(continuam as aventuras de Ave-Lallement pela Deitada-a-beira-do-mar em setembro de 1858; aqui ele conta o sufoco que passou enquanto esperava um navio para Santos retido pelo mau tempo na baía. nesse tempo, lamentou profundamente sua hospedaria, na casa de um barbeiro capelista!)
Quando entrei no lugar, não sabia, na verdade, para onde
dirigir-me. Mostraram-me a casa de um sapateiro, o único alemão domiciliado em Antonina;
porque o outro alemão, morador ali, estava na cadeia por ter praticado
ilegalmente a medicina.
Agradar-me-ia ter seguido de canoa, naquela mesma tarde,
para Paranaguá, mas mo impediu um forte sueste; e, como não há hotel no lugar,
o sapateiro mandou-me a casa de um barbeiro, com uma alusão de que o homem
havia de parecer-me uma espécie de Fígaro.
O barbeiro indicou-me uma cama num quarto atrás do salão da
barbearia, onde havia mais outra. Muito me desagradou o local, mas sobretudo o
pensamento de que já as 2 horas da manhã seria despertado para velejar, com o
terral, para Paranaguá.
Entrementes entraram na casa vários jovens, inclusive alguns
de Paranaguá, que consideravam a casa como um café. Um deles, jovem bem
educado, estivera, a serviço da marinha portuguesa, na Índia e na África e
participara da celebre catástrofe no navio de linha “Vasco da Gama”
à entrada da baia do Rio de Janeiro em 5 de maio de 1849. Bem como outros
senhores, ele me conhecia de nome; palestramos sobre astronomia até pelas 11 da
noite.
Quase não cabiam os hospedes na pequena casa do barbeiro.
Que saudade pensava eu em nossos ranchos frios e úmidos na Serra Geral!
O pensamento de que breve seria despertado para fazer uma
viagem noturna num barco aberto pela baia de Paranaguá fez-me lembrar de que
antes tivesse ficado como sapateiro alemão e me alojado em sua pequena oficina.
O sofrido Ulisses morou em casa de uma pastora de porcos, o rei Davi alojou-se
numa caverna, razões bastantes para que eu desejasse a casa do bom sapateiro.
Para não estar dormindo no momento em que me viessem
despertar, não adormeci. E durante a noite mudou o tempo; a baia começou a
marulhar e quando me levantei de manhã me disseram o que há muito eu já sabia,
isto é, que com tal tempo não se podia navegar as cinco léguas na baia até
Paranaguá. E como no dia 13 o vapor deveria regressar a Paranaguá e Antonina,
para seguir, via Cananeia e Iguape, para Santos e Rio de Janeiro, resolvi
acomodar-me com o lado mais amável das pessoas e circunstâncias que me cercavam
e aguardar o vapor em Antonina para continuar a minha viagem, tanto mais quando
ele costuma voltar daqui para Paranaguá e ali ficar algumas horas.
Muito incômoda me foi, algumas vezes, a falta de hotéis,
sobretudo quando me punha em contato com pessoas insuportáveis. Em cidadezinhas
solitárias e remotas, em distritos longínquos, onde não chegam viajantes,
pode-se não esperar não esperar estalagens, mas em cidades do litoral, em pontos
terminais de importantes estradas comerciais, o europeu instintivamente as
procura e não compreende como o espirito de especulação seja tão pequeno que
não empreenda um negocio que decididamente tem de render dinheiro. No meu dia
de descanso em antonina, um domingo, éramos sete hospedes ao almoço. A comida
lamentável, a louça e o serviço de mesa muito maus, bem como toda a casa, uma
casa térrea com uma porta, uma janela para a rua, o salão de barbearia ao lado
e que mal teria espaço para a pequena família.
Mas o Fígaro da casa não sentia o menor constrangimento.
Segundo uma declaração, uma alusão que fez, ele conhece no lugar muitos locais
para gente jovem, inteiramente a maneira do antigo Oriente.
E todavia a tonstrina[2] do homem também me recordou a Grécia e
Roma. Ele ficaria bem em muitas comédias de Plauto e Terêncio. Varias
conversas, que escutei, lembravam-me um Antifo e as amabilidades de Fânio, o célebre
Fanny de Terêncio. Houve conversas, à mesa, que já se encontravam no banquete
dos sofistas de ateneu, apenas com mais graça grega. Um cinzento tempo chuvoso
me obrigou a ficar, fastidiosamente, quase o dia inteiro, numa casa onde não
dispunha de um quarto para mim e estava exposto ininterruptamente a tudo o que
me aborrecia.
Deve ser esta a razão por que em Antonina me senti mais
desagradavelmente do que em toda parte e deploro cada momento que tive de
passar ali a mais do que era necessário.
Com verdadeira ansiedade aguardava a chegada do vapor
“Paraense” para com ele e nele poder sair dali.
Proponho que todas as mensagens em que sejam sugestões, principalmente, mas denńcias e insatisfaçõs também, sejam centralizados no blog do Joaodomero.
joaodomero.blogspot.com.br/
e também aqui, para as discussões, pois quando for para o João saber, estaria lá o resultado das discussões, por exemplo.
O mesmo deveria ser feito pra os demais blogs.
O que pensam ?
Seria um controle e um falar registrado direto com o Prefeito,Ele se obriga a prestar contas e divulgar suas intenções, publicar resumo das atividades na semana, e responder sobre o esgoto que fede nas ruas etc. As ações para desentupir os dutos pluviais, and so on