sexta-feira, 6 de março de 2015

BOSSANOVUS

(a Paleontologia Imaginária é um ramo da Paleontologia que trata de animais incertos; é um ramo do conhecimento que faz fronteiras com a paleontologia, a geografia, a física molecular, a psicologia e com Morretes (PR). Como membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia Imaginária (SBPI) e colaborador da South American Review of Imaginary Paleontology, periódico classe A1 da CAPES, venho através deste blog fazer a divulgação científica da Palentologia Imaginária para o publico interessado em ciências)

O bossanovus sp foi uma dos gêneros fósseis mais representativos do cretáceo brasileiro. Tiveram uma rápida especiação e distribuição em escala planetária, tendo desaparecido ao final do período. Foram encontrados grandes exemplares fósseis de Bossanovus em toda a zona sul do Rio de Janeiro, que era o principal reduto da espécie. O Bossanovus foi produto das camadas médias do cretáceo carioca, tendo sido o genial resultado do cruzamento do sambistus sp dos morros cariocas com algumas espécies mais instrumentalizadas da zona sul, durante o triássico (Lyra, 1961).
Um dos maiores exemplares encontrados é o do antonius brasileirus, também conhecido pelo nome indígena de “jobim-açu”. Foram encontrados diversos exemplares que atestam a grandeza da espécie, como o “puella ipanemorum”, fóssil-tipo do plio-pleistoceno carioca (Bôscoli, 1962). Outros exemplares importantes foram o “Redentorii sp”, encontrado no sopé do morro homônimo, assim como outros dispersos em avalanches e soterrados pelas águas de março (Cesar Camargo Mariano, comunicação pessoal, 1972).
Outro espécime importante foi o joaogilbertus. Apesar de ser monocórdico e desafinado, o joaogilbertus também tinha um coração. Era um espécime sensível, e se retirava do ambiente à menor dissonância, o que acabou levando à sua extinção. Intratável e inaudível, mesmo assim o joaogilbertus teve grande difusão entre os outros bossanovus.
O vinicius demoralis foi outra espécie característica do gênero bossanovus. Tinha uma boa associação com o antonius brasileirus, com a reprodução de inúmeras peças importantes do gênero bossanovus. Mais tarde, também se associou com o badenpowell afrossambus e, já próximo da extinção, com o toquinhus sp. O vinicius demoralis era uma espécime apaixonada, e antes com tal zelo e sempre e tanto, que teve muitos acasalamentos assinalados no registro paleontológico. Alimentava-se do canis engarrafadus, espécime produzida na Escócia e envelhecida 12 anos em barris de carvalho, o que pode ter provocado, segundo alguns autores, a extinção do vinicius sp já durante o plioceno.
Já no jurássico foram descritos alguns exemplares do gênero bossanovus no sitio fóssil do Beco das Garrafas (ver Johnny Alf  et alii, 1959, “Grandes Sítios Paleontológicos Imaginários Fosseis Do Brasil”, volume III). Nesta área apresentavam-se diversos fosseis em pequenos espaços noturnos. Entretanto, tinham o hábito de sair em manhãs de luz e à tardinha, para observar barquinhos e patinhos. Em geral, o bossanovus tinha repulsa por se alimentar de ramos de tinhorão (tinhoramus sp), que provocavam nojo e urticária, principalmente no antonius brasileirus.
A difusão do gênero bossanovus foi muito rápida, tendo alcançado algumas regiões da America do norte, onde foram encontrados no sitio paleontológico imaginário de Carneggie Hall e também na Europa, como na região de Montreux (Getz & Sinatra, Imaginary paleontology review, 1980).
O gênero bossanovus foi muito importante na difusão de outros espécimes mais recentes do gênero mpbistus. Porem, depois de certo tempo, não houve mais renovação, e o bossanovus foi somente se repetindo.  Com a extinção dos espécimes maiores, subsistiram somente alguns exemplares menores, um banquinho e um violão. A repetição exaustiva dos espécimes consagrados não surtiu efeito de produzir alguma modificação no paleoambiente que levasse a novos gêneros modernos. Por fim, exausto e sem criatividade, o último bossanovus se extinguiu completamente ao final do cretáceo. Chega de saudade.

quarta-feira, 4 de março de 2015

DOUTOR PELO REEMBOLSO POSTAL


Certa ocasião na Câmara Municipal o vereador Alfredo Jacob, desejando fazer prevalecer a sua personalidade, estava com a palavra e recebia diversos apartes, entre os quais do vereador Manoel Picanço. Desejando fazer demagogia, respondeu ao aparte dizendo que ele, formado de acordo com o título que possuía, não responderia aos apartes do vereador Picanço, porque este vereador somente servia para ministrar crianças...
E o vereador Picanço respondeu...

Eu somente sirvo para ministrar crianças, porque não tive a felicidade do nobre colega em receber um titulo de Doutor pelo reembolso Postal”.

domingo, 1 de março de 2015

ANTONINA EM MARÇO




01/03/1841

 

A Freguesia de Morretes era elevada à Vila, desmembrando-se de Antonina

01/03/1876

Nascia João Thiago Peixoto

02/03/1870

Nascia Francisco Antônio Marçalo (Coronel)

05/03/1919

Falecia, em São Paulo, o Dr. Brasílio Machado

06/03/1972

Era fundada a Escola de Samba Batuqueiros

08/03/1851

Nascia Manoel Vicente da Silva (Monsenhor)

09/03/1854

Nascia, em Castellabate, Salerno, Itália, Francesco Antonio Maria Matarazzo

11/03/1836

Nascia, em Morretes, Manoel Alves de Araújo (Conselheiro, Ministro do Império, Presidente da Província)

13/03/1939

Inaugurado o Grupo Escolar Rocha Pombo

14/03/1881

Nascia, no Rio de Janeiro, Henrique Lage

16  a 17/03/1955 

Os estudantes do Ginásio governador Lupion, em signal de protesto pela falta de luz elétrica na cidade, acenderam velas pelas ruas e levou a efeito um desfile das velas, sendo 2 estudantes detidos pela policia, os dispersando a cacetetes, reinando indignação na cidade, 1 estudante foi prezo. (ANOTAÇÕES MANECO PICANÇO)


19/03/1875


Falecia, em São Paulo, João da Silva Machado (Barão de Antonina), primeiro senador pela Província do Paraná)

19/03/????

Nascia, em Diamantina, MG, José Justino de Mello (Dr.)

21/03/1795

Nascia, em Lisboa, o príncipe Dom Antônio

22/03/1865

Nascia Francisco da Costa Pinto (Padre)

23/03/2007

Falecia Alceu Ribeiro Baron

25/03/1908   

Nascia, em Jaguariaíva, PR, Moisés Wille Lupion de Tróia

27/03/1996

Falecia Dona Júlia Graciano (Nhá Gabriela)

29/3/59

Domingo de paschoa  - o Primeiro e único concurso de bambolê para crianças foi levado a efeito no Clube dos Operários - venceu a menina Eneide Galvão do Rio Apa. (ANOTAÇÕES MANECO PICANÇO)

 







































sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

DORME DORME BLOGOSFERA..

Nesses dias chuvosos, chuva mansa e calma caindo pelos beirais das casas, a blogosfera dorme. Dormirá o sono dos justos, o sono daqueles que chegaram ao limite das forças e que, agora, sob a calma das cobertas, se recompõe para mais um dia de lutas? Ou dormirá  sonos intranquilos, coração oprimido, sonhos com os monstros que o sono da razão produz?

Em vários locais da Deitada-a-beira-do-mar, pessoas ficam inquietas com essas chuvas que não cessam, dormem sonos intranquilos ao escutar o manso barulho das gotas no telhado. Lembram-se angustiadas de outras noites de medo e de desespero de um passado não tão distante. Mas, indiferente ao sono intranquilo dos que tem razões para temer o excesso de chuva, a blogosfera dorme.

O corpo fica cansado daquele lado, e ela, a blogosfera se vira de lado, procurando uma posição, que logo encontra. Lá  fora pessoas estão trabalhando, descarregando caminhões de mercadorias, transportando coisas de um lado pra outro, indo trabalhar no escritório. Os pés estão gelados, o sapato que molhou, as incomodações-outras da chuva que cai, mansamente, há vários dias. A blogosfera dorme.

Há seca no Nordeste. Milhões de pessoas sem água, nesta que é a mais silenciosa das catástrofes naturais. Falta agua para a comida, para o banho, para os animais. As nuvens também não chegam para os agricultores do interior do Rio Grande do Sul, temerosos por sua safra de arroz, agora pouco irrigada. Longe de tudo isso, e debaixo de seus macios edredons, a blogosfera dorme.

Mas e esse sono, e esse torpor? Será que é  só a chuva que cai? Ou dorme a blogosfera por outros motivos? A blogosfera dorme ou a blogosfera hiberna? A blogosfera dorme ou a blogosfera se ausenta, se cala, esperando um momento melhor pra se pronunciar?

A blogosfera dorme porque se ausenta, se ausenta porque espera. A blogosfera espera as definições da política, da rude política municipal, a única agenda possível neste ano de Olimpíada. Não se fala de esportes, não se fala de cultura, e muito menos de economia: a blogosfera capelista dorme sonha e acorda falando em politica municipal.

Eu nem deveria estar aqui escrevendo, tenho outras coisas a fazer: aulas, provas, bancas e outros cavacos da vida acadêmica. Mas acho que devo me pronunciar, se houver quem queira escutar: a blogosfera anda em estado de espera para as tais das convenções dos partidos, pra saber como as composições das chapas serão fechadas. Ninguém aí pro Rio mais 20, pra final da Copa do Brasil, pro grandioso jogo do Furacão contra o Ceará no Inferno da Segundona. As pessoas querem mesmo é o poder.

Acho que devemos nos preocupar com o poder sim. A catalepsia da ultima semana na verdade corresponde a um tufão nos bastidores da cena, uma briga de foice que não é bonita de se ver. Tirem as crianças da sala. Como um comentarista do cotidiano nascido na terra de Bento Cego, tenho dois olhos e acho que vejo bem, embora a idade tenha me forçado cada vez mais ao uso de óculos. A blogosfera dorme. Quando ela acordar de novo, o que sonharemos?

(postado originalmente no Bacucu com Farinha em 21/junho/2012)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

EXAMES ESCOLARES


Como de costume, para os exames de Escolas isoladas, o Sr. Inspetor nomeia uma ou duas professoras de escolas isoladas, ficando assim constituída a banca examinadora.
No ano de 1948 as duas examinadoras, de acordo com as instruções, efetuaram os exames de todas as escolas.
Em uma das escolas a professora dando uma demonstração sua capacidade de ensino e da habilitação de seus alunos fez uma exposição à banca examinadora do grau de instrução que tinha ministrado aos mesmos.
E começou o exame.
A certa altura a examinadora pergunta a um aluno, "você tem 2 bananas, come uma, com quantas fica?"
O aluno prontamente responde com 1...
"você menino, tem uma banana e come, com quanto fica?"
Responde o aluno: "com a casca, professora ..."
Foi motivo de riso a pronta resposta do aluno.
Em outra escola a examinadora perguntava aos alunos:"Quem nasce em São Paulo o que é?" Respondeu um que é paulista, quem nasce no Paraná paranaense. E que nasce em Alagoas, houve um silencio...
A examinadora: "Respondam, é tão fácil..."
Um caboclinho responde prontamente lá do canto...

"Quem nasce na lagôa é sapo".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

19 DE FEVEREIRO: SEMPRE ALERTA!

Os escoteiros da Tropa Valle Porto, agitando a Deitada-a-beira-do-mar nos anos 1940

Hoje, há setenta e três anos atrás, o escoteiro Milton Oribe entregava uma carta à Getúlio Vargas. Era o momento culminante de uma saga que havia começado em 16 de dezembro de 1941, quando os cinco escoteiros, Alberto, Milton, Antônio,  Manoel e Lídio, partiam de Antonina com destino ao Rio de janeiro. A história está ainda viva na cidade, todos sabem contá-la. Existe a foto, incessantemente reproduzida, da entrega da carta. Existe o diário de Lídio dos Santos Cabreiro (o Canário), que conta os pormenores da caminhada. Volta e meia, algum jornal dá conta do sucesso: foi assim com a recente e boa edição do jornalista Diego Antonelli, da Gazeta do Povo (aqui). Nosso querido Luiz Henrique da Fonseca também começou a publicar as aventuras em seu blog (aqui), “As aventuras da patrulha Touro”, que terminou sem terminar. Tem mais, Luiz?
De resto, existe o relato factual de Canário: ele nos mostra um grupo de meninos-adolescentes do anos 40 numa real aventura. No seu diário, refeito em 1985, mostra as agruras que passaram, os perrengues todos e as festas que fizeram no carnaval do rio de janeiro. Um precioso depoimento de época. Ali sabemos que o chefe Alberto Storache não foi ao encontro com o ditador porque ficou no banheiro do quartel enquanto o caminhão com os meninos saia. Quem entregou foi Milton Oribe, talvez o segundo na linha de comando. Ironias do destino...
Em anos passados, fiz alguns questionamentos em meu blog, sobre alguns pontos obscuros e o real significado da saga (aqui). Ainda permanecem obscuros os seus resultados concretos , bem como é importante saber como isso ocorreu, já que foi uma ação planejada de dentro do Estado Novo. Qual foi seu impacto nos anos seguintes? Como isso mudou (ou não) a cidade?
Toda uma geração foi educada no escotismo, sob a sombra dos meninos-heróis. Ser escoteiro e ainda mais escoteiro de Antonina não era brincadeira: o movimento escoteiro do Paraná – e do Brasil – sabia e dava o devido valor à aventura dos meninos capelistas. Hoje vejo meus colegas de farda orgulhosos exibindo as suas – nossas – fotos nas redes sociais. Refletem todo um movimento importante da juventude que marca nossa experiência no século XX. Ser escoteiro tinha o seu valor.
Lidio Cabreira, no final de sua narrativa exorta a que alistemos nossas crianças no movimento escoteiro: “você estará criando o seu filho amigo, leal, cortes, bondoso, útil e sem vícios e cumpridor de seus deveres”. Alguns vão dizer que isso falta hoje em dia, que não temos mais valores, e tudo isso. Acho muito relativo e até mesmo perigoso. Eu mesmo não sei  se ainda cultivo algum valor, se  sou leal, cortes ou bondoso, se faço minha s boas ações ou se sou um bom cidadão. De boas intenções andam lotados os círculos infernais.

Mas sei que o Movimento Escoteiro, para além de suas boas ações, fez de mim este ser que ama seus amigos de farda e sua terra, a bela Deitada-a-beira-do-mar que inspirou essa e outras belas histórias pra serem contadas em tardes felizmente chuvosas como a que estou vendo agora de minha janela. É isso que eu gosto de ver naquelas fotos antigas em preto e branco que vira e mexe são postadas na rede: este é você, este é ele, este sou eu. Somos todos orgulhosos escoteiros de Antonina. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CHEIRO DE PANO QUEIMADO



Certa vez um desse muitos boêmios que existem chegou em um butéco e perguntou se tinha um aperitivo bem forte.
O garçon pôs alcool com outra mistura e o deu - ele achou bom, mas não muito.
No dia seguinte o mesmo voltou ao butéco e solicitou outra dose mais forte se possível...
O garçon lembrou-se que o seu patrão tinha tirado o acumulador do auto e despejou a água da carga do mesmo (ácido) em um vasilhame apropriado.
O garçon retirou um copo de água do vasilhame fez uns pingados, e deu ao boêmio. O mesmo tomou e lambeu-se; e sahiu dizendo, "esta sim é forte, até parece que queima".
Encontrando um bloco de amigos de sua espécie parou para conversar, o efeito não se fez demorar, sentiu vontade de soltar um perdido e, pedindo licença aos companheiros assim fez. Um reclamou o cheiro forte e outro alegou que sendo Semana Santa era pecado atirar traques, tudo em gozo da boemia.
Um minuto depois exalou um cheiro de pano queimado, e disse um, "Quem está pegando fogo?"

Verifica dali, daqui, e o tal estava com a cueca e a calça queimada, efeito do perdido que soltara.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O RIO QUE TUDO ARRASTA

Os professores na invasão da AL-PR. copiei daqui:  http://bitly.com/1zxB5lr

Estive uns dias bem longe, na cidade mineira de Pihum-hi, no alto São Francisco, próximo a Furnas, para uma atividade didática com meus alunos. De volta a Campinas é que pude ver o que foi a manifestação de 12 de fevereiro deste ano em Curitiba. É a gente bronzeada das redes sociais (e dos movimentos sociais) mostrando seu valor. Que maravilha, meninos.
De um lado, um governador que atropelou e fugiu. Beto Richa foi o único responsável pela crise econômica que atravessa o estado. Fazendo o que? Com certeza não foi politica publica e de inclusão. Foram quatro anos medíocres, sem compromisso com a população. Na reeleição, surfou em cima da onda antipetista, aliou-se ao que se tem de mais atrasado na politica paranaense e se deu bem, se reelegendo ainda no primeiro turno. Mas e ai? Mais um governador medíocre que o Paraná tem. Beto Richa é um politico sem expressão nacional governando um estado rico economicamente e medroso politicamente. E agora, Beto? Vai Continuar mastigando isopor? Até quando isso vai dar certo?
É claro que não deu. O Brasil não é mais o pais de antes de 2013, para o bem ou para o mal. O mau humor do povo nas ruas bate à sua porta e não tem mais volta. Os movimentos populares vieram para ficar, mesmo que eles ainda não saibam disso. O governador convocou sua lamentável tropa de choque, comandada pelo “delegado” Francisquini, político bufão e sem fibra. Adoráveis as gozações de sua empulhação e de sua covardia quando é a hora de lutar o bom combate. Contra a massa organizada não há argumentos. Beto Richa viveu seu dia de Álvaro, o Dias. (este, aliás, somente outro dos bufões que a politica paranaense adora inventar e manter no circo da “polititica” local).
É de se rir quando se fazem apelos pela ordem chamando os adversários de baderneiros, de vândalos. É o padrão Casa Grande, querer que a Senzala se comporte e seja bonitinha mesmo quando é aviltada e humilhada pelos sátrapas de plantão.  A crise não foi provocada pelos professores paranaenses, categoria corajosa e que sempre está na liderança dos movimentos sociais num estado amorfo e sem brilho próprio. Desde os anos 70 os professores foram a vanguarda das movimentações sociais no estado. Chamar de baderneiro quem está lá na linha de frente do ensino falido que nossos governantes impingem à massa não é só cinismo, é deboche.
Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem”. Nada como o bom e velho Bertold Brecht para nos lembrar que, no século XXI os movimentos sociais não estão mortos como queriam alguns. Lembrar que existem muitos combates a serem lutados na área social e politica. Internacionalmente, a intervenção da maior potência militar do planeta deu origem a uma instituição política que não fazia sentido desde o século XIII, o califado. Aqui no Brasil pululam os que querem aumentar seus ganhos a custa de miséria, desemprego e especulação econômica. Guincham aqui e acolá velhos e novos lacerdistas. No Paraná os “xoques de jestão” de Beto Richa levaram o estado a ser realmente um estado mínimo. Não sei quais seriam os próximos passos nesta luta. Mas dignidade não se negocia, se conquista. Parabéns aos mestres por essa lição ao governador e seus gorilinhas de papel.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

FEVEREIRO NA DEITADA-A-BEIRA DO MAR!!



4/02/1950

Com a presença do Dr. Pinheiro júnior representando o Governador Moysés Lupion, João Chede, Nagib Chede e outros, foi as 16,30 horas no Teatro municipal, feito a inauguração da Rádio antoninense Stela - "A sentinela democrática do ar".
(anotações MANECO PICANÇO)

4/02/1949

É rezado um terço na Laranjeira (O primeiro terço)
(anotações MANECO PICANÇO)

05/02/1925

Nascia, em São Paulo, Wilson Rio Apa

08/02/1931

Falecia, em Petrópolis- RJ, Antônio Luiz Von Hoonholtz, Barão de Tefé

10/02/1954

Renuncia ao cargo de prefeito de antonina o Sr Ivo Silva, eleito pelo partido trabalhista brasileiro (PTB)(anotações MANECO PICANÇO)

10/02/1937

Falecia, em São Paulo, o Conde Francisco Matarazzo

11/02/2004

Falecia Heitor Vieira (Relen Salu Berg)

15/02/1842

Nascia, em Porto de Cima, Antônio Ribeiro de Macedo  (Coronel)

16/2/1931

O Jornal de Antonina foi fundado por João da Cruz Leite (anotações MANECO PICANÇO)

16/02/1854

Nascia Teófilo Soares Gomes

16/02/1920

Inaugurado o Estádio Francisco Pinto (A. A. 29 de maio)

16/02/1947

Era fundada Escola de Samba do Batel

16/02/1991

Era fundada Escola de Samba Leões de Ouro

17/02/1962

Inaugurado o Cine Ópera

19/02/1942

Escoteiros de Antonina entregam mensagem a Getúlio Vargas

22/02/1979

Era fundada Escola de Samba Unidos do Portinho

27/02/1932

Falecia, em Curitiba, Ermelino Agostinho de Leão

sábado, 17 de janeiro de 2015

JANEIRO EM ANTONINA!!


02/01/1740   
Falecia Manuel do Valle Porto

02/01/1960   
Falecia o Dr. Carlos Gomes da Costa

12/01/1713  
João Rodrigues França, Governador da Capitania de Paranaguá, concedia terras a Manuel do Valle Porto (sesmaria da Graciosa)

14/01/1871   
Nascia, em Curitiba, Ermelino Agostinho de Leão

21/01/1857   
Villa Antonina era elevada à categoria de Cidade

26/01/1971   
Inaugurada a Usina Capivari-Cachoeira

26/01/1952   
Jangadeiros. Realizando um raide de fortaleza Ceará a Porto Alegre (R.G.S) chegou a Antonina em 26/1/52 - componentes jangadeiros - chefe mestre Jeronimo Andrada de Souza, Manoel Pereira da Silva, João Batista Pereira, Manoel Lopes Martins. No Rio ingressou na jangada o jornalista do Globo Venizio de Lima e em  Paranaguá Paulo Frei Pereira do serviço de caça e pesca e Diuone Machado da Delegacia Marítima do Trabalho do Paraná. (ANOTAÇÕES MANECO PICANÇO)

27/01/1973      
 Inaugurada a Estação Rodoviária Municipal José Thomás do Nascimento

30/01/1942   
Chegada dos heróis escoteiros ao Rio de Janeiro

30/01/1955   
Inaugurado o prédio do Fórum


(COLABORAÇÃO DE CELSO MEIRA)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

É SÓ NA LUA QUE ANDA E FICA BARATO


(conversa de caboclo do litoral e interior)

Época de caranguejo.
Estava a CR$10,00 a duzia.
Um caboclo do interior chega ao mercado e vendo pouco caranguejo pergunta o preço e obteve a resposta de CR$10,00 a duzia, que achou caro. Indagou se não ficava mais barato o que obteve a resposta:
 - Só na lua...
O caboclo ficou intrigado, e retrucou:
- Porque só na lua?...
- É só na lua que ele anda.
O caboclo fez uma pauza e disse...

- Eu bem que cismei que um bicho tão feio como este, parecido com uma aranha, só pode ser coisa de outro mundo, e se ele vem da lua até é barato por CR$10,00 a duzia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

UM DIA DE SOL E CHUVA

em memoria de Salvador Picanço (1934-2008)


Ontem aqui em casa o céu amanheceu azul, azul. Parecia céu de inverno, mas não era. Lá pelas duas da tarde o calor estava forte, e no meio da tarde chegamos fácil a 32°C na sombra. Às 6 da tarde, nuvens se acumularam. O céu pretejou e começou a ventar, ventar mais forte, e dali a pouco começou a chover. Choveu uma chuva fraca, mas firme, até a hora de ir deitar.
Quando chove assim e a gente coloca a cabeça no travesseiro, é hora de pensar. Pensar o quê meu Deus? com tanta coisa na vida que a gente tem que pensar!  É aula, é aluno, é colega, é o programa de pós, o currículo Lattes. Pode ser também o de dentro: a casa, a próxima reforma da casa, a vida dos filhos, dos pais, dos irmãos tios e cunhados. Pode ser também a vida dos amigos, dos filhos dos amigos. Pode ser aqui, pode ser o mundo, pode ser tanta coisa...
Ontem, pensei no meu pai, que teria completado 81 anos. Pensei na sua vida, na sua força, no que significou pra mim. Eu, menino, morria de medo de levar bronca: era bronca por tanta coisa, que eu nem sabia de onde vinha. Meu pai era um ser enorme, capaz de me levantar do chão, capaz de me dar umas palmadas meio envergonhadas, capaz de me dizer coisas ou apontar meus erros com voz de trovão.
Depois, mais da minha altura, ele começou a ter fraquezas, começou a ser humano. Eu agora via os seus erros, suas falhas, seus lapsos. O pai, que antes era um Zeus olímpico, passou a ser humano, demasiado humano. Mas era meu pai, e eu sempre respeitei muito suas opiniões e atitudes, embora nem sempre concordasse com elas. Achei por um bom tempo que iria ser diferente, que iria fazer diferente. Porque, afinal, eu não era meu Pai.
Algumas falhas de meu Pai eu deplorei, mas tentei acha-las também em mim. Para meu grande espanto, elas também estavam lá, grudadas feito o limo da calçada de sua casa. Tenebrosa como os cantos escuros dos quintais de minha infância, cheios de lesmas, caramujos e bichos nojentos. Minha primeira sensação foi de espanto e terror: eu era igual a ele.
Quando sai de sua casa e comecei a minha vida é que eu vi o quanto era dura a vida de meu Pai. Comecei a ver que eu não conseguia ser diferente dele e, em muitos casos, eu conseguia mesmo ser pior. Frequentemente me comparava com ele, e me sentia sempre menor, mais fraco, mais tolo, mais “mocorongo”. O que eu poderia fazer pra merecer algo dele?
Tentei, os céus bem sabem que tentei. Adorava ligar pra ele no seu aniversário, quando estava viajando longe. Quando estava por perto, eu ia lá, conversar na varanda da sua casa um monte de coisa sem nexo, futebol, politica, historia. Sobre Antonina, suas belezas e mazelas, conversávamos sempre. Do muito que conversamos, infelizmente acho que conversamos pouco o que sentíamos um pelo outro. Éramos os dois “homens demais” pra aquela conversa chororô.
O fato é que amei profundamente aquele velho ranzinza e turrão. Como não poderia amar aquele homem? Acho que não sou ranzinza e turrão, mas carrego zelosamente outros defeitos dele comigo. Tenho muito orgulho de ter feito parte de sua vida, de ter tomado café com pão d´água na cozinha, de ouvir seus planos, suas ideias. Homem pra ter planos e ideias, meu pai. Nos últimos anos, lembro de ter, junto com minha mãe e minhas irmãs, brigado com ele pra ele tomar remédio, brigar pra ele seguir repouso, e essas coisas que se diz quando se ama um doente querido, mas chato.
Hoje, amanheceu outro dia. A chuva parou, o céu amanheceu novamente azul, mas o sol não deixa dúvidas de que será outro dia quente. Os sabiás aqui do quintal estão já trabalhando em seus ninhos.  Lembro com carinho de seu Dodô, de sua vida e de seu exemplo e sigo adiante, vivendo minha vida, mas carregando fortemente em mim as lembranças dele.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A GAZETA ANTONINENSE!!


O jornal a Gazeta Antoninense, de 1884, deliciosa recordação do passado da Deitada-a-beira-do-mar
Neste dia em que a deitada-a-beira-do-mar faz seu aniversário de 217 anos – mas com um corpinho de 216!– apresento uma singela recordação de um importante documento para o povo capelista disponível aqui na internet (ver aqui). Trata-se de uma cópia do jornal “gazeta antoninense”, numero 3, de 16 de novembro de 1884, publicado pelo site da hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. A hemeroteca digital é uma imensa e amigável plataforma, onde se podem encontrar muitas outras preciosidades...
A princípio, sabemos pouco da referida “Gazeta”: no subtítulo ela se intitula como “órgão imparcial”, com publicação semanal. Seu diretor era Joaquim S da silva, que já colocamos aqui como um dos pioneiros da imprensa capelista, ao lado de tantos outros que vieram depois, já no século XX, como João Leite e sua filha Armandina, Admaro Santos e outros, numa lista bem extensa.  Neste único exemplar, que somente foi preservado porque foi enviado ao Coronel José d´Almeida, residente na corte (Rio de janeiro), temos algumas noticias interessantes.
No editorial, um texto falando sobre a potencialidade do município, pedindo a união dos “esforços  particulares, com o auxilio protecionista dos poderes provinciais”, para cuidar do incremento da produção de cachaça em Antonina. Convoca os agricultores e capitalistas para a indústria da cana, que então estava sendo importada para nossa região, em notável prejuízo para os agricultores. O texto conclama para uma união de capitalistas e agricultores, junto com uma politica fiscal adequada para reverter este quadro. 
Ainda na primeira pagina, na seção de noticias, é reproduzida uma representação conduzida pelo coronel Teóphilo Soares Gomes, pedindo a construção do ramal ferroviário para antonina. A representação é citada por diversos homens públicos e comerciantes da cidade. Trata-se de uma importante reivindicação, pois com a construção da ferrovia, antonina perdia a primazia em termos de transporte de mercadorias para o porto, encarecendo o produto e prejudicando os comerciantes da cidade. Este ramal viria a ficar pronto em 1890, seis anos depois desta representação.
Na pagina 2, há uma noticia policial: a liberta Maria, conhecida pelo apelido de “Sacandé”, teria amanhecido morta na estrada do Itapema. A notícia informa que, tendo o habito de se embriagar, a vítima estava ferida por “instrumento cortante”. Como há pouco s dias a vitima havia entrado numa briga com o cigarreiro Luiz Fernandes, quando este espancava uma mulher,havia forte indicio de crime, e o texto diz esperar do Sr. Delegado os devidos esclarecimentos.
Outra noticia criminal é de um homem que foi preso ao desembarcar do paquete “Aymoré”, que entrara na nossa formosa baía vindo de Santos no  dia  10 de novembro último.  De uma verificação no seu quarto, no hotel Camacho, foram encontradas jóias e cerca de 702$000 em dinheiro. Ao que tudo indicava tratava-se de um fugitivo que vinha de Santos, onde havia cometido um terrível crime. Aguardava-se a requisição das autoridades paulistas para que o criminoso fosse encaminhado àquela praça.
Nesta pagina há também uma poesia satírica de Alberto Corte Real, dedicada a seu amigo Teóphilo Soares Gomes. Nela, o eu da poesia relata um sonho em que seria herdeiro de Rotschild, célebre banqueiro judeu. Mesmo sendo bom cristão, o “ouro cegou-lhe os olhos da alma”, e, de maneira demoníaca, entregou-se aos prazeres da riqueza e da luxuria sem freios. No entanto, quando o sono acabou, o único alívio que sentiu foi ter acordado tão somente “um bom cristão”.
Nos anúncios figurava com especial desenvoltura o senhor Manoel Miranda, vendendo desde bules e açucareiros de ferro até camas de ferro. Há também uma extensa propagando do sulfato de quina Marca Flexa, tendo ainda um parecer do doutor Joaquim Câmara, do Rio de Janeiro, que atesta as faculdades e a pureza da medicação.
Por último, mas não menos importante, Antonina recebia por aqueles dias o magico Jules F Bosco, um artista internacional mostrando seus talentos para os bagrinhos. O anuncio do espetáculo era um primor de horror, ao menos para a época. Um homem (seria o próprio Jules F Bosco?) segurando uma cabeça ensanguentada. Queria pegar uma maquina do tempo e ir lá ver.

Enfim, um singelo presente para meus queridos conterrâneos, hoje envoltos em tantos escândalos e confusões  e que merecem olhar com carinho e curiosidade para esta interessante documento que nos mostra a capela de outras eras...
Anuncio do espetáculo do magico internacional Jules F Bosco na Antonina de nossos trisavós!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DE FOCAS E OUTROS BICHOS

As focas estão brabas!!

Antonina está na mídia por estes dias.  Não por suas belezas, por sua história ou por seu povo, sempre tão alegre e generoso.  As noticias do afastamento de João D´Homero e a guerra de liminares que se trava por estes dias na Deitada-a-beira-do-mar  são o grande assunto na cidade e sobre ela.
João pode até vencer a batalha de liminares, mas perdeu uma importante batalha na guerra de seu mandato. Se sua atuação fosse proba, se sua atuação fosse correta e eficiente, se a população visse nele alguém que luta por ela e não por seus interesses ou de seus amigos, certamente não estaria passando por este perrengue todo. Nenhuma das gestões anteriores que me lembre, embora algumas tenham sido abaixo de zero nestes quesitos, superaram o desgaste desta atual gestão.
João pode vencer a batalha das liminares, pode cabalar uns votos na câmara, pode achar algumas brechas na lei, mas nada esconde o fato de que sua gestão está sendo, no mínimo, insuficiente. O descaso com a Saúde parece ser a ponta de um grande iceberg que pode vir a tona com investigações livres e desimpedidas.
Por falar em iceberg, parece que um dos factoides da reunião da câmara na terça, quando se decidiu pela comissão processante, foi a fala de um vereador, chamando os cidadãos que ali estavam de “focas amestradas”. Além da infelicidade de investir contra cidadãos e eleitores, parece que o referido vereador é quem parecia amestrado, ao defender o indefensável. Sim, pois onde há fumaça há fogo. A coisa pública não pode ser usada como se privada fosse. Há que se investigar.
Depois de junho de 2013 nosso povo perdeu a paciência, para o bem ou para o mal. Estamos impacientes, estamos com pressa. Não se trata de se fazer o que sempre se fez, há que se fazer mais: saúde, educação, transporte publico, tudo isso é importante e urgente. Não se pode brincar com estas coisas. Mas aparentemente, o poder público municipal é que estava equilibrando bolas, batendo palminha e dando gritos roucos pelas ruas. E ainda querendo apanhar todos os peixes que lhe eram atirados.
A câmara está cumprindo seu papel. Parabéns ao presidente da câmara, vereador Márcio Balera, que, no meio deste nevoeiro, leva o barco devagar. Com calma, respeito às leis e transparência, tudo há de ser esclarecido. E esse é, precisamente, o papel dos vereadores, o motivo pelo qual de quatro em quatro anos sejam reconduzidos a seus cargos: fiscalizar o executivo.
O que não pode, o que não dá, é a situação que encontrei em fins de setembro na terrinha, com pessoas insatisfeitas, um poder público arrogante e descompromissado, serviços públicos insuficientes.  O povo elege, acredita, confia. Se não confia, protesta, pede pra sair. Se for o caso, tem que sair, é do jogo.
Antonina quer mar, arte e amor; mas com saúde, educação, transporte publico de qualidade.

Focas, leões marinhos e outros bichos querem respeito.