade”.
Sim, a cidade de Antonina estava na iminência de uma sublevação de escravos! Como se daria isso? Leite Mendes tomou da pena e voltou a escrever: “servindo-se eles de dois grandes bailes denominados congadas que há muito tempo fazem todas as noites nesta cidade a pretexto de ensaio para sua festa de São Benedito”, explicou ele ao governador em sua caligrafia redonda. O tal do levante “terá lugar segundo consta no dia 20 deste mês, para por esse meio de reunião transmitiram essa notícia a escravatura dos sítios e consequentemente preparavam-se para o fim do sinistro plano”, explicou Leite Mendes.
Era o meio da tarde. Mas que fazer? A carta tinha que ir á Curitiba ainda aquele dia. Leite Mendes procurou um dos tropeiros de sua confiança, que estava com os cavalos amarrados ali no campo, perto da matriz. Sim, o tropeiro garantiu, um deles iria a Curitiba dentro de pouco tempo. Ia dormir em algum lugar da serra, mas antes do meio dia estaria chegando a Curitiba. Leite Mendes entregou-lhe a carta endereçada ao Governador e voltou pra casa, mais aliviado. Tinha cumprido sua missão.
Durante os dias que se seguiram, Curitiba e o litoral viveram momentos de angustia. As autoridades estavam simplesmente apavoradas com a possibilidade de um levante escravo em Antonina. Cartas foram endereçadas para Morretes e Paranaguá, prevenindo os senhores de escravos antes que a fagulha da revolta se espalhasse. O medo tomou conta das casas, e nem as tempestades de verão no final do dia davam algum alento aos patrões.
O governador mandou reforço policial para Antonina, enviando o Capitão Manoel Eufrásio de Assumpção e mais quatro soldados. Estes deveriam arregimentar os soldados disponíveis em Porto de Cima e Morretes. Assim reforçados, a brava tropa policial entraria em poucos dias numa Antonina em polvorosa, assustada com a possibilidade de um levante de escravos.
O próprio delegado Alves d´Araújo, no dia 19 de janeiro, quando retornou de sua viagem foi, ele mesmo, interpelado por alguns pretos mais desaforados. Estes exigiam que ele lhes desse a liberdade a que eles, os pretos, já tinham direito. Alves d´Araújo, é claro, não sabia de nenhuma alforria. “Mas tem sim”, disseram-lhe os pretos. Segundo os escravos, havia uma ordem de libertação geral direta da Coroa, e ele, Alves d`Araújo, estava, por interesses escusos e perversos, negando a eles conhecer a verdade. Havia, inclusive, um navio inglês chegando ao porto para protegê-los e fazer os senhores aplicar a lei.
Como diríamos hoje: que surrealista! Como diriam os antigos, que maçada!! Haverá então uma revolta escrava em Antonina? O que acontecerá?
(segue)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SAIVÁ



Ao Dr Bernardo Vianna

Hoje ao fitar-te, ó velho campanário
D´hera coberto, triste, abandonado,
A minha alma levanta-te o sudário,
E chorando, relembra esse passado!

Hontem festivo e todo engalanado,
Eras dos crentes meigo relicário,
E teus sinos num doce modulado
Povo chamava para o santuário!

Eu era como tu, feliz, ditoso!
Mas, bem cedo, finou-se tanto goso,
Que banhava em doce alacridade.

Meu coração é templo de amargura,
Onde tange o sineiro Desventura
O carrilhão da magua e da saudade!

Thiago Peixoto, poeta antoninense (1876-1921) (mais, ver aqui)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

OS BAGRES E A EDUCAÇÃO


Durante minha convalescença, acompanhei com interesse a polemica sobre a questão da Educação na Deitada-a-beira-do-mar. Ao que tudo indica, os ânimos ferveram na terrinha, ao sabor das paixões que despertaram algumas nomeações de João D´Homero na Secretaria da Educação. A minissérie de Márcio Balera (aqui) com a "dupla dinâmica" da Educação, pela inspiração e pelo humor certeiros, lembrou os tempos de ouro do nosso sempre querido “Bacucu com Farinha”.
Educação, todos nós sabemos, é importantíssima. Também sabemos que  a qualidade de nosso ensino foi jogada lá no fundo do poço pelo descaso com que o ensino é tratado pelos sucessivos governos. Todos se incluem nessa conta: federal, estadual, municipal. Infelizmente, ensino de qualidade não dá votos. O brasileiro médio tem outras prioridades. Os governantes também. E tudo se ajeita na mediocridade que vemos por aí.
Só que hoje, a educação (ou a falta de) tornou-se um gargalo para o próprio crescimento do país. Sem mão-de-obra especializada, não tem como ter industrias mais tecnológicas e de ponta. Não tem como ter serviços decentes. Não basta mais saber “mal-e-mal” escrever e fazer as quatro operações. Temos um atraso de décadas em qualificação profissional.
Mas não é impossível resolver. Países como a Coreia do Sul,por exemplo,  com uma população e uma economia compatíveis com a brasileira, deu um salto gigantesco na área do ensino e é hoje uma nação de ponta no mundo. Conheci alguns educadores coreanos estes tempos. Gente séria, comprometida, e que se assustou com nossa realidade e nossos números ridículos.
 Por isso, acredito que a contratação dos secretários “estrangeiros” foi uma cartada de João D´Homero em busca de uma reviravolta no ensino, de uma arejada na secretaria. Intenções boas numa área que nunca foi levada muito à sério. No entanto, o caldo desandou. Por quê?
Não tenho condições de afirmar daqui, mas pelo que li nos blogs a atuação dos secretários não foi politica, e compraram rapidamente muitas brigas corporativas. A coisa ficou insustentável e, ao fim, tudo voltou atrás. Com a nomeação da nova secretária, Lucicléia Lopes, a prefeitura dá uma nova largada na corrida do ensino.
Conheço Lucicléia de infância. E desejo a ela toda a sorte do mundo nessa empreitada. É preciso destravar o ensino, melhorar a carreira do magistério para atrair pessoas qualificadas para esta área. É preciso ter métodos inovadores de ensino, é preciso tanta coisa... A nova secretária, sendo professora, com certeza tem uma boa noção destes problemas e saberá dar conta de sua nada fácil tarefa.
Por outro lado, no calor dos debates, vi muitos comentários pedindo soluções “caseiras” para a crise, ou seja, que os auxiliares da prefeitura fossem somente capelistas da gema. Bobagem ou má intenção. Antonina no passado foi grande porque soube receber pessoas de fora, principalmente as competentes e talentosas. Temos que deixar a inveja provinciana de lado se quisermos um futuro, qualquer futuro.
A única coisa a cuidar com políticas atração de cérebros  é fazer com que se atraiam pessoas que, realmente inteligentes, não cheguem botando banca, com posturas arrogantes e autoritárias. Isso já tem demais, está lotado, pra gente ignorante e boçal não tem vaga mesmo. Precisamos sim (o Brasil e Antonina) de mais e melhores cérebros. Na falta de “genteware” com pé no lodo, temos sim que nos valer de competências de além do rio Sapitanduva, por que não? Nossas crianças agradecem. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

ESSE CARA SOU EU

Eu mesmo por dentro, em imagens tomográficas; e mais não digo, por pudor  de tão íntima visão...


Lá se foi o mês de março. Mês grande, imenso como Minas, longo pra atravessar como congestionamento pra praia em dia de feriadão. E eu aqui, em recuperação depois do acidente e de uma cirurgia e da fisioterapia para meu cotovelo esquerdo.
Antes que me perguntem: estava numa trilha em Minas Gerais, num trabalho de campo com os alunos. Achamos uma cachoeirinha, pequenininha e bonitinha. Tinha até um arco-íris nela, a sacana da cachoeira. Comecei a andar ao redor dela por entre as pedras procurando boas amostras do tal do quartzito que estávamos mapeando e, zás! Num átimo, como se diz na má literatura, escorreguei e caí. Um limozinho de nada em cima da pedra, que nem musgo tinha. Cai de cara na pedra feito uma bola de tênis jogada no chão.
Ainda tive que, sangrando pelo nariz, e com a ajuda dos alunos, caminhar uns 2 quilômetros para fora da trilha, ainda meio tonto e com muita dor. Chegamos à estrada, onde meus colegas nos buscaram de Kombi. Fui pro hospital, mas o pobre hospital da pobre cidadezinha de Carrancas não podia fazer melhor do que fez: me deram uma injeção de um analgésico forte e me mandaram procurar meu caminho.
Voltei pra Campinas, onde fomos pro HC da Unicamp. Depois de horas ali, esperando os residentes passando e vendo os horrores de um pronto-socorro numa sexta feira à noite, fui atendido pelo Dr. Alberto Terrível e pelo Dr. Antônio Lembrança. É verdade! Era o nome dos dois residentes que me atenderam! Diagnóstico: “fratura cominutiva da cabeça do rádio com extensão intra-articular” e “fratura na maxila esquerda e órbita esquerda”.
Depois de uma semana em casa com tala no braço e gelo na cara o tempo todo, fui fazer a tal da “plástica”. Ir pra cirurgia numa maca, olhando as luzes do teto passando por você parece cena de filme. De terror. Quando os médicos disseram que iam cortar na altura do olho, eu olhei pra eles com cara de “tenham piedade” e pedi anestesia dupla, sem gelo. Acordei meio zonzo, e zonzo recebi alta. Foi um alivio ficar longe do hospital.
No começo, eu não existia: era uma cara inchada e disforme, um olho lá no fundo, pequenininho e vermelho, fios de pontos de operação dentro da boca, nos olhos, o diabo. Remédios, remédios, remédios. Minha boca ficava com aquele gosto de pílula de remédio que enrosca  na garganta e nem um nem dois copos d´água conseguem faze-la descer.
No imediato pós-operatório, era tudo muito ruim. Não conseguia fazer nada, nem ler meu jornalzinho de manhã. Comida pastosa. Remédios, remédio, remédio. Hoje, o olho já desinchou, os pontos do olho foram retirados, os de dentro da boca caíram. Tirei a tala do braço e faço fisioterapia uma vez por dia, e ainda tenho bateladas de médicos pra visitar. Essa tem sido minha rotina no ultimo mês.
Ontem, só ontem , vi as imagens da tomografia que fiz, ainda na emergência do HC. Fiquei um tempo olhando praquela caveira até ter consciência de que aquela caveira era eu. Sou eu! Foi um momento meio hamletiano, mas com minha própria caveira: ser ou não ser? Confesso que é muito difícil olhar de frente pra sua própria caveira, ainda mais sabendo que estou melhorando, em breve saio da licença médica e volto para minha vida normal. Inclusive pra voltar a fazer trabalho de campo e tomar banho de cachoeira.
Mas a imagem da caveira está ali, a danada, a me dizer que vou ter muita coisa pra pensar na hora em que voltar ao meu trabalho e ter que pular as (muitas) pedras que tem no meio do meu caminho. Agora, com uma placa de titânio-carbono na cara pra me lembrar que tenho que tomar mais cuidado com quartzitos com limo.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

ANTONINA EM ABRIL!


01/04/1917    Inaugurado o Moinho Matarazzo

03/04/1873    Criada a Comarca de Antonina e Morretes

04/04/1934    Fundado o Club Ypiranga

17/04/1958    Inaugurado o prédio da Capitania dos Portos

20/04/1900    Falecia, na Lapa, o Padre Pinto (Francisco da Costa Pinto)

22/04/1888   Falecia, em Palmeira, o Comendador Antônio Alves Araújo (político, industrial, duas vezes presidente da província)

26/04/1935   Falecia, em Curitiba, Teófilo Soares Gomes

28/04/1914   Nascia, em Penedo-AL, Aguinaldo Vieira da Silva (Profeta) 

(elaboração:Celso Meira)


PS - devagar, ainda  sob cuidados médicos, estou     voltando ....

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

QUEBREI A CARA!

Caros amigos:

Sofri um acidente em minha ultima viagem de campo. Quebrei literalmente a cara. Acabei fraturando um braço e afundei o osso do rosto. Devo passar por uma cirurgia reparadora semana que vem. Mas, fora o incomodo, tudo está bem. Assim que der volto a postar minhas algaravias.

Abraços a todos

Jeff

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

REPENSANDO A ÉPICA JORNADA


Na nossa querida Deitada-a-beira-do-mar, muito tem se dito e escrito sobre a épica jornada dos escoteiros capelistas ao Rio em 1941. Uns tempos atrás, andando ali pela  antiga caserna, uns meninos de uns oito ou nove anos vieram me contar o que tinha acontecido ali: “os escoteiros foram a pé ao Rio de Janeiro entregar uma carta pra Getúlio Vargas”. Eles me contaram felizes e feliz fiquei por aqueles pirralhos terem conhecimento e orgulho de tudo aquilo. Isso é consciência histórica.
No entanto, a cada 19 de fevereiro, que foi o dia em que os bravos meninos de Antonina finalmente se desincumbiam de sua missão – retratada pela foto de Milton Oribe entregando a carta ao ditador, eu vivo me perguntando: o que aconteceu de verdade?
Temos um documento: o diário escrito – e muito bem escrito, aliás - pelo bravo escoteiro  Canário. Ali temos os principais episódios, as lembranças, as desavenças entre os meninos, a entrega da carta e a volta dos meninos para sua terra natal, com o dever cumprido.
A primeira pergunta sobre este documento – existe um documento original, feito por Canário durante a histórica viagem, e um outro, que foi “passado a limpo” por Canário, onde este elimina histórias contadas no calor dos fatos. O que temos por aí - eu mesmo tenho uma copia digital - é a versão “corrigida”. Seria importante, para contar a história toda, ter as duas versões dos fatos.
Os Escoteiros chegaram ao Rio em 26 de janeiro: por que não foram imediatamente entregar a carta? Ao que parece, a tal entrega foi um evento em que tinham escoteiros de todo o pais, e não só de Antonina. A própria foto em que aparece um orgulhoso Milton Oribe ao lado de Getúlio, é claramente uma foto “oficial”, ou seja, uma foto montada para aquele evento virar histórico.
Qual o papel da União dos Escoteiros do Brasil no episódio? Como foi marcada a audiência? Sabe-se que naquela época era comum os ditadores de plantão utilizarem-se de jovens para mostrar seu poder: Aí estão as juventudes comunista, hitlerista, a “juventude balila” de Mussolini, e o movimento escoteiro em outras partes do mundo. Os escoteiros de Antonina passaram para a história ao lado do ditador e o ditador passou para a história como um herói de juventude de seu pais. Os dois sairam bem na foto. Uma mão lava a outra.
Outra pergunta que não quer calar: o que eles conseguiram? Diz a história oficial que as reivindicações foram atendidas. Quais? Existem documentos ou decretos de Getúlio Vargas explicitando isso? Essas medidas tiveram efeito de curto, médio ou longo prazo?
Enfim, trata-se de episodio épico que não deve se tornar mítico. O mito tudo petrifica, reduz os fatos a lendas  sem sentido histórico, que só servem para perpetuar velhos discursos. O que está em discussão aqui não é a jornada dos quatro meninos, épica em todos os sentidos que queiram dar a ela.
O que está em jogo é: o que estava acontecendo na cidade naquela época para que se confiasse a meninos uma tarefa que em outras épocas seria confiada a homens? O que foi conseguido? Qual foi o preço disso tudo para a cidade?
Eu acho que esse é o verdadeiro sentido de se tentar entender a historia de nossa cidade. Questionar mitos faz parte do jogo. Por trás dos mitos, todos do mais puro mármore, surgem pessoas. Pessoas como eu, como você, enganados entre a dor e o prazer, achando que são boas e que fazem o bem. O que é o bem? O que é o mal? Quem tomou as decisões que tomou, baseado em quê? Quais foram as consequências dessas decisões? Para quem serviram?
Essas perguntas valem para os homens (e meninos) de 1941 como para os bagrinhos de 2013 e dos anos que estão por vir.
Sempre alerta, Capela Querida.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SONHEI QUE ERA CARNAVAL, FESTA DO POVO...



É fevereiro, mas pra mim já parece março, abril. Antigamente já se dizia que no Brasil as coisas começavam só depois do carnaval. Não avisaram a turma por aqui, onde parece que o ano já vai solto. Já estou dando aula, fazendo projeto, orientando, o diabo. Tanto que meu carnaval, a festa de momo, foi a pique, inexorável como o Titanic.
Estava com umas datas marcadas para ir ao Rio de Janeiro nesta semana  trabalhar uns dias e festar outros. Já estava com lugar pra ficar e meus amigos me chamando pros blocos deles lá em Laranjeiras. Mas fui dormir na Imperatriz Leopoldinense e acordei no Berra Vaca, o bloco aqui de Barão Geraldo. Acontece.
O Berra Vaca, no entanto, não é um bloquinho reles.  Reúne cerca de mil pessoas e tem o maior numero de PhDs por metro quadrado do carnaval brasileiro. Quase todos ali têm currículo Lattes em dia, o que garante a excelência acadêmica do bloco, mas que não garante a qualidade do samba. O repertorio de marchinhas é bom, mas os puxadores atravessam, o som falha, o carro de som atrasa – ou adianta.
Mas ainda assim, há uma certa melancolia em tudo isso, como sempre. Vi ontem aqui nos bravos blogs Capelistas os siris do carnaval da Deitada-a-beira-do-mar, e bateu uma grande nostalgia das ruas de paralelepípedos cheias de gente, os bloquinhos escrachados, os tipos folclóricos, as grandes epopéias cantadas pelos valentes bagrinhos na avenida do samba. As imagens  passam pela mente como num grande filme.
Ali estão o carnaval que a Capela ganhou mais estatuetas que a Caixa D´água e perdeu o carnaval; A caravela do Império da Caixa D´Água do incrível Wilson Rio Apa; ali estão tipos como Guaxica, a insuperável baliza; o “Respeito-as-velhas- e-como-as-novas”, o palhaço com o cachorrinho; as fantasias sempre muito criativas de Camilo Staniscia; Meu querido Formiga vestido de enfermeira; Seu Nenê Chaminé e o Bloco do Pinico; Relen Salu Berght no alto de um carro alegórico, vestido de conde, cantando sua apoteose na avenida do samba dos bagrinhos; como não se emocionar com tantas cenas que passam pela cabeça, sem ordem nem tempo, como se tudo fosse apenas um grande sonho delirante...
Não é. O carnaval de Antonina é uma daquelas criações coletivas que ultrapassam em muito os seus muitos criadores e resplandece como resplandecem as grandes manifestações populares pelo mundo. Sem nenhum favor, é um dos grandes carnavais do Brasil. Eu vi alguns carnavais por aí, posso dizer isso sem nenhuma dose de chauvinismo (mentira, só um ”puquinho”, como se diz na terra de Vale Porto!).
Venho por meio destas maltraçadas confessar uma falta: faz muito tempo que não vou ao carnaval mais importante do mundo. Por um lado, tem a ver com a distância. Por outro, tem a ver com a ausência de meu pai: pra mim, o carnaval era ele. Desde que ele se foi, não tenho tido mais coragem de passar meu carnaval na avenida do samba. Sei muito bem que ali na esquina do Teatro ele não mais estará.  Ainda não sei encarar seu vazio.
“É problema seu”, dirá um de meus 15 leitores. O carnaval continua, a vida continua, assim como continuam em nossas mentes as lembranças dos antigos carnavais. Cabe a nós, a cada um de nós, seguir em frente vestindo sua fantasia e alegremente carregar a vida e seus mortos para a frente.  O reinado de Momo vem aí, é preciso abrir as portas da cidade para a folia e dançar, pular e cantar como se nada mais tivesse sentido. Assim é.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

SALVE DONA JANAINA!



(esta é uma postagem antiga, mas o sentimento é o mesmo...)


Hoje, dois de fevereiro, é dia de saudar Iemanjá, Dona Janaína, a Rainha do Mar. Envolvido em coisas torpes e mesquinhas, gastei todo o meu tempo livre em coisas produtivas e interessantes para o futuro do Brasil. Mas, esqueci da santa, de ir num laguinho e jogar alguma coisa pra ela. Uma coisinha qualquer, assim com um barquinho de madeira com velas, uma melancia, um ramo de flores meio murchas que estão precisando de água. Mas iemanjá me entende (eu acho), apesar do crime ambiental envolvido em seu culto.
Claro que cultuar Iemanjá não foi um habito que aprendi na minha infância, na Deitada-a-beira-do-mar de antanho. A Antonina de outrora, um lugar pacato e feliz, onde os padres eram americanos, tinham buldogues e tudo era pecado. Televisão? Pecado! Falar palavrão? Pecado! Faltar na missa? Pecado! Desejar o mal daquele filhodaputa que vivia te azucrinando e te perseguindo no recreio? Pecado! As meninas de mini-saia? Pecado! Pecado! Olhar por baixo da saia das meninas? Pecado mortal!
Como então aquela santa maravilhosa, de vestido azul saindo das águas não seria também pecado? Bela, sensual, arrastando os homens para as profundezas do mar, como não amar Iemanjá? Como não amar aquela vontade de afundar naquele mar de desejos que estava na nossa frente, e que aqueles padres americanos sem-batina (oh pecado!) nos proibiam – secundados por um sem-fim de velhas carolas – nos ameaçando com o mais terrível dos infernos? Como amar, como desejar?
Claro que isso são bobagens que se desfazem quando você desce na rodoviária de São Paulo, a antiga Julio Prestes, cheia de gente de tudo que é canto do Brasil. Ali, aquela balburdia de gente, de cores e cheiros diferentes, de sotaques diferentes, jeitos diferentes e desejos nem sempre iguais, você acaba por sentir que o sermão do padre de Antonina não fazia sentido. Coitado do padre, só entendia de cuidar do buldogue dele, que só entendia ordens em inglês. Bom mesmo era o vento do mar quando saiamos da missa na matriz, olhar se a maré estava cheia ou vazia, ou se tinha navio no porto.
A Antonina de hoje eu estou conhecendo e aprendendo a conhecer. Hoje conheço bem os morros, conheço algumas pessoas e algumas comunidades que nem sequer sonhava em conhecer nos meus tempos de guri. Na prática, é a mesma coisa. Antonina continua com suas idiossincrasias (no popular: com seu “jeitão”), só que atualizado aos tempos do celular internet e Ipad. Uma cidade que tem na primeira divisão do futebol times como “Real Madruga”, “Zorba no Rego” ou “Sovaco da Cobra” é um lugar de uma idiossincrasia bem idiossincrática. Hum...deche...
Iemanjá veio depois na minha vida, na Bahia, em Santa Catarina, no Rio de Janeiro, e nos outros lugares que andei. Embora não-crente, procuro respeitar o credo dos outros. Acho bonito a pessoa crer em algo, eu que creio em coisas risíveis, como igualdade-liberdade-fraternidade, democracia, socialismo. Hoje não entendo mais direito essa coisa de crer, mas acho bonito quem acredita em algo, acredita nos deuses, ou no Deus, contanto que não queira sair por aí queimando hereges (como eu) ou explodindo embaixadas. E acho bonito o culto a essa deusa feminina e caprichosa que nos ama e que quer nos quer destruir. Assim são as mulheres. Viva o dois de fevereiro. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ANTONINA EM FEVEREIRO...DATAS E FATOS


05/02/1925    Nascia, em São Paulo, Wilson Rio Apa

08/02/1931    Falecia, em Petrópolis- RJ, Antônio Luiz Von Hoonholtz, Barão de Tefé

10/02/1937    Falecia, em São Paulo, o Conde Francisco Matarazzo

11/02/2004    Falecia Heitor Vieira (Relen Salumberg)

15/02/1842    Nascia, em Morretes, Antônio Ribeiro de Macedo  (Coronel)

16/02/1854    Nascia Teófilo Soares Gomes

16/02/1920    Inaugurado o Estádio Francisco Pinto (A. A. 29 de maio)

16/02/1947    Era fundada Escola de Samba do Batel

16/02/1991    Era fundada Escola de Samba Leões de Ouro

17/02/1962    Inaugurado o Cine Ópera

19/02/1942    Escoteiros de Antonina entregam mensagem a        Getúlio Vargas

22/02/1979    Era fundada Escola de Samba Unidos do Portinho

27/02/1932    Falecia, em Curitiba, Ermelino Agostinho de Leão

(COLABORAÇÃO DE CELSO MEIRA)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O PRETO PODE SER UM DIGNO MEMBRO DA SOCIEDADE HUMANA


Karl Von Koseritz (1830-1890)

"Meus leitores já conhecem Antonina, e assim poderia ficar a bordo, uma vez que o meu dever de repórter não me chamava. No entanto, quando se está há alguns dias a bordo sente-se especial prazer em ir a terra de novo, e, como devíamos permanecer ali longas horas, desembarquei com o sr. Hauer e logo achamos o restaurante da sra. Rosskampf onde tomamos a excelente cerveja de Morretes, esta pura e verdadeira flor das cervejas nacionais. Fui em seguida ao telegrafo, mas como o telegrafista tinha saído para passear tive de esperar meia hora até que ele voltasse. Depois voltamos à casa da sra. Roskampf, onde tomamos um almoço frugal, que nos coube muito bem, depois de dias de comida de bordo. 
Visitei todas as ruas de Antonina, mas alem das coisas notáveis já observadas antes encontrei uma outra, isto é, uma velha ruína com as portas e janelas escancaradas, tudo aberto e destruído, arrebentado por toda parte, mas que trazia uma taboleta com a inscrição “Hospital da Santa Casa”.
Extraordinária idéia. Uma ruína não pode ser hospital; pode no máximo pretender sê-lo, depois de restaurada. Possivelmente puseram a taboleta para convidar os estrangeiros a auxiliarem na reconstrução da casa, que já se acha assim há 20 anos. As ruas de Antonina estavam desertas, a pesar do domingo, somente os urubus andavam gravemente e sacudiam a cabeça para os estranhos que perturbavam o seu dia santificado. 
Somente pela tarde se animou; havia corridas nas proximidades, e os jovens cavaleiros de Antonina vieram à casa da sra. Roskampf a fim de jantar e comentar os acontecimentos das carreiras. Causou-me curiosa impressão que um negro se tenha assentado na mesa junto com os rapazes, (na sua maioria de descendência alemã), e se tenha feito servir confiadamente por brancos. Isto parece natural aos costumes locais, e afinal o cidadão preto pode ser um digno membro da sociedade humana. 
À noite voltei para bordo e esperei com paciência até que o carregamento estivesse acabado e nos puséssemos a caminho. Já disse que desde Paranaguá até Antonina as alturas que cercam a baia são cobertas por espessas florestas, nas quais não se vê uma clareira. 
O sr. José Hauer me disse que a terra é excelente e muito fértil mas falta gente, e a incoerência dos governos desacreditou de tal forma o Paraná com os seus erros que não se pode pensar no reforço da imigração nos próximos tempos. Infelizmente é sempre a insensatez dos governos que cria impedimentos aonde a natureza oferece tudo o que é necessário para um bom desenvolvimento da imigração e da colonização. 
Naturalmente quando ocorrem desonestidades como aqui, onde potentados compram terras por 15 contos para vendê-las ao governo por 90, terras aonde não há absolutamente nada, então não se deve admirar que a colonização não progrida. Tenho ainda muita esperança nesta bela e rica província, aonde a cultura alemã, (pelo menos na capital e imediações), floresce tão fortemente. Possam os patrícios do Paraná prosseguir no caminho certo; também eles têm a construir uma parte da historia cultural, e um dia, conosco e com os alemães de Santa Catarina, seremos um fator nada desprezível na historia do Brasil meridional.
Amanhã, se correr bem, estaremos ao meio dia em Desterro, e de lá ainda escreverei. Quarta feira de manhã devemos atingir a nossa barra; se tal não se der, é outra questão, que fica aberta ao destino.

Antonina, 24 de junho de 1883".

mais  um texto de Karl  von Koseritz, jornalista alemão   que  se radicou no Rio Grande do sul e foi um dos grandes propagandistas da imigração alemã para o Brasil nos tempos do Império  Esta  é  sua segunda passagem pela Deitada-a-beira-do-mar. (a primeira pode ser lida aqui). aqui ele narra o passeio pela cidade deserta, sabemos que em Morretes tinha uma cerveja boa. Koseritz narra a moda das corridas de cavalo em Antonina e se surpreende ao ver um negro sendo tratado como igual pelos outros rapazes brancos. Ao final, comenta sobre a corrupção que grassava no Paraná daquela época, onde os fazendeiros compravam terras de graça e as vendiam ao governo por fortunas. Nada que aconteça hoje, felizmente...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

COMEÇOS DE GESTÃO


Estou curtindo minhas merecidas férias em Floripa, mais precisamente na Praia da Solidão. O nome diz tudo, embora esteja cercado de gente: aqui é o fim da linha. A praia á linda, sem muito fervo, uns dias chove noutros dias bate sol. Diz que férias é bom porque acaba. Se não, seria desemprego.
Leio nos jornais daqui que o novo prefeito de Floripa quer mudar a cara da cidade. O primeiro-ministro, ou seja, o homem forte do novo governo, é um arquiteto, Dalmo Vieira filho. Sua proposta, audaciosa, é mudar a cara de Floripa em quatro anos. Quatro anos? Difícil, hein?
A cidade está numa grande encruzilhada. Cresce muito, muito rápido. Não tem infra-estrutura, não tem vias adequadas, não tem um transporte publico adequado. Floripa reclamou quando não foi escolhida cidade-sede para a copa. Mas alguém aí já tentou pegar a auto-estrada para o sul da ilha em dia de jogo do Avaí? Nem são Paulo tem congestionamentos assim.
As ruas são estreitas. Aqui na praia, são servidões, pequenos acessos dos antigos moradores que viram algo assim como ruas. Só da pra passar um carro por vez. Logo, não deveriam dar acesso a carros. Mas, no Brasil, proibir acesso a carros? Todas as casas tem garagem. Logo, as servidões nas temporadas de férias  vivem um caos.
Por isso, o novo secretário cassou, por três meses, todos os novos alvarás na cidade. Para pra organizar. Vamos ver quanto tempo ele vai conseguir controlar a situação. Aqui em Floripa, por diversos motivos, ela é quase sempre incontrolável.
Estou vendo que a nova administração na terrinha começou tocando obras no jardim Maria Luísa. Muito bom. Tem que começar forte mesmo, mostrando pulso. A maquina da prefeitura funciona bem, eu vi isso no 11 de março. Todos os gestores da crise só tiveram elogios para a atuação de Canduca e sua equipe. Conversei recentemente com alguns deles e eles me confirmaram isso.
O problema foi que a administração se enrolou logo depois no cipoal de procedimentos para reconstrução das casas. Pouco se avançou. Os governos estadual e federal também ficaram mais distantes. O resultado foi que a aprovação de Canduca desceu a níveis mais baixos que a maré baixa da lua cheia.
Avalio, como sempre avaliei, que a gestão Canduca foi muito boa onde Canduca pessoalmente  é bom: captação de recursos. A cidade voltou a ficar no mapa dos recursos federais, voltou a receber verbas que em outros tempos passavam batido dos gestores municipais. A cidade está mais antenada em relação ao dinheiro de Brasília.
Tomara que João, Wilsinho e equipe tenham mais sorte – e competência – nesta empreitada. Cabe enfrentar os problemas e dar soluções. Como eu já disse em outras postagens, nossa querida Deitada-a-beira-do-mar não é nenhuma Parati, nenhuma Ouro preto, mas também não é nenhuma vilinha de pescadores perdida por aí. Tem um belo patrimônio colonial, uma baia tão bonita quanto Parati e uma igreja de N.S. do Pilar, como Ouro Preto. Antonina não é rica, mas também não é tão pobrinha quanto se pensa. Basta ter vontade de trabalhar e bom senso.

PS – A nova câmara já pensou em fazer alguma homenagem aos gestores da crise de 11 de março? 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ENQUANTO ISSO, NA CASA DO CEBOLINHA...

Na casa de nosso amigo Cebolinha, só é permitida a passagem de bicicletas sem pessoas: será que foi aqui que foi filmada a famosa cena da bicicleta do ET?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ANTONINA CAPITAL DA MÚSICA?


Notei  que volta e meia um cidadão, infelizmente anônimo, coloca uns posts pedindo, alguns até implorando, pra que se tome a iniciativa de tornar Antonina a capital da música. Parece uma ideia boa, pois nossa tradição musical é das melhores, desde o folclórico até o erudito. Poderia falar do samba, do carnaval e de tantas outras boas coisas relacionadas à música na Deitada-a-beira-do-mar. E temos a filarmônica, uma fantástica máquina de músicos bons pra cacete, que há mais de quarenta anos vem fornecendo material humano da mais alta qualidade pra todo o Brasil.
Mas então, por que Antonina não quer ser a capital da música como brada no deserto nosso desalentado anônimo?
Estes tempos estive em São Luiz do Paraitinga, pequena e bela cidadezinha paulista, berço de Oswaldo Cruz e Aziz Ab´Saber, entre outros brasileiros ilustres. Como a bela e incomparável Deitada-a-beira-do-mar, a igualmente bela São Luiz tem um dos melhores carnavais de ruas de São Paulo, com grande animação popular e caracterizada por seus bonecos gigantes, como os que meu querido amigo Joelson Cruz bolou para o carnaval de 2005.

os bonecos de São Luiz do Paraitinga e os Depoimentos sobre a tragedia de janeiro/2010, no  Instituto  Elpidio dos Santos

Assim como nossa rica e bela (embora tão pobrinha!) Antonina, a bela São Luiz também foi vitima de uma tragédia tão grande quanto a da terra de Vale Porto, em 2010. Em janeiro daquele ano, o rio Paraitinga subiu dez metros – calcule o quanto é isso de altura – e destruiu grande parte do patrimônio histórico da cidade.
Inclusive a igreja matriz da cidade, de incalculável valor histórico, construída em taipa de pilão, veio a desabar durante a enchente. Ainda não reconstruída, ela está cercada de tapumes que lembram seu tamanho original. Sua restauração ainda requer gente e dinheiro num montante ainda impossível de se ter.
Mas, e sempre tem um mas, São Luiz se recupera. Casas são reconstruídas, fachadas são pintadas, e o astral dos sãoluizenses melhora. Vi a bela igrejinha de Nossa Senhora das Mercês reconstruída, com a foto de antes e depois da tragédia. Que maravilha poder vê-la de novo!
imagens da igreja de NS das Mercês em São Luiz do Paraitinga, como era, como ficou na tragédia de 2010 e  seu  estado atual, restaurada
Passeando pelas ruas de São Luiz do Paraitinga, vimos umas janelas com algo interessante, e parecia um museu: o Instituto Elpidio dos santos, fundação privada dedicada a fomentar a arte e a cultura de São Luiz e dos são-luizenses. Elpidio dos Santos, o patrono do instituto, é um famoso musico local, tendo composto a famosa musica “casinha branca”, grande sucesso caipira na voz de muita gente boa.
cartaz na porta do Instituto Elpidio dos Santos - alguma semelhança com  a Deitada-a-beira-do-mar?
O Instituto Elpidio dos Santos (IES) patrocina muita coisa de fundos e verbas para a reconstrução da cidade. Patrocina, inclusive, a restauração de igrejas e da casa onde nasceu Oswaldo Cruz. É a musica cruzando fronteiras e ajudando a cultura como um todo. Enfim, a ideia de uma instituição desse tipo pareceu boa. Pode ser um modelo interessante para iniciar o projeto de ter Antonina como uma capital paranaense da musica.
Que tal o nome de Relen para o instituto dos bagrinhos?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O MENINO É O PAI DO HOMEM



"Nossa primeira raiz, a mais funda, vem do garoto alegre correndo com seus amigos ou maltratado em casa; da menina que se sentia amada ou brutalizada, quem sabe ridicularizada. Até o fim guerreamos com aquelas arcaicas realidades ou fantasmas: anistiar uma infância difícil é trabalho de guerreiros, e guerrear é parte do destino humano. "    Lya Luft


Meu pai faria hoje 75 anos. Como não lembrar o 7 de janeiro, eu, que sempre fazia as minhas contas pra sempre passar em Antonina nesse dia pra vê-lo, dar um abraço e seguir adiante.

Eu sempre conheci meu pai enorme, um gigante quase. Difícil não gostar daquele homem enorme, que quase sem esforço nos tirava do chão e nos erguia até as alturas. Que sempre me trazia algo, nem que fosse um apertado abraço. Que me deu minha primeira bandeira do Atlético, mesmo sendo ele torcedor do Ferroviário (ou Colorado, ou Paraná, ou...). Que me levou a Curitiba, ver os animais do Passeio Público. Amei-o com aquele amor que os meninos sentem por alguém que pode, por qualquer coisa, por uma caixa de ferramentas fora do lugar, tornar-se trovejante e colérico. Que se torna chato quando nos impõe tarefas de casa, quando impõe sua lei.

Eram tantas as suas leis que a gente não se dava conta que aquele homem imenso era na verdade um menino. Um grande menino, com os mesmos medos e angustias que nós tínhamos. Que jogou bola, que tomou sorvete do restaurante Marreiro, que brincou na caserna, que matou aula (ora se viu?), que amou seu pai, meu avô, com o mesmo amor fervoroso e desconfiado que nós um dia viríamos a sentir por ele. Que, às vezes, não entendia direito as leis que nos impunha. Que tinha os seus problemas, as suas neuras, os seus pecados, reais ou inventados. Que tentava entender os "tempos novos", que sabia desconstruir e construir. Enfim, um homem-menino absolutamente moderno.

Mas são coisas que a gente só entende tarde na vida, ou quando se é pai. Ao ver meus sentimentos para com meus filhos eu me vi nas mesmas duvidas e angustias que meu pai teve. Cometi erros, tive acertos, como todos. Mas tive muita sorte, principalmente muita sorte. Tive sempre ao meu lado, quando precisei, aquele menino magrinho criado na rua do campo, o Dodô de seu Manequinho, a me ensinar seus erros e acertos. Pois que o menino é o pai do homem.

(um texto de 2009, primeiro aniversário de seu falecimento; algumas feridas cicatrizaram, outras nunca vão, assim são as coisas. Saudades de seu Dodô, que hoje faria 79 anos)