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02/01/1740
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Falecia Manuel do Valle Porto
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02/01/1960
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Falecia o Dr. Carlos Gomes da Costa
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12/01/1713
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João Rodrigues França, Governador da Capitania de Paranaguá, concedia
terras a Manuel do Valle Porto (sesmaria da Graciosa)
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14/01/1871
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Nascia, em Curitiba, Ermelino Agostinho de Leão
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21/01/1857
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Villa Antonina era elevada à categoria de Cidade
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26/01/1971
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Inaugurada a Usina Capivari-Cachoeira
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26/01/1952
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Jangadeiros. Realizando um raide de fortaleza Ceará a Porto Alegre (R.G.S)
chegou a Antonina em 26/1/52 - componentes jangadeiros - chefe mestre
Jeronimo Andrada de Souza, Manoel Pereira da Silva, João Batista Pereira,
Manoel Lopes Martins. No Rio ingressou na jangada o jornalista do Globo
Venizio de Lima e em Paranaguá Paulo
Frei Pereira do serviço de caça e pesca e Diuone Machado da Delegacia Marítima
do Trabalho do Paraná. (ANOTAÇÕES MANECO PICANÇO)
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27/01/1973
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Inaugurada a Estação
Rodoviária Municipal José Thomás do Nascimento
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30/01/1942
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Chegada dos heróis escoteiros ao Rio de Janeiro
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30/01/1955
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Inaugurado o prédio do Fórum
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(COLABORAÇÃO DE CELSO MEIRA)
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sábado, 17 de janeiro de 2015
JANEIRO EM ANTONINA!!
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
É SÓ NA LUA QUE ANDA E FICA BARATO
(conversa de caboclo do litoral e
interior)
Época de caranguejo.
Estava a CR$10,00 a duzia.
Um caboclo do interior chega ao mercado
e vendo pouco caranguejo pergunta o preço e obteve a resposta de CR$10,00 a
duzia, que achou caro. Indagou se não ficava mais barato o que obteve a
resposta:
- Só na lua...
O caboclo ficou intrigado, e
retrucou:
- Porque só na lua?...
- É só na lua que ele anda.
O caboclo fez uma pauza e disse...
- Eu bem que cismei que um bicho tão feio
como este, parecido com uma aranha, só pode ser coisa de outro mundo, e se ele
vem da lua até é barato por CR$10,00 a duzia.
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Histórias de Seu Maneco
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
UM DIA DE SOL E CHUVA
em memoria de Salvador Picanço (1934-2008)
Ontem aqui em casa o céu amanheceu azul, azul. Parecia céu
de inverno, mas não era. Lá pelas duas da tarde o calor estava forte, e no meio
da tarde chegamos fácil a 32°C na sombra. Às 6 da tarde, nuvens se acumularam. O
céu pretejou e começou a ventar, ventar mais forte, e dali a pouco começou a
chover. Choveu uma chuva fraca, mas firme, até a hora de ir deitar.
Quando chove assim e a gente coloca a cabeça no travesseiro,
é hora de pensar. Pensar o quê meu Deus? com tanta coisa na vida que a gente
tem que pensar! É aula, é aluno, é
colega, é o programa de pós, o currículo Lattes. Pode ser também o de dentro: a
casa, a próxima reforma da casa, a vida dos filhos, dos pais, dos irmãos tios e
cunhados. Pode ser também a vida dos amigos, dos filhos dos amigos. Pode ser
aqui, pode ser o mundo, pode ser tanta coisa...
Ontem, pensei no meu pai, que teria completado 81 anos. Pensei
na sua vida, na sua força, no que significou pra mim. Eu, menino, morria
de medo de levar bronca: era bronca por tanta coisa, que eu nem sabia de onde
vinha. Meu pai era um ser enorme, capaz de me levantar do chão, capaz de me dar
umas palmadas meio envergonhadas, capaz de me dizer coisas ou apontar meus
erros com voz de trovão.
Depois, mais da minha altura, ele começou a ter fraquezas,
começou a ser humano. Eu agora via os seus erros, suas falhas, seus lapsos. O pai,
que antes era um Zeus olímpico, passou a ser humano, demasiado humano. Mas era
meu pai, e eu sempre respeitei muito suas opiniões e atitudes, embora nem
sempre concordasse com elas. Achei por um bom tempo que iria ser diferente, que
iria fazer diferente. Porque, afinal, eu não era meu Pai.
Algumas falhas de meu Pai eu deplorei, mas tentei acha-las também
em mim. Para meu grande espanto, elas também estavam lá, grudadas feito o limo da
calçada de sua casa. Tenebrosa como os cantos escuros dos quintais de minha infância,
cheios de lesmas, caramujos e bichos nojentos. Minha primeira sensação foi de
espanto e terror: eu era igual a ele.
Quando sai de sua casa e comecei a minha vida é que eu vi o
quanto era dura a vida de meu Pai. Comecei a ver que eu não conseguia ser
diferente dele e, em muitos casos, eu conseguia mesmo ser pior. Frequentemente me
comparava com ele, e me sentia sempre menor, mais fraco, mais tolo, mais “mocorongo”.
O que eu poderia fazer pra merecer algo dele?
Tentei, os céus bem sabem que tentei. Adorava ligar pra ele
no seu aniversário, quando estava viajando longe. Quando estava por perto, eu
ia lá, conversar na varanda da sua casa um monte de coisa sem nexo, futebol,
politica, historia. Sobre Antonina, suas belezas e mazelas, conversávamos sempre. Do muito que conversamos, infelizmente acho que conversamos
pouco o que sentíamos um pelo outro. Éramos os dois “homens demais” pra aquela
conversa chororô.
O fato é que amei profundamente aquele velho ranzinza e
turrão. Como não poderia amar aquele homem? Acho que não sou ranzinza e turrão,
mas carrego zelosamente outros defeitos dele comigo. Tenho muito orgulho de ter
feito parte de sua vida, de ter tomado café com pão d´água na cozinha, de ouvir
seus planos, suas ideias. Homem pra ter planos e ideias, meu pai. Nos últimos anos,
lembro de ter, junto com minha mãe e minhas irmãs, brigado com ele pra ele tomar
remédio, brigar pra ele seguir repouso, e essas coisas que se diz quando se ama
um doente querido, mas chato.
Hoje, amanheceu outro dia. A chuva parou, o céu amanheceu
novamente azul, mas o sol não deixa dúvidas de que será outro dia quente. Os
sabiás aqui do quintal estão já trabalhando em seus ninhos. Lembro com carinho de seu Dodô, de sua vida e
de seu exemplo e sigo adiante, vivendo minha vida, mas carregando fortemente em
mim as lembranças dele.
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e agora?,
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
A GAZETA ANTONINENSE!!
![]() |
| O jornal a Gazeta Antoninense, de 1884, deliciosa recordação do passado da Deitada-a-beira-do-mar |
Neste dia em que a deitada-a-beira-do-mar faz seu
aniversário de 217 anos – mas com um corpinho de 216!– apresento uma singela
recordação de um importante documento para o povo capelista disponível aqui na
internet (ver aqui). Trata-se de uma cópia do jornal “gazeta antoninense”,
numero 3, de 16 de novembro de 1884, publicado pelo site da hemeroteca digital
da Biblioteca Nacional. A hemeroteca digital é uma imensa e amigável
plataforma, onde se podem encontrar muitas outras preciosidades...
A princípio, sabemos pouco da referida “Gazeta”: no
subtítulo ela se intitula como “órgão imparcial”, com publicação semanal. Seu
diretor era Joaquim S da silva, que já colocamos aqui como um dos pioneiros da
imprensa capelista, ao lado de tantos outros que vieram depois, já no século
XX, como João Leite e sua filha Armandina, Admaro Santos e outros, numa lista
bem extensa. Neste único exemplar, que somente
foi preservado porque foi enviado ao Coronel José d´Almeida, residente na corte
(Rio de janeiro), temos algumas noticias interessantes.
No editorial, um texto falando sobre a potencialidade do
município, pedindo a união dos “esforços particulares, com o auxilio protecionista dos
poderes provinciais”, para cuidar do incremento da produção de cachaça em
Antonina. Convoca os agricultores e capitalistas para a indústria da cana, que
então estava sendo importada para nossa região, em notável prejuízo para os
agricultores. O texto conclama para uma união de capitalistas e agricultores,
junto com uma politica fiscal adequada para reverter este quadro.
Ainda na primeira pagina, na seção de noticias, é
reproduzida uma representação conduzida pelo coronel Teóphilo Soares Gomes,
pedindo a construção do ramal ferroviário para antonina. A representação é
citada por diversos homens públicos e comerciantes da cidade. Trata-se de uma
importante reivindicação, pois com a construção da ferrovia, antonina perdia a
primazia em termos de transporte de mercadorias para o porto, encarecendo o
produto e prejudicando os comerciantes da cidade. Este ramal viria a ficar
pronto em 1890, seis anos depois desta representação.
Na pagina 2, há uma noticia policial: a liberta Maria,
conhecida pelo apelido de “Sacandé”, teria amanhecido morta na estrada do
Itapema. A notícia informa que, tendo o habito de se embriagar, a vítima estava
ferida por “instrumento cortante”. Como há pouco s dias a vitima havia entrado
numa briga com o cigarreiro Luiz Fernandes, quando este espancava uma mulher,havia forte indicio de crime, e o texto diz esperar do Sr. Delegado os devidos
esclarecimentos.
Outra noticia criminal é de um homem que foi preso ao
desembarcar do paquete “Aymoré”, que entrara na nossa formosa baía vindo de Santos no dia 10 de novembro último.
De uma verificação no seu quarto, no hotel Camacho, foram encontradas
jóias e cerca de 702$000 em dinheiro. Ao que tudo indicava tratava-se de um
fugitivo que vinha de Santos, onde havia cometido um terrível crime.
Aguardava-se a requisição das autoridades paulistas para que o criminoso fosse encaminhado àquela
praça.
Nesta pagina há também uma poesia satírica de Alberto Corte
Real, dedicada a seu amigo Teóphilo Soares Gomes. Nela, o eu da poesia relata
um sonho em que seria herdeiro de Rotschild, célebre banqueiro judeu. Mesmo
sendo bom cristão, o “ouro cegou-lhe os olhos da alma”, e, de maneira
demoníaca, entregou-se aos prazeres da riqueza e da luxuria sem freios. No
entanto, quando o sono acabou, o único alívio que sentiu foi ter acordado tão
somente “um bom cristão”.
Nos anúncios figurava com especial desenvoltura o senhor
Manoel Miranda, vendendo desde bules e açucareiros de ferro até camas de ferro.
Há também uma extensa propagando do sulfato de quina Marca Flexa, tendo ainda
um parecer do doutor Joaquim Câmara, do Rio de Janeiro, que atesta as faculdades
e a pureza da medicação.
Por último, mas não menos importante, Antonina recebia por
aqueles dias o magico Jules F Bosco, um artista internacional mostrando seus
talentos para os bagrinhos. O anuncio do espetáculo era um primor de horror, ao
menos para a época. Um homem (seria o próprio Jules F Bosco?) segurando uma
cabeça ensanguentada. Queria pegar uma maquina do tempo e ir lá ver.
Enfim, um singelo presente para meus queridos conterrâneos,
hoje envoltos em tantos escândalos e confusões e que merecem olhar com carinho e curiosidade
para esta interessante documento que nos mostra a capela de outras eras...
![]() |
| Anuncio do espetáculo do magico internacional Jules F Bosco na Antonina de nossos trisavós!! |
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
DE FOCAS E OUTROS BICHOS
| As focas estão brabas!! |
Antonina está na mídia por estes dias. Não por suas belezas, por sua história ou por
seu povo, sempre tão alegre e generoso. As
noticias do afastamento de João D´Homero e a guerra de liminares que se trava
por estes dias na Deitada-a-beira-do-mar são o grande assunto na cidade e sobre ela.
João pode até vencer a batalha de liminares, mas perdeu uma
importante batalha na guerra de seu mandato. Se sua atuação fosse proba, se sua
atuação fosse correta e eficiente, se a população visse nele alguém que luta
por ela e não por seus interesses ou de seus amigos, certamente não estaria
passando por este perrengue todo. Nenhuma das gestões anteriores que me lembre,
embora algumas tenham sido abaixo de zero nestes quesitos, superaram o desgaste
desta atual gestão.
João pode vencer a batalha das liminares, pode cabalar uns
votos na câmara, pode achar algumas brechas na lei, mas nada esconde o fato de
que sua gestão está sendo, no mínimo, insuficiente. O descaso com a Saúde parece
ser a ponta de um grande iceberg que pode vir a tona com investigações livres e
desimpedidas.
Por falar em iceberg, parece que um dos factoides da reunião
da câmara na terça, quando se decidiu pela comissão processante, foi a fala de
um vereador, chamando os cidadãos que ali estavam de “focas amestradas”. Além da infelicidade de investir contra cidadãos e eleitores, parece que o referido vereador é quem parecia amestrado, ao defender
o indefensável. Sim, pois onde há fumaça há fogo. A coisa pública não pode ser usada
como se privada fosse. Há que se investigar.
Depois de junho de 2013 nosso povo perdeu a paciência, para
o bem ou para o mal. Estamos impacientes, estamos com pressa. Não se trata de
se fazer o que sempre se fez, há que se fazer mais: saúde, educação, transporte
publico, tudo isso é importante e urgente. Não se pode brincar com estas
coisas. Mas aparentemente, o poder público municipal é que estava equilibrando
bolas, batendo palminha e dando gritos roucos pelas ruas. E ainda querendo
apanhar todos os peixes que lhe eram atirados.
A câmara está cumprindo seu papel. Parabéns ao presidente da
câmara, vereador Márcio Balera, que, no meio deste nevoeiro, leva o barco
devagar. Com calma, respeito às leis e transparência, tudo há de ser
esclarecido. E esse é, precisamente, o papel dos vereadores, o motivo pelo qual
de quatro em quatro anos sejam reconduzidos a seus cargos: fiscalizar o
executivo.
O que não pode, o que não dá, é a situação que encontrei em
fins de setembro na terrinha, com pessoas insatisfeitas, um poder público
arrogante e descompromissado, serviços públicos insuficientes. O povo elege, acredita, confia. Se não confia,
protesta, pede pra sair. Se for o caso, tem que sair, é do jogo.
Antonina quer mar, arte e amor; mas com saúde, educação,
transporte publico de qualidade.
Focas, leões marinhos e outros bichos querem respeito.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
IMPEACHMENT?
E não é que o assunto mais quente do momento não é Dilma nem
Aécio, mas sim João Ubirajara Lopes, o João D`Homero?
Quando estive em nossa querida Deitada-a-beira-do-mar, há cerca de um mês, fiquei muito assustado com as histórias que ouvi sobre a gestão de João
D`Homero, aqui e ali. Ouvi casos escabrosos de problemas administrativos de sua
gestão, contados desde por quem enfrentou sua candidatura nas urnas até os que
foram de sua base de apoio desde o mais tenro início. Do que ouvi, tudo se
resumiu a desânimo e desalento com o prefeito e sua gestão.
Parece que o prefeito eleito se encastelou no poder, qual um
rei em seu trono, e que imaginou que os mais de cinco mil votos que recebeu
fossem uma grande promissória, a descontar em quatro (ou oito!) anos. Um rei sem
compromisso com quem o colocou ali, ou seja, com os cidadãos, sem compromisso
sequer com os que o ajudaram na campanha. Com truculência e bravatas, tratava
de calar no berro seus inimigos políticos. Terminou por se isolar até mesmo dos que o
apoiaram e continuou teimosamente a fazer-se de surdo ao tal "clamor popular".
Lembrei-me de que, durante a campanha eleitoral de 2012 fiquei realmente
assustado com seu plano de governo, cheio de promessa vagas e pouco
consistentes (ver aqui). Comparei-o, na época, ao cavaleiro inexistente de Calvino,
o que só existia dentro de sua armadura. Vejo que agora, sem um norte, o
cavaleiro branco que ganhou os corações e mentes da cidade em cima de um trio elétrico
não tinha mais consistência que uma alegoria de escola de samba (com todo o
respeito às escolas de samba de minha terra e suas formosas alegorias, claro!).
E o que era clamor, virou protesto. Virou panelaço, virou
passeata (aqui) e, por fim, virou um pedido de cassação, movido pela advogada Ruth Fernandes. A Câmara,
em que pese os vereadores mais combativos, travava um combate um tanto quanto
passivo, com reclamações pontuais. Com o pedido de cassação, os nobres edis
foram obrigados a tomar uma atitude mais consistente. Vejo nas redes sociais
grandes "rencas" de anônimos (infelizmente anônimos) reclamando dos vereadores: ué,
eles são os vereadores que temos! Foram legitimamente eleitos. E, ouvindo o “ruído
rouco das ruas”, pelo menos alguns deles tomaram uma atitude (ver aqui).
Não sei o que vai ser da tal da “comissão processante” da Câmara Municipal de Antonina, mas
desejo-lhe sorte e coragem. Sorte pra navegar nestes mares bravios da
investigação minuciosa da má gestão e da incúria para com a coisa publica. Há que
se ter estomago. E coragem pra mudar o que tem que ser mudado. Não podemos
conviver com governantes que, embriagados pelo poder, esquecem-se do motivo
principal para o qual foram eleitos.
Doa a quem doer. Nossa querida Deitada-a-beira-do-mar não merece mais sofrer assim.
sábado, 16 de agosto de 2014
FESTA DE N.S. DO PILAR (DE 1929!)
FESTA DE NOSSA SENHORA DO PILAR
POR OCTAVIO SECUNDINO
Quando Antonina está no reinado da Virgem do Pilar, ricos e
pobres se confraternizam.
O mercado tonar-se repleto de “iguarias do mar”.
Lembra-se do tempo dos Rosas, dos Quarteis, dos Nunes, dos Pires,
dos Mellos, dos Ribeiros, abastados donos de sítios de fartura.
Ao tempo do prefeito, o eminente chefe republicano Coronel
Theóphilo Soares e do saudoso cidadão patrício Coronel Libero Guimarães, era
estabelecido o preço fixo para a venda de peixes, mariscos, fructas e outros “saborosos
da praia”, para que não houvesse excesso de zelo..., especialmente para quem
aparecesse no caes com ares de “curitybano”.
Era o tempo do 3 por
2; do “5 por um tostão”, do “um por um vintém”.
Constitue um dos encantos do visitante a ida ao mercado e
assistir, da rampa, o espetáculo grandioso que oferece os portos de mar, em dia
de bom tempo, ceo azul, mar esverdeado, ora
calmo, em plácido marulhar, ora agitado, nervoso, erguendo ondas que se
perdem ao longo do horizonte, lá, muito lá fora; a bahia sulta de embarcações,
os morros que a circundam, limpos de neblina, e tudo isso , esse desenrolar de belezas
deve-se ao mar, o misterioso mar:
Vejo-te às vezes calmo, serenado,
E de repente crespo, revoltado,
Em montanhas de enormes galahões,
Por ti ó mar vivo enamorado,
Vendo surtos, em te seio esverdeado,
Os bergantins de nossos corações...(OS)
O tempo, no decurso da festa se conservou firme, belíssimo,
ceo azulado, temperatura agradável.
O povo teve como milagre o fato de ter soprado, 5 dias,
forte noroeste, sem agua.
A chuva só veio no dia 16, depois de encerrada a festa.
Lembram os romeiros que, no ano passado , por ocasião da
festa, choveu 9 dias seguidos, até o dia 14, e no dia 15, festa do Pilar,
amanheceu branda a temperatura, dia lindo, ceu optimo.
O povo, nestes dias claros do 8º mez do anno, acorre ao
recinto sagrado, cheio desse clarão imortal da fé e da crença, dessa bemdicta
fé que com luz explendente ilumina o infortúnio com seu piedoso e meigo
sorriso; dessa bemdicta crença que avassala os corações, para entoar hymnos da
paz, preces de amor a virgem Cheia de Graças, numa vibração sonora e de
mysticos encantos aflorando com a nobreza de sentimentos, que são o sacerdócio do
culto dos bons religiosos.
E o tempo da virgem, com Tropheos de milagres, orgulhoso das
galas da santa, literalmente engalanado, parece querer alargar-se para dar
logar aquelles que pedem lado para provar a sinceridade de sua veneração, num
profundo silencio, num verdadeiro sentimento religioso, o fervor de sua fé, a
santa, que em seu templo, branco com ao paz, acena aos navegantes, divinas
promessas que a fé infunde nos corações dos que, entre o ceo e o mar, nos dias
e nas noites de tempestades, volvem a lembrança para o orago milagroso.
Quando a virgem do pilar, em procissão, sahiu a rua, durante
todo o santo passeio, os sinos da matriz, do s. Benedito e do Bom jesus do
Saivá repicavam alegremente, esturgiam foguetes, tocavam as bandas musicaes da Policia,
Lyra Infantil, e as dos Menores Marinheiros de Paranaguá e salvavam os
morteiros, até se recolher o cortejo, após se percorrer as ruas marcadas da
cidade e, que, ao entrar, em seu santuário, a virgem do Pilar, abençoa a terra
e o povo antoninense, a todos os seus fieis e romeiros.
Preocupou o espirito dos crentes, o facto de, quando a santa
passava pela rua 15, quase cahira a sua coroa, porem tal fato não merece
aprehensões , porque foi, tão somente, por ter estado a cidade com suas ruas
embandeiradas em arcos e ao passar por um deles, os que levavam o andor não o baixaram
suficientemente, de modo que a coroa bateu-se nos arcos.
Não foi um mal. Foi a coroa da Rainha do que quis tocar as
palmas, as bandeiras e as flores, com que a glorificavam os que a adoravam. .
No pateo da matriz haviam lindas barriquinhas que iluminadas
a noite ofereceram lindo aspecto. Appareceram de fora, uns pavilhonetes com
jogos – um dos detestáveis e nojentos vícios que putrificam a humanidade – mas que,
o zelo precioso do dr. Prefeito e a aplaudida e sensata acção do Tenente
delegado, fizeram desaparecer.
A noite, uma rica noite de prata, os clubs abriram,
sorridentes, os seus vastos salões.
O Club Antoninense, tradicional de meio século, creado em
agosto de 1873 por Hipólito Joaquim Theodoro de Oliveira, presidente; Manoel Pacheco
de Carvalho, vice –presidente; João Álvaro de Aguiar, 1º secretario; Antônio José
da Luz, 2º secretario; Joaquim Barnabé de Linhares, Thezoureiro, e João Manoel Ribeiro
da Fonseca, procurador; deu brilhantíssima nota.
Nesse veterano club não há muito tempo, encantaram com a sua
proveitosa acção; Coronel Theófilo, Coronel
Líbero, Coronel Marçallo, Dr Quincas Mendes, José f de O. Marques, João Vianna,
Lourenço da Veiga, Polycarpo Pinheiro, Joaquim Muniz, Dr. Cunha Bueno, José
Leandro, Alves dos Reis, Joaquim Loyola, Praxedes Pereira, Antônio Soares Gomes,
Lauro Loyola, Theófilo Marques, e outros.
No Club 14 de julho, foi um baile a altura de grandes
festas. O sympático club, de vibrações de Salvador Picanço, Erasmo Vianna,
Sebastião Damaso de Souza (o sempre lembrado Nho-nhô Libanio), Cel. Benigno Lima,
Cel. Leopoldino de Abreu, Agostinho Marconi, Coronel Antônio Macedo, Cel.
Joaquim Linhares, João Luiz, Arthur de Sá, Alfredo Neves, Carlos Withers,
instalado a 14 de julho de 1908, relembra as victórias da sociedade
antoninense.
O Club dos Operários primou pela alegria.
Nos três representativos da elite capelista, o enthusiasmo,
a cordialidade, a satisfação e o bom tato imperaram.
As bandas da policia, a banda Lyra Infantil, do incansável Maestro
Urquiza e a banda dos Aprendizes Marinheiros, constituíram nota chic da festa.
O batalhão da Marinha, com seu garbo, ordem e disciplina,
vindo de Paranaguá, e comandado por apreciável oficial, realçou grandemente os
festejos.
Em tudo o que participou da festa, que do logar, quer de
fora, houve um conjunto harmonioso.
Os festeiros: Exmo Dr. Affonso Alves de Camargo, presidente do estado; Egberto de
leão; Madame general Carlos Cavalcanti. Madame general Adalberto Menezes, e
outros dignos cavalheiros e distinctas damas, concorreram sobremodo para a
pompa, realce e brilho da festa.
Terminando nossa pálida descripção, terminamos entre
saudades e amor do berço – ninho, em apagadas ruinas, cantando:
Há 42 annos – bela sina!
Foi que tive a ventura de nascer
Numa saudosa casa pequenina
Que imprimiu a ternura de meu Ser.
Foi na rua da fonte, em Antonina
19 de outubro. Que praser!
Foi um dia como este. E que divina
Primavera de amor a florescer!
Minha terra natal, risonha e bela,
Onde cantam os marujos, ó Capella
Que eu amo e exalto neste meu cantar.
Bemdicta sejas por teu sonho e brilho
Pela saudade e amor deste teu filho
Pela bençam da Virgem do Pilar!
Octávio Secundino
Curitiba, agosto - 1929
(essa pequena pérola achei no Jornal "A Republica", um dos mais importantes jornais do Paraná na época (clique aqui); é uma descrição, do ponto de vista das "zelites", como era a festa de NS do Pilar. Eram os tempos mais ricos da cidade, que nunca ais teria essa importância nem econômica nem social. )
sexta-feira, 11 de julho de 2014
BRASIL SEM VERGONHA
| Paisagem dos arredores de Pequim, vista da janela do avião |
No dia da minha partida pra Pequim, estava cansado com os
preparativos da viagem, pra deixar tudo “mazomenos” em ordem antes de uma
viagem mais longa. Quando me despedi da Maria José e entrei no ônibus, lembro-me
de ter visto um adesivo num carro escrito: “Brasil Vergonha”. Não sei de que, o
brilho do sol não me permitiu ler mais. Vergonha de quê? Não consegui entender.
Dormi um pouco e quando acordei, na marginal, um pôr do sol
pálido e tranquilo contrastava com a barulheira do transito. Tive inclusive um
pouco de dor de cabeça. Quando chegamos ao aeroporto e descemos do ônibus, não
tinha ninguém pra conferir os tickets de bagagem. Uma senhora campineira ao meu
lado, cheia de malas, olha para os céus, e clama, com ironia: “é o Brasil”.
Corta. Depois de 26 horas e viagem e tantos quetais, eis que
chegamos em Pequim. É um aeroporto enorme, com dois terminais tão afastados que
temos que pegar um trem interno para pegar nossas bagagens. Depois de passar
pela imigração, com seus funcionários com cara de policial, fui pegar as malas.
Havia uma série de avisos para conferir suas bagagens com o funcionário. Qual
funcionário? Peguei minhas malas e me fui, olhando receoso para o lado, lembrando-me
da senhora campineira.
Fiquei pensando nessa historia de “Brasil vergonha” e “ai, esse
é o Brasil!”, que escutamos todos os dias nas ruas, nas revistas e jornais,
nas redes sociais e mesmo na mesa da sala de jantar. Eu, que saiba, só posso
ser brasileiro, não tenho como pedir cidadania em outro lugar como muita gente
que pode e faz. Nada contra, mas nunca senti falta.
(Às vezes brinco que só posso pedir cidadania no Xingu.
Porém, dado nosso histórico de relacionamento, duvido que eles lá me deem passaporte, e com razão).
Entretanto, o que é a vergonha? É com a falta de educação do
povo? É com a miséria nas ruas? É com a corrupção, o patrimonialismo e com o
preconceito das “elites brancas”? É com a plebe rude e rouca das ruas? É com os
sindicalistas e sua “República Sindicalista” sempre a apavorar os sonhos dos
patrões? Parece estranho, mas quando se
articulam estas frases, elas estão sempre com “Eles, elas” como sujeito. Nunca “nós”.
Nós não somos culpados, por ação e/ou omissão, das nossas mazelas nacionais? O que fazemos para sana-las, a sério?
O Brasil não é o melhor país do mundo, muito menos o pior.
Mazelas têm até na Noruega. Temos problemas seriíssimos e uma estrutura de
sociedade que não ajuda muito. O acesso a educação é, na minha modesta opinião,
o maior gargalo nacional. Vontade sincera de mudar, de incluir e educar deve
ser vista com carinho. Quem realmente quer mudar pra incluir?
Não me convence o discurso da vergonha. Não tenho vergonha
de ser brasileiro. Tenho vergonha sim de mazelas, de injustiças e de
descalabros, como rotineiramente acontecem por aqui. Mas isso nunca vai me
fazer querer ter outro passaporte, nem um endereço no exterior. O que acho que tem que mudar eu
mudo na minha pequena vida – educando pessoas (e me educando), discutindo questões
importantes, e tantas outras coisas da cidadania.
É preciso para com a vergonha, com a culpa e outros
sentimentos desse naipe. Precisamos é fazer a massa, assentar os tijolos,
colocar o cimento, acender o fogo, chamar os vizinhos e viver, viver , viver.
Sem vergonha.
PS - escrevi este texto antes dos 7 a 1, evidentemente
PS - escrevi este texto antes dos 7 a 1, evidentemente
sexta-feira, 20 de junho de 2014
UM PAÍS CHAMADO "BAXI"
Diversas vezes, enquanto estive lá, na China, as pessoas me
perguntavam de onde eu era. Quando eu respondia – “Brazil” – invariavelmente escutava logo em seguida: “World Cup?” ou “football?”. No aeroporto, em ônibus e no metrô, em Pequim e nas
outras cidades que visitei, eram comuns cartazes e outdoors falando algo do Brasil
por conta do mundial.
Houve só uma pessoa que se mostrou bem informada sobre nós:
um jovem, na Praça Tiananamen, corretamente se referiu ao Brasil e comentou e sobre
os protestos contra a copa. Mas foi só. Exceção, o rapazinho de Tiananmen parecia
alguém que já tinha viajado um pouco por aí. Os outros não demostravam o mesmo
conhecimento. Um colega, geólogo do serviço geológico, chegou a me perguntar se
o Brasil ficava na África. Outra pessoa, em outra circunstância, também me
perguntou o mesmo.
O que eu entendi é que os chineses não dão muita atenção pra
gente. Não o chinês médio, é claro. Afinal, a China é e sempre foi, para eles, o
centro do mundo. Antigamente, referiam-se à China antiga como o império do centro, ou o império do meio. O meio
do mundo. O umbigo é muito forte na concepção chinesa do mundo. O que fica de
nós pra eles é uma vaga lembrança de um país que gosta de jogar futebol e, além
disso, o país que está sediando a copa do mundo. Isso somos nós, para eles.
O exotismo de um país distante, tropical, onde as pessoas
gostam de jogar futebol parece ser a ideia que os chineses, e também o resto do
mundo, acabam tendo de nós. Claro que encontrei Croatas que zombaram dizendo
que iam ganhar da gente (sorry!), ou austríacos comentando sobre nossas
possibilidades no mundial, ou ainda argentinos secando a gente. Tudo isso é o
mundo. Vivíamos de TPM (tensão pré-mundial).
Hoje somos um país meio casmurro e muito mal humorado, em
que boa parte (e parte pensante) rejeita a Copa do Mundo. Rejeitamos mesmo a Copa
do Mundo? Sim, é um festival de breguices, de lugares comuns, de historias de
boleiros que só fazem sentido dentro das quatro linhas. Sem falar, é claro, dos
superfaturamentos, das obras de mobilidade inacabadas e outros quetais. O que
se percebe é que, talvez, nosso mau humor com a copa seja fazer com que as
pessoas lá na China entendam que nós somos muito mais que uns idiotas alegres de um país
tropical que sabem muito bem cobrar um escanteio (menos eu, perna-de-pau que
sou!).
Essa contradição entre o que somo s e como somos vistos,
acho eu, fazem parte de nosso momento. Acho que temos que relaxar um pouco
dessa postura mal humorada e entender que somos na verdade um pouco isso e um
pouco aquilo. Um pouco aquilo que projetamos ser – o tal país “padrão FIFA” que
emergiu das jornadas de junho – e um pouco o país que nos enxergam, os de fora:
a terra de boleiros que deixou de ser vira-latas há mais de cinquenta anos
atrás, com Pelé e Mané.
A propósito: para os chineses, somos o “Baxi”, o tal país
que é tão bom nesse negócio de colocar uma bola no gol que eles nos copiam e nos
emulam em seus comerciais e outdoors, como na figura acima. Nesta área, somos
nós a potência que todos um dia gostariam de ser. Se seremos potência nas
outras áreas, depende de nós mesmos, com ou sem mau humor...
domingo, 15 de junho de 2014
A VIDA SEM GOOGLE
![]() |
| Vendedora ambulante na entrada do Parque Olímpico em Beijing. O que ela está vendendo? O Google sabe responder? socorro!! |
No inicio do ano, passamos 12 dias numa praia do Uruguai,
Cabo Polônio, numa casa sem eletricidade e com água de poço. Foi uma grande experiência
voltar a coisas de antes de mim mesmo, ao tempo dos meus pais e avós, numa
mundo ainda sem o tal do conforto da vida moderna. Aprendi a valorizar essas
coisas de economia de recursos, e conseguimos diminuir o consumo de água de
nossa casa, por exemplo. Sou mais observador que era com coisas de deixar luz
ligada sem necessidade. Minha avó ficaria orgulhosa de mim.
Agora, passei por outra experiência limite: nos quinze dias
que passei na China, não pude usar nem Google, nem Gmail nem Facebook. “Dar um google” ou “google
something”, como dizem os americanos, lá simplesmente não cola. Você acessa
uma vez e depois o botãozinho fica girando, girando, girando e depois de uns
quinze minutos diz que aquela pagina não pode ser acessada.
Fazer o quê? No meu caso foi ficar literalmente sem, pois os
instrumentos de busca que tem por lá são em chinês. Como entender aquela
algaravia de símbolos, que nos deixava atordoados desde o aeroporto até o hotel
e depois nas ruas nas lojas? Foi uma experiência de me sentir completamente
analfabeto, completamente estupido. Aliás, essa é a essência da experiência no
estrangeiro: virar um completo idiota que não sabe comprar um pão na esquina,
nem qual ônibus e trem vai pegar, que mal consegue dar um obrigado sem dar
bandeira.
Qual a saída? Não há saída, a não ser o aeroporto. O Bing,
se me perdoam os seus defensores (se há algum!) é uma pálida experiência. Digitar
as páginas diretamente no , como se fazia antigamente, é uma saída. Até me
lembrei de coisas de antigamente (dez anos atrás!) quando se fazia essas coisas
sem buscar primeiro no “oráculo”.
Outra coisa que me ocorreu foi a nossa total dependência dessa
coisa que se chama Google. Os chineses, ciosos da sua independência, trataram
logo de dar um basta e criar uma base de busca na qual eles confiam e podem manipular. Tanto chineses quanto o resto do mundo (é
assim a divisão que os chineses fazem do mundo, aliás) estão expostos a este
jogo onde nossa privacidade está circulando por aí livremente, pra ser usada
contra nós por governos e empresas de marketing - não necessariamente nessa
ordem. A exposição de nossas vidas, sentimentos e ideias nos dias de hoje é tão
cotidiana e ao mesmo tempo absurda que as longínquas noções orwelianas do
passado hoje são um mero entretenimento para milhões.
Não sei o que vai mudar, mas estou nesse momento dando outro
valor as experiências de tentar viver um pouco mais fora dessa Roda-viva e
tentar dar um sentido a vida que não seja essa exposição boba e narcisista que
fazemos hoje nos espaços virtuais. A vida e o mundo são maiores que isso. Mas não
podemos esquecer de seu poder e de sua abrangência. Acho que a vida sem Google me indica esse caminho, o qual eu não sei se vou conseguir trilhar, seja por
preguiça de fazer outra coisa, seja pela mera necessidade de faze-la. O que
inclusive já estou fazendo ao postar estas maltraçadas.
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Viagens viajantes
sexta-feira, 23 de maio de 2014
MUTATIS MUTANDIS
Dentre os numerosos espécimes de cordados que temos
analisado do ponto de vista da Paleontologia Imaginaria, o Mutatis mutandis é uma das mais interessantes pelos desdobramentos
de seu estudo. Trata-se de uma espécie de peixes que vivia mudando de um ecótone
para outro, com uma intensa atividade que durou praticamente todo o
Fanerozóico. Segundo Granero (1968, 2014), essas mudanças eram eventos
especiais, que envolviam diversas e distintas etapas de desenvolvimento, e
envolviam quase todo o ambiente nos quais estavam inseridos, incluindo diversas
outros espécimes.
O Mutatis sp
mudava-se primeiramente guardando objetos e utensílios em compartimentos na
forma de caixas e sacos, amontoando esses objetos ao redor de seu ninho. Era
grande a quantidade de objetos descartados neste processo (Giulian &
Granero, atas do congresso de paleontologia de Feira de Santana, 1999, pag
201-235). Estes autores calculam a quantidade de materiais descartados em 30%
do total de objetos do Mutatis mutandi.
No transporte dos objetos, era requerida a presença de
animais do gênero Descuidadus sp,
sempre presentes em grandes quantidades nesses eventos. O Descuidadus colocava os objetos de qualquer jeito nos transportes,
em geral quebrando espelhos, vasos caros, quebravam plantas, esqueciam porcas e
parafusos, riscavam as paredes, trocavam caixas e outros comportamentos bem
reconhecidos no registro paleontológico, aumentando o descarte de objetos ao
fim da segunda fase da mudança (Luisão Mudanças et al., atas do congresso de paleontologia imaginaria de Apucarana,
1994, pag 307-428).
Muitos destes também se extinguem durante estes episódios de
mudança dos mutatis mutandis. Estas situações de extinções em massa podem
atingir escala mundial. Durante o transporte, verifica-se que numerosas outras espécimes
também se mudam, como os canídeos Caidus
caminhonis e muitos outros seres, como roedores, plantas e insetos. Hoje se
acredita que a extinção em massa do fim do Cretáceo foi causada por uma mudança
domiciliar na região de Chichxlub, no Iucatã. Essa problemática foi tratada,
entre outros, por Manuel Joaquim, em seu trabalho seminal intitulado “o Mundo
Gira e a Lusitana Roda”, (Éditions du Chémin, 1956).
Os modernos estudiosos do tema não têm duvidas sobre o papel
do Mutatis mutandis nas grandes
extinções em massa do registro paleontológico. Para Granero (1995) três episódios
de mudança do mutatis mutandis equivalem a um incêndio de grandes proporções,
destruindo praticamente todo o meio. Por outro lado, Luisão Mudanças (2013)
pondera que mudanças de pequenas proporções também podem acarretar danos
ambientais profundos, principalmente se estiver relacionado com o Descuidadus sp.
No entanto, a irregularidade do registro paleontológico em
escala planetária não garante que estejamos, ainda hoje, imunes a tais catástrofes
(Fink, 2008, Atas do Congresso de Paleontologia Imaginária de Johanesburgo,
p425-456). O mutatis mutandis deve ter sido extinto no final do Paleoceno, em
meio à fase interglaciar Mindel (Fink, op. cit.). No entanto, alguns
especialistas garantem que mais mudanças vêm por aí. Reservem muitas caixas de
papelão, comprem uma boa fita adesiva e Salve-se quem puder.
sábado, 19 de abril de 2014
QUEM MATOU O PADRE PINTO?
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| O sacerdote antoninense Francisco da Costa Pinto (1865 - 1900) |
Foi no dia 19 de abril de 1900 na cidade da Lapa. Lá pelas
nove horas da noite daquele dia, o vigário da cidade, o padre Francisco da Costa
Pinto, saiu da farmácia do Sr. Olympio Westphalen em direção a sua casa. Era escuro, fazia certo frio, mas a noite era agradável. Ao atravessar a Rua da Boa Vista na diagonal, o
Padre Pinto ouviu alguém chamando: “Seu Padre, faça o favor”. Ao se voltar na
direção da voz e se dirigir em direção ao homem, Padre Pinto ouviu um forte
barulho e imediatamente sentiu um calor no peito. O homem que havia
descarregado a arma contra ele era agora um vulto correndo para a escuridão do beco. Atraídos pelo
barulho e pelo grito que o Padre soltou, os homens que ainda estavam dentro da farmácia
saíram correndo e encontraram-no banhado em sangue, mas ainda vivo e em pé. “O
que aconteceu?”, perguntou um.“Quem
foi?”, perguntou outro a sua frente. O padre mal teve tempo de dizer que não
sabia ao certo: era um mulato baixo e encorpado, vestindo um pala.
Na confusão que se segue, o padre é levado para sua casa, e
são chamados às pressas os doutores Mendes Ribeiro e João José de Carvalho. Padre Pinto, no meio de toda confusão, ainda
teve momentos de lucidez. Sem perder os sentidos, ainda disse perdoar seus
inimigos, além de pediu perdão para si mesmo, pelo mal que houvesse cometido a alguém.
O ferimento havia sido muito grande, além de grande a decorrente perda de sangue.
Logo perdeu os sentidos e veio ser dado como morto, em laudo do Dr Evangelista,
na madrugada do dia 20 de abril. Tinha 35 anos de idade.
A morte do Padre Pinto foi motivo de grande alvoroço. Sua forte
atuação na Lapa, onde fez cerrada campanha contra a Maçonaria, foi motivo de
grande polemica nos jornais da época. Politicamente, o padre estava contra o
Coronel Joaquim Lacerda, um dos baluartes do partido Republicano Federal na Lapa
e no Paraná. O Cel. Lacerda foi, junto com o General Carneiro, um dos chefes do
contingente florianista que se bateu contra os maragatos de Gumercindo Saraiva na
tomada da Lapa, na revolução federalista de 1893-94. A Lapa ainda vivia,
naqueles tempos, o sabor amargo de uma cidade dividida numa guerra Civil.
Contra tantos inimigos poderosos, não é de se estranhar a violência de sua
morte.
Nascido em Antonina em 1865, o Padre Pinto foi desde cedo um
brilhante aluno no Seminário Diocesano de São Paulo. O Seminário Diocesano, na
segunda metade do século XIX, era um ativo centro de formação de quadros para o
clero brasileiro. Poeta inspirado, bom escritor,
Padre Pinto era um espirito que adorava a discussão das idéias e a luta política.
Escreveu muito para o jornal católico A Estrella, no qual combateu com vigor a Maçonaria.
Orador vibrante, suas missas eram famosas em Curitiba, onde permaneceu logo após
ter vindo do seminário, e na Lapa, onde foi nomeado vigário em 1898. Participou
de algumas festas religiosas em Antonina e foi um dos oradores na inauguração
do mercado municipal de Antonina, ao lado de Ermelino de Leão.
O assassinato do Padre Pinto nunca foi esclarecido. Seria muito
esperar no Paraná daquela época a condenação dos assassinos de um inimigo político
das forças situacionistas. No Paraná, a cicatrização das feridas da Revolução
Federalista foi vital para a formação da classe politica até hoje dominante. A vida do Padre Pinto, suas lutas e sua morte, por
outro lado, abrem uma interessante janela para se compreender aspectos
interessantes da vida politica no Paraná e no Brasil daquele início de século.
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sexta-feira, 21 de março de 2014
BELLINI E A PÁTRIA DE CHUTEIRAS
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| O Capitão, numa velha foto, envergando a camisa que só se veste por amor |
Se existe Deus eu não sei, tenho lá minhas idéias a
respeito. Deuses, no entanto, os há e muitos. Alguns desses deuses eu tive o
privilégio de ver dentro de quatro linhas, como o grande Djalma Santos. Outros,
como o grande capitão Bellini, eu só vi em velhas fotos e em filmes preto e
branco. Sua imagem, levantando a Jules Rimet na Suécia é uma das mais sacrossantas imagens da Pátria de
chuteiras.
Hoje já não há pátria de chuteiras, está fora de moda a
ideologia de Nelson Rodrigues, o grande demiurgo do brasileiro do século XX. Naquela
época, o futebol era o que nos fazia sorrir, nos fazia sonhar ser grandes, nos
fazia deixar de ser vira-latas. Hoje, mestre Nelson, é hora de mudar o disco,
mudar o discurso, repaginar. Não precisamos nos enxergar no mundo com as lentes
do canal 100.
Mas temos deuses das quatro linhas. Temos um país que corre atrás
da bola em qualquer canto do Mundo, do gelo da Islândia aos mares do sul da China.
Somos um povo que bate tiro de meta com bicão pra frente, que cobra lateral sem
dar chance de reversão pro adversário e que bate escanteio direitinho (menos
eu, grande perna-de-pau que sou), no primeiro ou no segundo pau. Somos, com
muito orgulho, um país que cruza e vai pra área cabecear.
Hoje, as vésperas de mais um mundial no Brasil, perdemos
nosso grande capitão, o homem que levantou a taça. Segundo ele mesmo, levantou a
taça porque todos queriam ver. Certo, Capitão. Bellini foi dessa estirpe de
boleiros épicos. Que compensava sua falta de técnica com muita garra, sem ser
violento. Que dava bronca, quando era necessário, em colegas do porte de um Vavá,
um Garrincha, um Pelé. Que liderava um time que tinha Didi no meio de campo e
Nilton Santos na lateral. Definitivamente, não é pra qualquer mortal.
E nós atleticanos, ainda tivemos a alegria de ver o Capitão
com a camisa que só se veste por amor. Não foram tempos muito bons pro nosso
Furacão, mas tivemos deuses como Bellini, Djalma Santos e Brito nos fazendo
companhia. Nosso querido Marcus Porvinha talvez se lembre de alguma história e
queira nos contar sobre Bellini na Deitada-a-beira-do-mar, será que não?
Estamos meio ressabiados com a Copa. Estamos meio de saco
cheio com tanta conversa mole de estádios inacabados, de dinheiro a rodo indo
pra obras suspeitas. Sem paciência para a cartolagem, para a FIFA, para o
governo e os empreiteiros (sempre eles!). Definitivamente, este é um mundial sem Pátria de
chuteiras. Ainda bem, é um bom sinal, somos um país mais maduro. O futebol já
não é mais o ópio do brasileiro.
Isso não significa dizer que não vai ter Copa. Vai ter sim,
e durante um apito e outro, nossas vidas só terão sentido dentro daquelas
quatro linhas. Vamos gritar muito, vamos vibrar muito. Depois, quando se fecharem
as cortinas e se encerrar o espetáculo, a história será bem outra. Queremos ver
a conta dessa festa toda, e cadeia pra quem botou a mão no que não era seu. E vida
pra frente, pois o futebol é só um jogo.
A imagem épica de Bellini levantando a taça para a Pátria de
chuteiras é a imagem de um época ingênua e, quem sabe, feliz. Talvez você nos
diga, Bellini, se é verdade que a felicidade só se encontra nas velhas fotos em preto e branco, envergando uma camisa rubro-negra?
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Rubro-negro até no Inferno
quinta-feira, 20 de março de 2014
HISTORIAS DE MINHA CABEÇA
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| o personagem da cabeça voadora do filme "as aventuras do Barão de Munchausen", do Monty Pithon |
Hoje na Austrália, ou seja, amanhã aqui (é isso mesmo?) meu
filho surge do nada do facebook pra cobrar que eu escreva historias da minha
cabeça no blog. Histórias de minha cabeça? Explico: quando eles eram crianças,
e isso não faz muito tempo (entre dez e quinze anos atrás) eles viviam me
pedindo pra contar historias na hora de dormir. No começo, eram umas historias
mais tradicionais, aquelas que fazem parte do inconsciente coletivo:
chapeuzinho vermelho, cinderela, Pedro e o Lobo, e outras quetais. Certas épocas
tinha que ser exatamente a mesma história toda santa noite. Quem é pai sabe da
manha.
Depois, eu tinha outras – tinha uns contos do Câmara Cascudo,
umas historias do Pedro Malazarte e coisas do gênero. Depois, ainda contei umas
que escutava quando criança que me contava meu tio Edilson Leal – parte câmara cascudo,
pare folclore baiano e outras que ele mesmo inventava, e que nós - eu minhas
irmãs e meus primos - adorávamos ouvir quando íamos pra casa dele nas férias.
Chegou um ponto, porem, que a fonte secou: como não
secar? Não dá, as sinapses são as mesmas,
não tem jeito mais! Aí eu um dia comecei
a inventar historias, mas no dia seguinte eu não me lembrava. Qual? Aquela, da
tua cabeça, me pediu um dia a Júlia.
Lembrei então de um filme do Monty Pithon, acho que foi “a
Maravilhosa Historia do Barão de Munchhausen”, em que tinha um personagem que
era só uma cabeça. Pronto. Contei a eles que a minha cabeça tinha se
desprendido do corpo – eu sou meio avoado mesmo – e ficou andando por ai. Eles me
olharam, desconfiados – o pai tá nos engrupindo. “Sim”, respondi, “vocês não
queriam a história da minha cabeça?”.
E assim foi. Um dia, minha cabeça chegava até a Lua, onde
meu pai sempre dizia que ela estava mesmo. Noutro dia, meu crânio voador descia
no fundo do oceano pra conversar com o Peixinho Vermelho, um Nemo do tempo
antigo, personagem de meu querido Edilson Leal. No outro, estava na mão de
gigantes que jogavam pingue pongue comigo. Teve alguns dias em que a cabeça
sonhou que ela era só uma cabeça que sonhava que era uma cabeça que sonhava... ”Pai,
deixa de enganar a gente e conta a historia!”, pediam Julia e Pedro, zangados
com a embromação. Historia pra dormir não é pra amadores...
Agora, uma cobrança via facebook – porque você não conta a
historia de sua cabeça? Bem que tentei responder: Porque tem o Departamento,
tem os alunos, tem as aulas... ”queremos historia de sua cabeça!” continuaram
me pedindo os dois, já bem marmanjinhos, no chat do tal do face. E ai? Nem sei. Achei que estava guardando historias de minha
cabeça pra próxima geração que está vindo por aí. Nem sei se ainda tenho sinapses
para tanto. Tem dias que eu só quero deitar no sofá e ficar ali parado, vendo
as moscas voarem pra lá e pra cá, sem fazer nada, sem pensar, sem tugir nem
mugir...
Julia e Pedro: não prometo nada. Minha cabeça vai pensar. Nos
tempos que correm já é muita coisa.
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e agora?,
Historias de Minha Cabeça
terça-feira, 11 de março de 2014
A TRAGÉDIA FEZ TRÊS ANOS...E NÓS COM ISSO?
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| A destruição do bairro da Larangeira, em março/2011 |
Hoje, há três anos atrás, a Deitada-a-beira-do-mar viveu uma
das maiores catástrofes de sua história. Pra quem não se lembra, a chuva
intensa daqueles dias gerou diversos escorregamentos de terra, que destruíram dezenas
de casas, com dois óbitos, além de ameaçar o abastecimento de água na Pita e no
Km 4. Foram dias de muito medo e apreensão. Lembro-me das pessoas apavoradas
pelas ruas, me perguntando se era verdade que o Morro da Pedra ia desabar. Lembro-me
das milhares de pessoas do Portinho e das Graciosas de cima e de baixo que
tiveram que abandonar suas casas. Lembro-me das reuniões tensas nos Bombeiros e
na Defesa Civil, em que se fazia o levantamento das áreas mais afetadas e das
que ainda corriam risco de sofrerem com os escorregamentos. Foram dias realmente
tensos.
Mas também me lembro do esforço
que as pessoas fizeram, e que, no meio de toda a tragédia, nos fazem acreditar
que as coisas podem ser melhores. Vi as dezenas de voluntários que cuidavam de fazer
organizar e distribuir as cestas básicas aos desabrigados, dos funcionários da
prefeitura fazendo o possível para minorar o sofrimento das pessoas, vi o
pessoal do SAMAE lutando no Km 4 pra evitar que um grande escorregamento
rompesse os canos da agua e colocasse em risco o abastecimento da cidade. Todos
fizeram seu melhor, e a sensação que eu tinha andando pelas ruas embarreadas de
minha terra que nós éramos um povo unido e solidário.
Acho que somos. Lembro que falei
com diversas pessoas que aquilo significava não um fim, mas provavelmente um
novo começo. Até escrevi alguns textos (AQUI) (AQUI TAMBEM) sobre isso: a cidade estava tendo uma chance
de se reinventar e começar de novo.
O tempo, que afinal é o senhor da
razão, passou inexoravelmente sobre nós. Cada um nos seus afazeres, cada um com
suas preocupações, e fomos deixando de lado as boas intenções do inicio. O mato
cresceu vigorosamente nas cicatrizes dos escorregamentos, apagando-os de nossas
vistas e de nossa memoria. Dá pra imaginar a quantidade de escorregamentos tão
ou mais catastróficos aquele mato esconde? Eu contei pelo menos mais um, de
idade desconhecida, na subida do morro da pedra. Na Serra da Prata, no Floresta,
deu pra ver dois episódios grandes de escorregamento antes deste atual.
Eduardo Nascimento, nosso Bó,
como sempre, foi à luta e conseguiu um começo: o Parque do Mirante. Ele tem que
sair do papel. E os desabrigados? Como estão? Quanto mais o tempo passa,
diminui nossa solidariedade, não estamos mais nem aí pra eles.
Três anos depois, Antonina fica
mais distante da tragédia e mais perto de sua realidade: todos brigando com o
tal do prefeito, que afinal de contas não é nenhum semideus, mas é quem foi
eleito pra governar a cidade. Será que nenhum prefeito presta? Enquanto isso
nos preparamos para eleger por mais um quatriênio o próximo prefeito, que vamos certamente odiar. Será que só os prefeitos
é que estão errados? Será que não exigimos deles coisas que poderíamos fazer?
São só alguns pensamentos que me vem, à distância,
quando penso na tragédia de 11 de março e nas oportunidades que deixamos
passar.
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11 de março,
Antonina orgulho do Brasil
domingo, 23 de fevereiro de 2014
URUBLUES, ANO 7
Estou vindo de uma série de viagens, que me custaram uma
pequena dor nas costas de dormir em camas emprestadas ou em camas de hotel. Passei
pouco tempo em casa, e pouco tempo ainda com os meus e com minha terrinha, que
vi rapidinho num domingo ensolarado de janeiro. E que calor!! Pegamos temperaturas
de quase 40°C em Porto Alegre, mais de 38°C em Campinas e outro tanto em Minas,
de onde volto após 11 dias de trabalho de campo com os alunos (tive nesse meio
tempo um prazerzinho extra em viajar pra Londrina pra formatura de minha
querida filha Julia). Enfim, estive mais na estrada que em casa.
Agora chega. O semestre começa, e 2014 vem no estrondo, como uma imensa escola
de samba iniciando seu desfile na avenida. O tempo passa veloz, e nossa compreensão
das coisas fica como se a gente estivesse sempre com vertigem, nosso tempo
passa sempre mais veloz do que nossa capacidade de compreendê-lo. O que será do
nosso primeiro semestre, espremido entre o Carnaval e a Copa? O que será da Copa
e do Brasil durante e depois dela? E das eleições? E do mundo? O que diremos do
mundo e das coisas em dezembro?
São sete anos de blog. Sete anos muito bons, onde conheci
muitas pessoas, principalmente na minha terra, de onde sai tão cedo. Aprendi muito.
Briguei, como tantos. Me decepcionei? Talvez um pouco. Me cansei? Sim, também. Mas
nesse ultimo ano tão pobre de postagens o trabalho me consumiu de uma forma
mais intensa, de modo que a energia das postagens ficou um pouco baixa. E outros
projetos pessoais também me tiraram um pouco do foco do blog.
Mas vamos lá. 2014 está caminhando nas escolas, nas ruas,
campos, construções, ainda sob o efeito dos terremotos do ano passado. O Brasil
de 2013 foi um país estranho, onde as convicções mais sólidas se desmanchavam
no ar, segundo a sempre instigante metáfora daquele velho alemão barbudo. O mundo
está na rua e também está na rede. Guerras diferentes das tradicionais, guerras
de hackers em espaços virtuais, parafraseando a bela canção do velho Gil. O mundo
está estranho e esquisito.
Brasil, Venezuela, Egito, Turquia, Ucrânia – o mundo está
nas ruas, rugindo insatisfeito. Não existem bonzinhos e mocinhos, vilões ou heróis.
Você faz os seus. Existem interesses, e além destes, as pessoas estão brigando cada
vez mais pelos chamados interesses difusos: democracia, tolerância, direitos
humanos. Não se pode mais, como o Tzar fez há cem anos, metralhar uma passeata
em que o povo pedia liberdade e passar impune. O presidente da Ucrânia caiu,
Kadhafi caiu, nosso bom Alckmin aqui em nossas bandas teve que recuar e mudar
seu raivoso discurso de maio do ano passado, quando mandou sentar o pau nos
estudantes do passe livre.
Onde ficamos nessa historia toda? Não sei. Quem sabe?
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A VIDA COMO ELA É
A gente sempre acha que descobriu a pólvora, que sabe um pouco mais porque está vivo hoje aqui e agora...mas a verdade é o que os registros fossilíferos nos mostram... Há 60 milhões de anos ou hoje, não importa, a vida é a vida. A filosofia barata é minha, mas a foto eu tirei daqui |
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
FELIZ ANIVERSÁRIO!!
É cedo. Alguns passarinhos e passarões já estão acordados,
fazendo um grande dum barulho aqui no parque ao lado. Vejo clarões na janela, o
desgraçado do celular toca, e eu tenho algumas tarefas a fazer antes de café da
manhã. Tarefas administrativas, mandar e-mails, convocar gente, essas coisas
que se fazem quando você vira gente grande. Ando tão ocupado que nem escrever no blog, uma de minhas cachaças prediletas eu consigo. Coisas do mundo.
Ligo o computador, ainda nem amanhece, e meu filho aparece
no Skype pra conversar. Pra ele, na Austrália, a quarta feira já terminou.
Pergunto como vai ser a quarta, ele que já viu tudo. Céu azul, calor. Bom pra
ele. Aqui está nublado, com cara de chuva o dia todo. Pelo menos já mandei meus
e-mails administrativos e posso tomar meu café.
Enquanto isso, realizo que hoje é o aniversário de nossa
querida Deitada-a-beira-do-mar. Foi nesse dia, há 216 anos atrás, que foi lida
a ata que nos emancipava politicamente. Segundo o sempre bem-vindo Ermelino,
com mostras de grande contentamento popular. Podíamos eleger câmara, fazer o
pelourinho (ora se viu? Essa parte podia ter passado), e ser donos de nosso
nariz. Não é pouco ser vila no Brasil do grande império Luso-Brasileiro.
E nesse dia desapareceu a Freguesia de N.S. do Pilar da
Graciosa. Surgiu a nova Vila Antonina, que os tempos acabariam por transformar
em Antonina só. Antonina só?
No final do século XX, no período de grande decadência econômica
da cidade, muitos se voltaram ao passado em busca de respostas para o presente
tão ruim. E não gostaram do nome da cidade, não gostaram de nosso infante patrono,
o breve príncipe Dom Antonio, não gostaram de nada. Quem gosta de algo se está
amargando tempos difíceis?
Buscou-se outras datas, supostamente mais importantes, para
ofuscar aquele velho 6 de novembro. Só duzentos anos? Queremos ter trezentos,
quatrocentos, mil anos (!), pra ter certeza de que, com muitos anos, somos
importantes. Somos alguma coisa.
Antonina foi uma cidade muito importante no século XIX e no
começo do século XX. Foi berço de inúmeras pessoas ilustres, como o cônego Manoel
Vicente, o combativo jornalista Nestor e Castro e o poeta popular Bento Cego. Cito
essas, entre tantas outras.
Depois, fomos ficando a margem dos caminhos, a margem da
economia e a margem da historia. Não é fácil sentir-se assim. Assim como Goiás
Velho, Paraty, São Luiz do Paraitinga, a Deitada-a-beira-do-mar é hoje um lugar
à margem. Mas é aí, junto com essas outras perolas do passado brasileiro que
está nossa glória.
A antiga Freguesia de N.S. do Pilar quer seu quinhão. Foi
agraciada, não sem mérito, no PAC das cidades históricas, teve seu centro
tombado. Agora, trata-se de recuperar seu passado, sua história, da qual nos
orgulhamos mas não conhecemos bem. O 6 de novembro foi só o começo. Hoje,
queremos muito mais. Queremos Antonina por inteiro, cidade, memória e história,
para todos os que, nascidos entre o Rio Sapitanduva e a Ilha de Guamiranga ou
não, amamos de paixão esse pequeno pedaço do planeta.
Feliz aniversário, Capela!!
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e agora?
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