domingo, 1 de março de 2020

A MARCHA DOS ESCOTEIROS 79: ADEUS, RIO DE JANEIRO!

Rio de Janeiro e a Baia de Guanabara, em março de 1942; os escoteiros de Antonina fazem suas despedidas
(Estamos no mês de março de 1942. Enquanto o mundo está em Guerra e o Brasil segue sob a Ditadura do Estado Novo, cinco escoteiros de Antonina (PR), entre 15 e 18 anos, percorreram 1250 quilômetros numa marcha a pé rumo ao Rio de Janeiro para entregar uma mensagem para Getúlio Vargas. No episódio de hoje, 1º de março de 1942, Beto, Antônio (Canário) e Manoel (Manduca), Milton e Lydio, iniciam sua viagem de volta para a terrinha. Em tempos de guerra, que perigo eles vão encontrar?)

Os rapazes acordaram cedo naquele dia 1º de março. Aquele seria o dia da partida deles da capital federal rumo a Antonina. A aventura estava chegando ao fim. 

No entanto, eles não sabiam nada sobre a viagem. Não sabiam o horário, não sabiam o cais, não sabiam sequer o nome da embarcação. Essa era uma das precauções mais comuns para aqueles tempos de guerra.
O ano de 1942 ia ser um dos anos mais trágicos da marinha mercante brasileira. Desde o início do conflito, várias embarcações brasileiras sofreram restrições durante a guerra. Alguns barcos haviam sido abordados por belonaves britânicas, e vários navios brasileiros procedentes da Alemanha ficaram retidos em portos ingleses.
No entanto, desde o ano anterior, os navios mercantes brasileiros eram cada vez mais alvo fácil para os submarinos alemães. Segundo Lydio nos conta, a radio e os jornais frequentemente anunciavam notícias alarmantes sobre torpedeamento de navios mesmo próximos à costa brasileira. Mas o pior ainda estaria por vir.
De qualquer forma, somente as sete horas da manhã o Dr João Ribeiro chegou ao colégio Militar para pegar os rapazes. Vinha no grande carro negro do General Heitor Borges. E eles rumaram direto para o cais do porto.
As nove horas da manhã o navio finalmente atracou no cais. Tinha muita gente para embarcar, carregando muitas bagagens. Isso durou ainda um tempo, e só as dez da manhã o navio estava pronto. Levantou ferros e foi se afastando do cais, no início vagarosamente, depois com mais força e velocidade.
Ali no cais, ao se despedir do Dr. João Ribeiro, que tanto havia cuidado deles, os rapazes se emocionaram. Ele foi o principal elo da UEB e do general Borges com os rapazes. Além disso, foi ele que “quebrou os galhos” e resolveu coisas difíceis, quando eles ainda estavam no albergue da Boa Vontade. Depois, Dr João ainda levou os rapazes a incontáveis passeios pela cidade, assim como os introduziu nos diferentes locais escoteiros da Capital.
Lydio conta em seu diário ter derramado algumas lagrimas naquela despedida no cais do Porto. Sem a pronta ajuda do Dr João e de toda a Diretoria da UEB na época, os quatro rapazes não teriam se desincumbido de sua tarefa. Enquanto via Dr João acenando para eles do cais, em meio àquela paisagem absolutamente deslumbrante, Lydio e os demais rapazes acenaram com as mãos e derramavam suas lagrimas as escondidas.
Já no navio, ao singrar as águas da baia de Guanabara rumo a casa, os rapazes foram vendo as fortalezas do Rio de Janeiro e as montanhas azuis ao fundo, com um ar nostálgico de despedida. Eles passaram pelos fortes de Vilegaigaignon, de São João e da Laje. A fortaleza da laje, construída numa laje de pedra em meio a entrada da baia de Guanabara, foi a que mais impressionou os rapazes.
Quando o barco passava em frente a pedra do arpoador, começou a tocar uma sineta. Era o convite dos passageiros para o almoço. A refeição na primeira classe, onde eles estavam, constou de sopa de lentilhas com legumes.
A paisagem foi sumindo no horizonte, até que só se via céu e mar. No restaurante do navio eles encontraram dois conhecidos. Os irmãos Dirceu e Didio Viana, de Paranaguá, estavam ali também. Eles estavam voltando de uma grande viagem por diversas cidades litorâneas, e agora voltavam à terrinha.
Já em alto mar, o navio começou a jogar muito. As ondas chegavam a mais de três metros de altura. O balanço era tanto que muitos dos passageiros começaram a enjoar. Os rapazes, para se manter em movimento, foram conhecer o navio.
Inicialmente, eles foram até a cabine de comando, onde conversaram com o comandante e com os pilotos. Eles até mostraram alguns equipamentos para os rapazes, maravilhados. Depois, eles foram até a casa de máquinas, pra ver como funcionava toda aquela maquinaria.
Lydio , Milton e Canário ficaram num camarote. Beto, Manduca e o colega escoteiro Gastão, que viajava com eles, ficaram num outro. Procuraram dormir, o que fizeram com algum sucesso, apesar do balanço.

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