segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

A MARCHA DOS ESCOTEIROS 4 - O DIA DA PARTIDA


Os Escoteiros da Tropa Valle Porto, de Antonina, Voltando de Reunião Escoteira em Joinville (1941)
(Estamos no mês de dezembro de 1941. Enquanto o mundo está em Guerra e o Brasil segue sob a Ditadura do Estado Novo, cinco escoteiros de Antonina (PR), entre 15 e 18 anos, estão desde 16 de dezembro de 1941 numa marcha a pé rumo ao Rio de Janeiro para entregar uma mensagem para Getúlio Vargas. No episódio de hoje, 16 de dezembro de 1941, Beto, Milton, Lydio, Antônio (Canário) e Manoel (Manduca) estão iniciando sua longa jornada.)

O dia 16 de dezembro de 1941 amanheceu em festa em Antonina. 

Logo as 5 horas da manhã, a cidade explodiu numa alvorada promovida pelas bandas Marcial e Musical da Associação dos escoteiros antoninenses. Além das duas bandas promovendo a balburdia pela rua, havia um intenso foguetório. A cidade acordou com muito barulho ruído e, claro, musica. 

Em teoria, eram as comemorações do da do Reservista, uma daquelas datas que só as Ditaduras como a do Estado novo poderiam comemorar. Mas, na prática, a festa era a despedida da cidade aos rapazes, todos já devidamente vestidos com seu uniforme de gala: camisa de mangas compridas de cor caqui, calça comprida azul lenço vermelho no pescoço, meias pretas longas e sapatos pretos. 

A cidade se reuniu as 9:00 horas da manhã no velho coreto da Praça Coronel Macedo para hastear a bandeira nacional. Logo depois, a cidade se juntou para um grande desfile, aberto pelos escoteiros da tropa Valle Porto. Também desfilou um pelotão de revistas do tiro de guerra. Para encerrar, houve o desfile de um pelotão de ciclistas do Sindicato dos Operários Estivadores de Antonina. Lydio anotou em seu diário que este brioso pelotão operário era comandado pelo seu padrasto, o Zé Maceió. 

Havia muito comentário pelas ruas sobre a missão dos rapazes. Muitos falavam da loucura de soltar 4 meninos e um rapazote numa aventura daquele porte. Algumas destas pessoas chegaram a apostar que alguém ia desistir no meio da viagem. Seriam eles picados por alguma cobra? Seriam devorados por alguns dos animais ferozes que ocupavam a Serra do Mar? As suposições eram muitas. Lydio nos conta em seu diário que houve pessoas que os interpelaram para que desistissem daquela loucura. Mas era tarde demais. Segundo nos conta Lydio, os rapazes apenas sorriam. 

As 13 horas, todos estavam reunidos na sede do grupo escoteiro, na Caserna, como era chamada. Lá, foi feita uma checagem do material que levariam. Nos embornais sob responsabilidade de Lydio, iam suprimentos, como biscoitos, latas de conserva. Nestas latas, havia sardinha, goiabadas, frutas em calda e salsicha. No outro embornal iam roupas, toalhas e uma bandeira nacional, além de itens coo sabonetes, sabão, pasta dental, escovas, velas fósforos, talheres e lápis. Neste embornal também ia o livro diário da Patrulha. 

A despedida do grupo foi feita ali mesmo, na caserna, repleta de autoridades. Ali estavam o juiz de direito, o promotor, autoridades portuárias e os jornalistas Alfredo Jacob e João da Cruz Leite. Segundo Lydio, havia muitas mais autoridades, mas ele diz não se lembrar. Acreditamos. 

Da Caserna, os rapazes seguiram pelas principais ruas da cidade, sempre acompanhados de uma pequena multidão. No Portão da Graciosa, que ficava em frente ao Hospital, foi feita uma pequena despedida. As Bandeirantes cantaram para seus colegas o Hino “Companheiros marcharemos Unidos”. Defronte ao Matadouro Municipal, houve outra despedida. Segundo Lydio, os olhos dos seus pais neste local ficaram brilhando de emoção. Alguns não conseguiam esconder as lagrimas. Os rapazes não resistiram e choraram também. 

Neste ponto, o Chefe Picanço deu aos meninos uma estampa de Nossa Senhora do Pilar, a Padroeira da cidade. Era a largada oficial. Os rapazes continuaram, até que, não primeira curva da estrada da graciosa, acenaram um último adeus. 

A aventura estava, enfim, começando.

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