quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ACORDA, BLOGOSFERA!!


Onde está a blogosfera antoninense? A blogosfera que outrora rugia hoje está sonolenta, quietinha, debaixo dos edredons. Acorda, blogosfera! O sol está lá fora! Um sol de inverno, ainda frio, o ar está seco, mas é setembro e temos que sair às ruas. Confesso que também ando meio sonolento, sem vontade de falar de politica. Mas é necessário.
É necessário, antes de tudo debater propostas, mais que ficar por aí dizendo que o meu candidato é o melhor. Acredito piamente que todos os candidatos a prefeito na Deitada-a-beira-do-mar são pessoas boas e honestas, que pagam seus impostos e dão carinho e amor aos filhos e netos. A vida privada é uma coisa. A vida pública, outra.
Li as propostas que os candidatos postaram na internet há cerca de um mês atrás. Ao contrário de alguns que acham que o papel aceita tudo, eu tenho por experiência que, ao colocar algo no papel, nos colocamos ali por inteiro – ali estão coisas que queremos dizer e não estão coisas que queremos omitir.
Um texto de um programa de governo pode ser uma bela peça de marketing. Um engodo, diriam alguns. Mas mesmo ali, nas frases de efeito e nas entrelinhas, podem-se entrever coisas que o candidato, ou a coligação como um todo realmente pensam. Agimos como pensamos. Logo, é instrutivo ler um programa de governo e tentar compreender como pensam aqueles que querem nos governar.
As propostas de governo que achei mais bem estruturadas são as propostas da coligação “Antonina que queremos” e da “União do povo”. São mais completas e mais orgânicas, mas com isso não quero dizer que sejam melhores. As propostas da coligação “Avante Antonina” e da “Antonina de Verdade” estão ainda pouco coesas, como uma mera enumeração de itens, colocadas de forma que não se sabe o que a coligação está pretendendo, em que direção ela aponta.  Em recente conversa com meu amigo Wilsinho, da “Antonina de Verdade” ele me garantiu que está sendo elaborada uma proposta mais robusta. Vamos aguardar.
De todas, a mais bem estruturada me pareceu a proposta da “Antonina que queremos”, onde estão meu amigo Zé Paulo e a Prof. Wanda. Logo no inicio presenta um bom diagnóstico da cidade. Alguns podem achar que isso não quer dizer nada. Mas um médico só sabe o tratamento que vai fazer se souber do que o paciente sofre. Não adianta remédio pro coração se o problema é nos rins. Como um bom profissional da área de saúde, Zé Paulo sabe que só com diagnósticos se faz um tratamento eficaz. A seguir, apresenta as áreas estratégicas de governo, 15 itens nos quais estão detalhadas as ações de governo. Pode não se concordar com os itens , mas a proposta é orgânica e tem uma leitura fácil.
A proposta da coligação “união do povo” já entra de chapa nos compromissos de gestão. É um texto longo, sem itens, o que torna a leitura mais difícil. Não se sabe se estamos numa introdução, quais são os itens que vão ser abordados. Os textos em caixa-alta no meio das frases se confundem com os itens, induzindo a leitura e confundem quem está lendo. Só depois de ler tudo é que saberemos quais são as prioridades da coligação. Um trabalho danado pro eleitor saber se as propostas são boas ou não!
 Enfim, em minha prática de avaliar projetos – eu faço isso todo o dia, diria mesmo que meu tempo é quase todo gasto em elaborar e avaliar projetos – eu daria uma nota nove pra coligação “Antonina que queremos” e um seis pra “União do povo”. As outras duas teriam que refazer o trabalho pra poder ser avaliado. Isso olhando o aspecto formal das propostas, sem entrar no mérito das propostas elas mesmas. Em todas as propostas vi coisas muito interessantes e que vão melhorar a vida de nossa cidade. Podemos esmiuçá-las nas próximas semanas. Assim, quem sabe, teremos um debate com ideias de verdade e não uma disputa de cavaletes e cartazes nas belas ruas da terra de Valle Porto. Vamos lá?

PS – que fique bem claro: eu tenho predileção pela “Antonina que queremos”, tanto por motivos ideológicos quanto pessoais, até mesmo mais que políticos. No entanto, a proposta aqui, como representante da blogosfera capelista, é procurar ser equilibrado e, principalmente, justo. Não sei se consigo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

AO CHEGAR SETEMBRO...


01/09/1888    Nascia Heitor Soares Gomes

01/09/1920    Nascia Setembrino da Costa Alves (Bino)

02/09/1918    Era lançado o livro ‘Fatos e Homens’, de Ermelino de Leão

04/09/1848    Nascia, em São Paulo, Brasílio Augusto Machado de Oliveira

04/09/1857    Nascia, em Morretes, José Francisco da Rocha Pombo

07/09/1922    Inaugurada a Estação Ferroviária em frente à Igreja do Bom Jesus

07/09/1938    Fundado o Grupo de Escoteiros ‘Valle Porto’

11/09/1915    Nascia Carlos Gomes da Costa

12/09/1714   Frei Francisco de São Jerônimo, Bispo do Rio de Janeiro,  autorizava a construção da capela de N. S. do Pilar da Graciosa nas terras de Manuel do Vale Porto.

23/09/1931    Falecia o Coronel Antônio Ribeiro de Macedo

28/09/1898    Inaugurado o Mercado Municipal (demolido em 70)

28/09/1902    Nascia, em Esp. Santo do Pinhal-SP, João da Cruz Leite

(COLABORAÇÃO CELSO MEIRA)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O SEXTO DOS INFERNOS

Dante & Virgílio cruzando o Quinto Círculo do Inferno, onde estão os avarentos  e  os gastadores;  o leitor atento poderá reconhecer alguns dirigentes rubro-negros (e não só rubro-negros...) nesta singela imagem

Enfim, acabou o primeiro turno do inferno da segundona. Até que não foi assim tão ruim. Depois de um começo meio assim-assim, em que esteve inclusive cheirando o enxofre da terceirona, o rubro-negro venceu suas últimas quatro partidas e dá uma respirada. Em sexto lugar, a dois pontos do G4, o rubro-negro sonha.
Aqui de meu exílio campineiro acompanho de longe, rodeado de meus amigos Dante e Virgílio, especialistas em inferno. Às vezes, Arthur Rimbaud, poeta maldito, dá uns pitacos pra entendermos nossa Estadia no inferno. Gusano, meu amigo engarrafado, dá uns goles de mezcal e segue com suas filosofias. Longe de tudo isso, mestre Stendhal, o glorioso autor de O Vermelho e o Negro, mergulha nas profundidades da psiquê atleticana. Quer time melhor?
Pois então. Cerca de dois meses e 19 jogos depois, o rubro-negríssimo conta com um time totalmente diferente do que iniciou a infernal jornada. Três técnicos passaram pelo CT do Caju. A diretoria parece confirmar o Drubscky (quem?) como o técnico titular. Junto com o alivio, uma sensação de que o bode, ao menos por enquanto, foi tirado da sala.
Dante me conta que no quinto circulo do inferno estão as pessoas que não sabem lidar com dinheiro. Neste lugar estão os avarentos, aqueles que praticam a usura e não gastam o que tem e também aqueles que, pródigos, gastam demais. Numa sala escura e fétida, numa briga que nunca termina entre os dois lados, os gastadores e mãos-de-vaca escoam seus míseros dias de eternidade.
Segundo Dante (Virgílio concordou com um grave aceno) alguns antigos dirigentes rubro-negros já se encontram nestes círculos, sofrendo as agruras infernais. Outros, ainda em atividade, estão sendo avidamente esperados no quinto circulo do inferno. Claro está que lá também se encontram outros dirigentes do futebol brasileiro e mundial, além de políticos, empresários e figuras do show-bizz.
A Arena da Baixada, segundo Dante, tem aumentado muito o quinto circulo do inferno, a ponto do Sete-peles, vulgo Capiroto, já ter pensado em aumentar a sala do Quinto Circulo e fazer um grande salão com sauna a vapor e massagem da varas. Os empreiteiros do inferno já estão fraudando a licitação.
Mas, enfim, tem ainda dezenove jogos pra ver se saímos ou não do inferno. Por enquanto, ali estamos sem qualquer esperança, como é apropriado em situações como esta. Gusano, a meu lado, dá um gole no mezcal e dá uns cochilos. Aqui em Barão Geraldo neste fim de agosto, mês do cachorro louco, está uma secura só, com direito a fuligem, olhos ardendo e nariz seco. Um inferno.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CANÇÃO DO EXÍLIO (O MEU)

Palmas pulmões Palmares
minha terra não sabia,
o que se planta se dá:
arroz, feijão e pitanga
as aves que aqui gorjeiam
terreiros de saravá

Os poetas de minha terra
são cambistas, motoristas
declamando ditirambos
em torres de ametista
(os frutos podres das árvores
pedem pelo sabiá)


Palmas pulmões Palmares
em cismar sozinho à noite 
(vontade de me casar!)
minha terra tem capela 
lá no alto da colina
Da Senhora do Pilar

(1999)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

UMA CONTA SALGADA...


(Bigg-Whiter e seus companheiros pedem a conta do Hotel....que surpresa!)

(...)
Pedimos ao Sr Pascoal a extração de nossa conta para logo e, por varias horas, ficou ele sentado à cabeceira da longa mesa da sala de jantar (a mesma em que eu dormira parte da noite no dia de chegada à Antonina), absorto com as somas e os cálculos, cercado de tinteiros, canetas e longas tiras de papel. Evidentemente, a preparação de conta tão grande era um acontecimento na vida de nosso hoteleiro.
Quando por fim a conta foi apresentada, não nos admiramos mais do tempo que ele havia gasto à mesa.
Segundo as contas do Sr Pascoal, nós e os nossos convidados havíamos consumido trezentas garrafas de cerveja em três dias. Supondo-se mesmo que quarenta garrafas tivessem sido dadas de vez em quando aos carregadores, o nosso consumo por pessoa e por dia era de nove garrafas de cerveja!
Infelizmente, nenhum de nós teve a ideia de contar ou anotar a quantidade gasta. Ele nos garantia, fazendo gestos suplicantes de inocência ofendida, que havia anotado cada garrafa pedida, do que não duvidamos, mas depois, certamente, multiplicou o total por três, como havia feito “Madame”, no hotel “Ravot”, no Rio de Janeiro. Quanto às outras rubricas a conta foi bem razoável, porque a comida era boa e havia fartura. Era muito melhor do que a que vínhamos comendo nas últimas cinco semanas. Resolvemos admitir que as contas do Sr Pascoal estivessem corretas e pagamos o total.
(...)
Na manhã seguinte, cedo, apareceram duas carroças à porta para nós, puxadas cada uma por cinco dos pequenos cavalos da região. Três bestas de sela as acompanhavam; uma para o tropeiro, que seria o guia interprete e camarada, e as outras duas para o Capitao Palm e Curling (chefe do II grupo) que preferiram ir montados, porque ficavam mais à vontade.
A parte do material que ficara pusemo-lo nas carroças e entramos para nos despedir do dono do hotel. A despedida foi muito afetuosa. Se foram as nossas boas qualidades ou a maneira afável que pagamos a extensa conta, que lhe conquistaram o coração, não me atrevo a dizer. Mas o certo é que ele nos abraçou um por um repetidas vezes e com lagrimas nos olhos, desejando a todos nos muitas felicidades e breve regresso diante dos perigos a nossa frente e pedindo que não nos esquecêssemos dele. Quanto a mim , garanto que não esqueci. Todas as vezes que via uma garrafa de cerveja era o bastante para que ele viesse a minha lembrança muitos meses depois. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

BICUDOS NA PORTA DE CASA!



(Thomas Bigg-Whiter e seus amigos se espantam com a quantidade de pássaros na Antonina do seculo XIX...)


(...)
Durante aqueles três dias de nossa estadia em Antonina tivemos ocasionalmente tempo de sair com nossas espingardas de caça, mas só ao noitecer do segundo dia foi que fizemos a descoberta de que certos campos alagadiços, nos arredores da cidade, estavam cheios de narcejas. Faber (chefe do grupo I) e eu voltávamos de um passeio às matas, naquela tardinha, quando vimos diversas daquelas aves voando. Não as reconhecemos imediatamente, (nunca pensamos em encontrar no novo mundo aquele tipo de ave), mas, atirando numa por curiosidade, ficamos atônitos por ser realmente uma narceja. Começamos logo a caçada, para recuperar o tempo perdido e conseguir algumas no curto espaço de meia hora que ainda restava de claridade. Naquela mesma noite comentamos o caso, enquanto saboreávamos uma boa batida com ovos, como aperitivo para o jantar.
Foi falta de sorte nossa não ter feito aquela descoberta mais cedo. Se soubéssemos da existência daquela mina ali pertinho de nossa porta, teríamos sem duvida feito penetrações profundas, pois, embora fosse boa a comida do hotel, ela não era variada. Comíamos, todos os dias, os mesmos pratos no almoço e jantar. O terceiro e ultimo dia em Antonina aproveitamo-lo caçando narcejas, embora o Sr. Pascoal, para nos animar, afirmasse haver tão grande numero de “bicudos”, como as chamava, no planalto de Curitiba, que era possível mata-los da porta de casa!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A CAPELA NO MÊS DO CACHORRO LOUCO!


05/08/1924    Nascia Milton Oribe

07/08/1942     Falecia o Dr. Heitor Soares Gomes

07/08/1943     Explosão e incêndio destruíam a estação ferroviária da Laranjeira

13/08/1860     João da Silva Machado recebia o título de ‘Barão de Antonina’

14/08/1906     Falecia Nestor Pereira de Castro

15/08/1885     Inaugurada a Casa Escolar Dr. Brasílio Machado (Brasílio Augusto Machado de Oliveira era o Presidente da Província)

18/08/1892     Inaugurados o ramal ferroviário Morretes-Antonina e a estação ferroviária da Laranjeira 

20/08/1854      Iniciada a construção da estrada da Graciosa

29/08/1797     Nascia VILA ANTONINA

Portaria do Governador da Capitania de São Paulo, Antônio Manuel de Mello e Castro Mendonça, emancipava politicamente a Freguesia de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. O território desmembrado da Vila de Paranaguá abrangia as localidades de Morretes e Porto de Cima.

29/08/1991    Falecia, no Rio de Janeiro, Moisés Wille Lupion de Tróia

30/08/1975    Fundada a Filarmônica Antoninense

31/08/1946    Fundado o Ginásio Municipal de Antonina 


(colaboração de Celso Meira)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SI PÕE MAIS CÁRRGA, A XENTE FOLTA!



(Seguem as aventuras de Thomas Bigg-Whiter e a Expedição Inglesa em Antonina. Agora eles se vêem às voltas com os carroceiros alemães da cidade, que monopolizavam o transporte de cargas para Curitiba)

Não resta duvida que, se o ancoradouro em Antonina fosse menos limitado em extensão, a cidade teria grande futuro diante de si, mas parece que havia somente dois canais, comparativamente pequenos, onde poderiam ancorar embarcações de qualquer tamanho. No momento, a vantagem de antonina sobre sua rival Paranaguá é a de se comunicar com Curitiba por uma estrada. Se, contudo, o plano proposto de se construir uma estrada de ferro de Paranaguá a Morretes, e dai para Curitiba, for realizado, e não o traçado que tem Antonina como ponto de referência, não resta duvida que o saldo de vantagens será transferido para a cidade anterior. Quando visitei ultimamente estas duas cidades, travava-se entre elas tremenda luta pelos jornais sobre esse importante problema da estrada de ferro.
Nessa ocasião antonina contava talvez 1200 habitantes, dos quais grande porção era de alemães, e logo descobrimos que todo o serviço de carroças estava em suas mãos. Contratamos, então, o maior número possível destes veículos no primeiro dia, carregando-os de material e despachando-os para Curitiba, tão cedo eles puderam ficar prontos. As carroças eram pequenas, porem, bem construídas. Os proprietários se firmaram no proposito de não ultrapassar certa capacidade. De fato, elas não levavam mais de meia tonelada de carga. Olhamos mais uma vez para os veículos  - eram fortes e bem construídos. Olhamos para os cavalos – eram pequenos e fracos, mas não havia menos de cinco atrelados a cada carroça, e quanto mais  olhávamos mais ficávamos perplexos diante da absurdidade da carga diminuta que levavam. Reclamamos, mas em vão. A invariável resposta era: “se puserem maior carga, voltaremos para casa com as carroças”, promessa que foi cumprida por um ou dois carroceiros. Fomos, portanto, forçados a aceitar as condições estipuladas, a tal ponto que pagamos pelo transporte de uma tonelada de material, no percurso de cinquenta milhas, o preço de dez libras! Qual seria o preço do carvão em Londres sujeito a esse preço de transporte?
Se o nosso material estivesse acondicionado para ser transportado em lombo de mula, como deveria ter sido feito antes de deixarmos a Inglaterra, teríamos, sem duvida, forçado os carroceiros a cobrar um preço razoável, mas na situação ficávamos inteiramente a mercê deles. 

sábado, 28 de julho de 2012

LASCHIATE OGNI SPERANZA, VOI CH´INTRATE!


Dante e Virgílio depois de me deixarem na entrada do Brinco  de Ouro, antes de Guarani e Atlético  pelo inferno da segundona

Quando Dante estava entrando pela primeira vez na porta do inferno – ele tem uma baita experiência nisso, convenhamos - viu uma placa que dizia: “Vocês que estão entrando, deixem aqui toda esperança”. Esta é a tradução da frase que dá o título da crônica. Pois bem, é toda a verdade. Ao entrar no Inferno, deixe de fora a esperança.
Acabo de voltar do estádio Brinco de Ouro, onde fui ver a derrota do Rubro-negro para o Guarani. Coisa de arrepiar. O time está medonho, mesmo. Um ou outro se salvam, os demais não servem nem pra gandula. Perder pro time do Guarani, de virada, é um feito que se consegue com muito esforço.  Eles estão numa naba muito pior que a nossa, e tem um time muito ruim. Mas a "squadra rossonera" se supera em ruindade.
Tivemos um primeiro tempo horrível. Não teve nenhum chute a gol de lado a lado. O nosso meio de campo não conseguia trocar três passes certos. Pra complicar, quase no fim do primeiro tempo uma outra torcida organizada, decobri depois que eram os Ultras, tentaram entrar no canto do estádio em que estávamos alojados. Deu briga, correria, veio policia, o escambau (veja aqui).
Nem vi o fim do primeiro tempo. Só dava os gorilas se enfrentando, com aquelas caras de neonazistas – carinhas musculosos, tatuados, cabelo raspado e óculos escuro. A única coisa decente eram as cores que vestiam, o manto sagrado rubro-negro, aquele que só se veste por amor. Me deu uma vergonha de ser atleticano ver o triste espetáculo de duas torcidas do mesmo time brigando ali na nossa frente. O jogo rolando,  e só se via gente correndo e policia vindo.
Um cara do meu lado, comentando o episódio, me disse: “que vergonha ser paranaense, vir pra cá e ver essa vergonheira toda”. Concordei com ele. Expulsos os Ultras, os neonazistas da fanáticos continuaram a cantar aquelas musicas bobas deles. Ele só sabem cantar aquelas coisa idiotas contra os coxas e o paraná, mas que Paraná, meu Deus!! o jogo é em São Paulo, contra o Bugre!! Acorda! Torcida medíocre, briguenta, descerebrada!
No segundo tempo, o time até que tentou acordar. Um cruzamento na grande área e Harrison (quem?) de cabeça completou pro fundo das redes. E poderíamos ter feito mais e resolvido o jogo, mas não. Não!! Deixem aqui toda a esperança. O Guarani, que não conseguia nada, foi aproveitando os erros e fazendo. Um, dois. Vira-vira.
Enquanto isso, um grande clarão se abriu no meio da torcida entre a tal organizada que se diz fanática e os demais torcedores. Ninguém mais sentiu tesão de acompanhar as cantorias daqueles boçais. Um completo divórcio. Triste, triste. Lá no campo, o time batendo cabeça, querendo perder de três ou quatro. E pronto, ressuscitamos o Guarani na segundona.
Quando Dante viu a tal mensagem na Porta do Inferno, ficou apavorado. Mas Virgílio, ao seu lado, o confortou, dizendo que ao entrar no Inferno era preciso deixar todo o temor, vil ou prudente, pois toda fraqueza ali deve estar morta. “Chegamos ao lugar da indigna gente que o bem supremo da razão perdeu”, disse a Dante o grande Virgilio.
Ao final do jogo, isso ficou bem evidente. Um time ruim, com uma torcida pior, não pode esperar o Paraíso, sequer o purgatório. Um outro torcedor que se juntou ali onde estávamos, longe das bestas neonazistas, disse que tinha gente torcendo pro time não subir este ano, pois do jeito que estava perigava subir e cair de novo. Tem louco pra tudo.
A jornada ainda é longa neste inferno. E a lição de casa de hoje é que o inferno não são os outros: pode estar no meio de nós.

P.S. – as citações são da Divina Comédia, Inferno, Canto III, pra quem quiser conferir. 

O OURO DE SARAH



Ando  meio longe da blogosfera, com pilhas e pilhas de coisas por fazer, escrevendo e lendo tanto e o dia todo, que na hora de descansar eu tenho ficado quieto na frente da televisão. No entanto, agora há pouco, vi a cerimonia de premiação do judô na Olimpiada de Londres.
Não compartilho de ufanismos barulhentos e acríticos  à la Galvão Bueno, sei das mazelas de meu pais. Sei também das dificuldades que temos por aqui pra trabalhar, pra estudar, pra treinar algo a sério.
O brasileiro tem uma grande síndrome de vira-lata. É comum que a gente “amarele” na hora de enfrentar, no esporte, rivais de outros países.
Mas fiquei feliz de quase ir as lágrimas ao ver a premiação de Sarah Menezes. Não vi a luta, não vi nada das Olimpiadas, embrulhado que estou com defesas de tese, provas e planejamentos para o semestre que se inicia.
Ver a pequena piauiense, moreníssima, de cara de bugre, ali no meio das lourinhas europeias escutando o nosso hino, o “virundum”, é dessas coisas de levantar Darcy Ribeiro da tumba de tanta felicidade. É a “Roma Negra” de Darcy surgindo deste improvável país que é o nosso.
A questão que vem à nossa cabeça é: quantas Sarahs não existem por aí esperando uma escola decente, um emprego melhor, um país mais justo? No trânsito, ao ver os buracos na rua, as cracolândias, os candidatos  a vereador e suas caras de Fotoshop, sinto vontade de explodir tudo. Mas basta ver o sorriso lindo - e brasileiríssimo - de Sarah escutando o virundum e tudo se torna outra vez viável, nem que seja por um momento. Nesta ensolarada manhã de sábado, somo s todos judocas e nosso nome é Sarah.
Eu te amo, meu Brasil. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O INVERNO NO LEBLON É QUASE GLACIAL

a praia do Leblon, com o Morro Dois Irmãos ao fundo, no sábado passado

Antes da gripe que me pegou esta semana, estive numa viagem a trabalho ao Rio de Janeiro, cidade que não visitava há décadas. “viagem a trabalho? Não existe isso de viagem a trabalho para o Rio!”, contestaram alguns amigos. Sim, não há, é quase uma incompatibilidade em termos. De fato, minha esposa foi apresentar um trabalho cientifico num simpósio dobre educação não-formal em museus, e que ocorreu no MAST, o museu de astronomia do Rio, no estranho bairro de São Cristóvão.
Pra não dizer que não fiz nada, visitei diversos arquivos onde estou à cata de documentos para algumas pesquisas que estou fazendo. E, já livre dessa carga, flanei pelas ruas do centro do Rio. Andei despreocupadamente, como há muito tempo não andava, olhando e olhando, que é o papel de todo turista, acidental ou não.
Realmente o Rio é uma cidade Maravilhosa. Isso, claro, não o exclui dos contrastes sociais, que fazem uma cidade partida em duas pelo maciço da tijuca, a zona norte, pobre e operária, e a pujante e aristocrática zona sul, com seus bairros símbolo, como Copacabana e Ipanema. Mas o fato é que, para além deste apartheid social – e por causa dele também – o Rio foi durante dois séculos nossa capital.
Isso se reflete na grandiosidade da arquitetura, desde a colonial até a neoclássica, e o nome das coisas: Arquivo nacional, parque Nacional, Central do Brasil. Ali tudo foi realmente central. No meio de tudo isso, os cariocas e seu jeito folgado, bom vivant, sem stress. Por mais que o cara seja um sujeito que rale o tempo todo, é melhor ser alegre que ser triste numa cidade onde o cenário é uma beleza que a natureza criou, só pra ficar nos sambas que imortalizaram a cidade.
No metrô, um metro apresentável e bem limpinho, somos saudados com alguns acordes de bossa nova antes da locutora anunciar a próxima estação. “nexti stopi, Ishtácio”, anuncia a garota (de Ipanema?) no interior do carro lotado. Um metro lotado, caro – no Brasil os metros são caros – mas este metro é bossa nova, o que faz toda a diferença.
Por outro lado, a cidade está um canteiro de obras. Diferente de são Paulo, que está sempre em obras, o Rio dos últimos anos está se reinventando com  a indústria do petróleo. Cortei o cabelo num salão perto do Catete, onde estava hospedado, e o cabeleireiro ficou tempos e tempos falando dos seus fregueses de empresas de petróleo que estão vindo para o Rio.
Outra coisa que me deixa contente foi ver, pelas ruas, a campanha de Marcelo Freixo, do PSOL. Apesar de não simpatizar muito com o PSOL, Freixo é uma das melhores coisas que aconteceram recentemente na nossa politica, tão pragmática e afastada das ruas. Um cara vertical, corajoso, que conversa com todos e tem muita clareza do que é a gestão publica. Um luxo carioca ter uma pessoa desta envergadura moral pleiteando a caneta que assina o diário Oficial da cidade.
Mas, e sempre tem que ter um “mas”, pegamos uma semana muito fria. Fez 17 oC , e algumas peruas da zona sul tiraram do armário suas peles, tipo algumas velhinhas que vemos na rua XV de vez em quando. Um vento frio e uma neblina castigaram a cidade. Meu amigo Mauro Geraldes, que nos hospedou no final de semana nos lembrou da canção de Adriana Calcanhoto, dizendo que o inverno no Leblon era quase glacial. Fomos tomar uma cerveja perto do canal que separa o Leblon de Ipanema, e concluímos que ela estava certa em sua definição.
Ao dar adeus ao Rio, uma certeza: Continua lindo. Outra certeza:  Voltaremos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

VIDA DE PROFESSOR

Um óculos de leitura e uma caneta vermelha já bem usada...assim que a gente vai levando, não se sabe bem para quem  ou pra que...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

TRIBUZANA NA RESSACADA


Dante e Virgilio embarcando no Saco dos Limões com destino a Paranaguá após ver  a Avaí perder pro Atletico na Ressacada


Voltei. Estive afastado do blog por motivos profissionais – o final do semestre – por motivos de viagem e por uma desgraçada duma gripe que me derrubou nos últimos dias. Ainda meio resfriado, enrolado em cobertores nesta fria terça feira de julho, acabei de ver pela TV a vitória do Furacão contra o Avaí, na Ressacada em Floripa .
Assisti o jogo meio ressabiado, em meio a chás de limão, colheradas de mel e mantas cobrindo meu proverbial pé frio. Logo no inicio e gol. Marcelo, o primeiro nosso. Vamos ganhar! Será? Fui na cozinha pegar o mel e o guaco e, quando volto, o Avaí empatou. Fiquei meio ressabiado, olha o meu pé frio fazendo das suas. Peguei mais um cobertor e botei fogo na lareira. A presença espectral de Dante Alighieri e Virgílio, meu colegas de inferno da segundona, não fazia minha sala mais quente.
No segundo tempo, só dava Avaí. O time está melhor, sensivelmente melhor que o time que estava jogando. O meio campo com o João Paulo, a zaga estava melhor, embora o Manoel – logo ele! – falhou feio ne empate do Leão da Ilha. Mas o Avaí insistia, dominava o meio de campo e dava uns sustos meio grandes.
Ainda enrolado em meus cobertores, assoando o nariz a cada escanteio do Avaí – contei até onze – vi o contra ataque meio atrapalhado, onde o jovem Bruno Furlan fez um passe na medida para Marcelo marcar seu segundo. É grosso, o Marcelo, daqueles que matam a bola na canela. Mas tá bom, duas bicudas e três pontos cruzando a ponte em direção à Curitiba.
Quando acabou, tirei meu pé dos cobertores, feliz. Até esqueci o chá de limão por uns momentos. Ao meu lado, Dante Aliguieri estava conversando com Virgilio alguns detalhes da classificação da série B. O cheiro de bodum da terceirona ainda está no ar, segundo eles, em seu poético linguajar. Entretanto, pelas frestas da janela está entrando o ar puro. ou seja, estamos mais perto do G4 do que do Tartaro infernal da terceira divisão. Mas é pouco.
Sábado que vem, pra derrotar o vice-líder Vitoria, o time vai ter que ser uma Tribuzana la em Paranaguá. Tribuzana, como se diz na Deitada-a-beira-do-mar – e também em Paranaguá -  é uma tempestade marítima com ventos fortes. Ainda não é um Furacão, mas dá um banzeiro, ou seja, ondas altas que impressionam. Xô, pé frio! Se a canoa não virar, a gente chega lá?

sábado, 7 de julho de 2012

O PULSO AINDA PULSA?

Einstein e Openheimer, rubro-negros quânticos, verificando a colocação do Furacão na tabela da Série B, bem pequenininho, quase do tamanho de um bóson de Higgs...


A grande notícia da semana foi o anúncio, por parte de alguns físicos do CERN, o grande laboratório da suíça, do bóson de Higgs. É interessante notar que o tal do bóson, depois que foi apelidado de “A Partícula De Deus” pelo premio Nobel de física de 1988, Leon Lederman, virou uma celebridade subatômica. Para os desavisados e preguiçosos de tentar entender uma integral e uma derivada, como eu, nem sei de que estes caras estão falando. Bóson? Méson? Píom? Múon? Estou fora.
Já pra alguns religiosos desavisados – e achei alguns pela internet - estão a comemorar as tais das “provas da existência de Deus”. Calma lá, que o santo é de bósons ! A única coisa que os malucos de jaleco branco disseram foi que foi detectada, numa das experiências que eles alegremente fazem lá no CERN, umas partículas subatômicas que podem ser – friso o “podem ser” - as tais que foram propostas teoricamente por Higgs em 1964, este ano tão fatídico. Se existir o tal bóson, isso fortalece a atual teoria que explica a constituição e origem do universo. Se não existir, os cientistas abandonam este modelo de explicação e vão ter que fazer outro. Nada a ver com a existência ou não de Deus, portanto. Essa discussão é em outro lugar.
Enquanto isso, estou aqui acompanhando pela internet o jogo entre o Atlético e o América-MG lá no Independência. O “Coelho” arrebentou no primeiro tempo e fez dois a zero. Dois bósons a zero, segundo Higgs. Ao meu lado, gusano começa a fazer piada com os bósons, segundo ele as “partículas palhaças de Deus”. Piada digna de um verme mesmo.
Enquanto isso, Gabriel Marques faz o primeiro gol do rubro-negro desde os 3 a zero no Barueri, em 1º de junho. Trinta e seis dias sem balançar as redes. Trinta e seis dias, quatro jogos e dois técnicos depois, finalmente um gol, um golzinho. Que fase, meu bóson de Higgs!
Urru!! Empate!! Paulo Baier, craque desde o Velho Testamento, meia-armador da Arca de Noé, deixando sua marca no Independência!! ARG!! Os caras desempataram... Aos 36 do segundo tempo! Adeilson (quem?), que recém tinha entrado! Olha isso Jorginho!! Assim não dá!
Acabou!! E a sina prossegue, agora já efetivamente dentro da Zona de rebaixamento pra sulfurosa serie C. Nenhuma vitória desde junho, é isso ai, seus moços. Daqui a pouco Dante Alighieri e Virgílio voltam da Eurocopa, ainda meio cabisbaixos com o olé que a Azzurra levou da Espanha. Enquanto isso, pelo menos neste segundo tempo o time brigou e até fez dois “detalhes”. Com quantos bósons de Higgs se faz um ataque que funcione? De qualquer forma, apesar da derrota, o pulso ainda pulsa.

domingo, 1 de julho de 2012

ACONTECEU EM ANTONINA!!


O MÊS DE JULHO DA TERRINHA

02/07/1941    Falecia, no Rio de Janeiro, Henrique Lage

04/07/1854    Falecia, em Morretes, Antônio Vieira dos Santos

11/07/1801    Falecia, em Lisboa, o príncipe Dom Antônio

14/07/1927    Fundado o Clube Atlético Antoninense

20/07/1873    Inaugurada a Estrada da Graciosa

25/07/1879    Nascia Davi Antônio da Silva Carneiro

25/07/1936    Fundado o Sindicato dos Arrumadores de Antonina

28/07/1923   Nascia, em Porto de Cima,  Julia Alves (Nhá Gabriela)

30/07/1949    Falecia o escoteiro Milton Oribe



(Seleção e organização de Celso Meira)

sábado, 30 de junho de 2012

O INFERNO É MAIS EMBAIXO?


imagens do jogo em Paranaguá: Atlético e Bragantino afundam  rumo à terceira  divisão -  no meio das brumas, à esquerda, a fiel torcida rubro-negra chora e se descabela

Mesmo no inferno, é bom ter a companhia dos amigos. Mas hoje estou aqui, só com meu amigo verme, o Gusano, o verme da garrafa de mezcal. Para acompanhar via internet o jogo de hoje, lá (aí) em Paranaguá, estou desfalcado dos ectoplasmas de Dante Aliguieri e de Virgílio, que estão acompanhando a grande final da Eurocopa de amanhã, entre a Itália lá deles e a Espanha. Deve ser um jogão, esse. Enquanto isso, o Furacão de técnico novo – o terceiro em menos de dois meses – enfrenta o Braga, o bom e velho Braga que, como nós, anda literalmente caindo pelas tabelas.
Gusano, meu amigo engarrafado, está aqui do meu lado com sua cara cínica de verme entediado. Lá em Paranaguá, o Furacão ataca e ataca, mas nada. Se pelo menos fosse o time da Espanha, que toca a bola, mas não tem penetração, o time não tem nem a bola nem a penetração. Resultado: um monte de gols perdidos!!
Aos 28 do segundo tempo, pelo placar da UOL, Giancarlo invade a área do Atlético se enrola com a bola e simula um pênalti. Pela simulação o atacante acaba advertido com o cartão amarelo. Gusano me olha com uma cara de “eu não disse?”. Vou ao banheiro.
Dos 33 aos 35 varias jogadas, tudo pra fora: Harrison quem? Thiago Adan? Thiago Ãn? Cade o ataque desse time, Petraglia!!
Aos 38, olha o contra-ataque dos caras. Wewerton (quem?) defende. Tá virado em chapéu velho esse time. E agora? Nem encaro mais Gusano aqui do meu lado.
Acaba o jogo. Gusano fica ali mordiscando umas folhas de pita. Estou ainda olhando pra tela do computador com cara de pia de mármore velha. Não acredito. Mais um zero a zero. Maravilha. Em décimo quarto, continuamos caindo pelas tabelas. Estar no inferno não é pra principiantes mesmo. Tem que sentir o hálito, neste caso o da terceirona, ali no andar de baixo. Faz parte, com diz o filósofo.
Pelo menos desta vez o time atacou, mostrou que sabe parar a bola naquele trecho entre o meio de campo e o gol adversário. O cara, o Jorginho, vai ter que fazer milagres nestas próximas semanas. Mas, cá entre nós, a diretoria, com essa frenética mudança de técnicos também tem sua parcela de culpa.
Enquanto isso, vamos remando, que o barulho da queda está perto. Temos que escapar da cachoeira. Não tem sido bom estar perto de cachoeira ultimamente...

terça-feira, 26 de junho de 2012

ONDE FOI?

De onde foi pintada a Aquarela de William Lloyd? Vejam a imagem original e compare com as fotos...
A imagem original, 1872
Vista do Morro do SAMAE (Morro da Cruz?)

Vista do Morro do Salgado


segunda-feira, 25 de junho de 2012

UMA SIMPLES ALDEIA

"Vista Geral de Antonina,1872", aquarela sobre papel de William Lloyd, 11 x 34 cm (duas folhas coladas), Liga Ambiental, Curitiba; esta aquarela foi pintada por um dos colegas de Bigg-Witther em sua passagem pela Deitada-a-beira-do-mar em 1872, o também engenheiro inglês William Lloyd. Pra uma aquarela pintada por um engenheiro, não está mal...Se estas suposições estiverem corretas - são suposições ainda - temos que esta é a mais antiga imagem da cidade até agora conhecida, agora com nome, sobrenome e data de nascimento. Aqui vai mais um trecho da passagem da missão inglesa por Antonina. 
PARTE 3
(...)
"Chegáramos a uma nova etapa de nossas viagens. As marítimas tinham terminado por algum tempo. O nosso próximo ponto era Curitiba, a capital da província, distante de Antonina cerca de 50 milhas. Sabíamos que havia uma estrada de rodagem não ainda terminada durante todo o percurso e não demoramos a descobrir os recursos do lugar quanto a transporte.
A própria cidade foi logo explorada, sendo antes o que na Inglaterra chamaríamos de aldeia.
 Vangloriava-se de sua rua principal e de algumas outras menores ou becos, que saiam dela em ângulos retos. As casas, na maioria térreas, eram construídas de pedaços de pedra trazidos do Rio de Janeiro como lastro e que, depois de sobrepostas em seco, eram cobertas de argamassa e cal. Poucas janelas eram envidraçadas e, como no Rio de Janeiro, não se via nenhuma chaminé por cima dos telhados. Nas melhores casas um cano de ferro podia talvez ser visto, atravessando a parede traseira, sob as calhas salientes do telhado, mas, na maioria, a fumaça da cozinha saia pelos interstícios das telhas.
Ao lado sul da cidade, no alto de pequena colina, assentava a igreja, velando o pequeno rebanho a seus pés.
Era evidente, pela aparência, que este era o principal edifício do lugar, no qual a arquitetura não tinha saído de sua forma primitiva, ou seja  quatro paredes e um telhado. Todavia, não obstante a simplicidade de suas construções particulares, Antonina, como um todo, seria certamente classificada de lugarejo bonito e até pitoresco, situado, como está, entre terra e agua, ao pé de gigantesca cadeia de montanhas, a “Serra do mar”, e nas praias da linda baia de Paranaguá.

Não resta dúvida que, se o ancoradouro em Antonina fosse menos limitado em extensão, a cidade teria grande futuro diante de si, mas parece que havia somente dois canais, comparativamente pequenos, onde poderiam ancorar embarcações de qualquer tamanho. No momento, a vantagem de antonina sobre sua rival Paranaguá é a de se comunicar com Curitiba por uma estrada. Se, contudo, o plano proposto de se construir uma estrada de ferro de Paranaguá a Morretes, e dai para Curitiba, for realizado, e não o traçado que tem Antonina como ponto de referência, não resta duvida que o saldo de vantagens será transferido para a cidade anterior. Quando visitei ultimamente estas duas cidades, travava-se entre elas tremenda luta pelos jornais sobre esse importante problema da estrada de ferro". 
(...)




Thomas P. Bigg-Wither, Pioneering in South Brazil. 


sábado, 23 de junho de 2012

O INFERNO É O INFERNO

Uma singela visão da ponta de baixo da tabela da segundona; quem está ali, descendo a ladeira, já sente o hálito pútrido da Série C no andar inferior...

Meus amigos de blogosfera, o inferno é positivamente o inferno. Não basta você estar na série B, é preciso sofrer. Por quê? Por que sofrer? Isso eu deixo pra metafisica responder. Ser atleticano, hoje, é sofrer, sofrer como sofríamos em minha infância, os 12 anos que ficamos na fila no paranaense, os anos mais negros e menos rubros de minha sina de torcedor. O Atlético voltou a ser um time pequeno, depois de dez anos  de vitorias constantes.
O fato é que o rubro-negro não tem mais a Baixada, pelo menos até junho do ano que vem. Estamos, isso sim, numa ladeira, lá isso estamos. Tabela abaixo. Não vi o jogo lá de Fortaleza, só vi o relato da internet. Diz que foi um jogo aberto, mas que o time não tinha ataque. Pra complicar, aos 38 do segundo tempo, Paulo Baier, que até então era o salvador da pátria rubro-negra, perdeu um pênalti. No final, um a zero pro Ceará. E nós em décimo terceiro na tabela, em plena sexta rodada.
Não sei o que o tal do Drubscky pensou, mas o time entrou em campo sabendo ser inferior ao adversário, já guardado numa tática de esperar e partir pro contra-ataque. Coisa de time pequeno. Gusano, meu amigo afogado em magoas na garrafa de mezcal, me olha com ironia e me pergunta se eu queria algo num time que está mais preocupado com seu estádio. Eu sei, Gusano, mas nós não somos um time pequeno, apesar dele estar se comportando como um. Ele me olha com pena.
Enquanto isso, o Criciúma derruba os Américas, o de Natal e o Mineiro, e toma a ponta do infernal torneio, com 18 pontos, 11 na nossa frente. Ainda tem muito caminho para andar; até o Natal saberemos se o inferno continuará no ano que vem. Nem pensar! Meus amigos coxa-branca que tiveram essa experiência, hoje  pensando na final da copa do brasil contra o palmeiras, jogaram os dois anos seguidos no inferno para o subconsciente. Bem que fazem, esquecer esses momentos.
Enquanto isso, Dante Aliguieri e Virgílio, meus companheirs de Inferno, passaram rapidamente por aqui. Estão ansiosos com o jogo de amanhã da sua Itália com a Inglaterra pela Eurocopa. Rimbaud deixou sua Estadia no Inferno por um momento e saiu pra tomar umas com seu amigo Verlaine, pra afogar as magoas pela sua França, derrotada hoje pela Espanha. Do jeito que a Espanha tá sobrando, acho difícil escapar  essa. Enquanto isso, nós vamos esperar pelo Bragantino, lá em Paranaguá. Arre!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

ANTONINA NA TERRAE DIDATICA



A revista Terrae Didática, em seu número 7, fascículo 2 publica um artigo da profa Maria José Mesquita e seus alunos do PET-Geologia (UFPR), com a minha colaboração, tratando de uma Oficina realizada durante o Festival de Inverno de Antonina de 2009. O título do artigo é: "A experiência da oficina "Do mito à natureza: educar o olhar para as Ciências da Terra" no Festival de Inverno de Antonina (PR)"

(pode-se baixar o artigo integralmente em PDF clicando aqui)

Foi a única vez que o Festival de Inverno acolheu uma oficina de cunho mais cientifico que artístico, graças ao espirito aberto de seu curador de então, o Prof. Romanelli, um grande amigo de Antonina, que tem inclusive uma tese de doutorado sobre a obra musical de Rellen Salu Bergth. A Oficina foi pensada no sentido de juntar temas ambientais e o espirito artístico que rola pelas ruas da Deitada-a-beira-do-mar durante os Festivais de Inverno. Foi uma boa experiência e muito bem avaliada pelos participantes.
O artigo que está saindo agora pela Terrae Didática, publicada pelo IG-UNICAMP, é um balanço da Oficina. A Terrae Didática, hoje a mais importante revista de Educação em Geociências do Brasil, está em vias de se tornar uma das mais importantes revistas de Educação do mundo Ibero-americano. 
Espero que apreciem.