terça-feira, 11 de março de 2014

A TRAGÉDIA FEZ TRÊS ANOS...E NÓS COM ISSO?

A destruição do bairro da Larangeira, em março/2011

Hoje, há três  anos atrás, a Deitada-a-beira-do-mar viveu uma das maiores catástrofes de sua história. Pra quem não se lembra, a chuva intensa daqueles dias gerou diversos escorregamentos de terra, que destruíram dezenas de casas, com dois óbitos, além de ameaçar o abastecimento de água na Pita e no Km 4. Foram dias de muito medo e apreensão. Lembro-me das pessoas apavoradas pelas ruas, me perguntando se era verdade que o Morro da Pedra ia desabar. Lembro-me das milhares de pessoas do Portinho e das Graciosas de cima e de baixo que tiveram que abandonar suas casas. Lembro-me das reuniões tensas nos Bombeiros e na Defesa Civil, em que se fazia o levantamento das áreas mais afetadas e das que ainda corriam risco de sofrerem com os escorregamentos. Foram dias realmente tensos.
Mas também me lembro do esforço que as pessoas fizeram, e que, no meio de toda a tragédia, nos fazem acreditar que as coisas podem ser melhores. Vi as dezenas de voluntários que cuidavam de fazer organizar e distribuir as cestas básicas aos desabrigados, dos funcionários da prefeitura fazendo o possível para minorar o sofrimento das pessoas, vi o pessoal do SAMAE lutando no Km 4 pra evitar que um grande escorregamento rompesse os canos da agua e colocasse em risco o abastecimento da cidade. Todos fizeram seu melhor, e a sensação que eu tinha andando pelas ruas embarreadas de minha terra que nós éramos um povo unido e solidário.
Acho que somos. Lembro que falei com diversas pessoas que aquilo significava não um fim, mas provavelmente um novo começo. Até escrevi alguns textos (AQUI)  (AQUI TAMBEM) sobre isso: a cidade estava tendo uma chance de se reinventar e começar de novo.
O tempo, que afinal é o senhor da razão, passou inexoravelmente sobre nós. Cada um nos seus afazeres, cada um com suas preocupações, e fomos deixando de lado as boas intenções do inicio. O mato cresceu vigorosamente nas cicatrizes dos escorregamentos, apagando-os de nossas vistas e de nossa memoria. Dá pra imaginar a quantidade de escorregamentos tão ou mais catastróficos aquele mato esconde? Eu contei pelo menos mais um, de idade desconhecida, na subida do morro da pedra. Na Serra da Prata, no Floresta, deu pra ver dois episódios grandes de escorregamento antes deste atual.
Eduardo Nascimento, nosso Bó, como sempre, foi à luta e conseguiu um começo: o Parque do Mirante. Ele tem que sair do papel. E os desabrigados? Como estão? Quanto mais o tempo passa, diminui nossa solidariedade, não estamos mais nem aí pra eles.
Três anos depois, Antonina fica mais distante da tragédia e mais perto de sua realidade: todos brigando com o tal do prefeito, que afinal de contas não é nenhum semideus, mas é quem foi eleito pra governar a cidade. Será que nenhum prefeito presta? Enquanto isso nos preparamos para eleger por mais um quatriênio o próximo prefeito,  que vamos certamente odiar. Será que só os prefeitos é que estão errados? Será que não exigimos deles coisas que poderíamos fazer?

 São só alguns pensamentos que me vem, à distância, quando penso na tragédia de 11 de março e nas oportunidades que deixamos passar. 

3 comentários:

  1. pois é ... triste coincidencia nesse mesmo dia 11 /03/2011 la no japao morreram 18 mil pessoas ,no desastre de fukushima ...

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    1. Então...trágica coincidência....muita gente me perguntou, em Antonina mesmo, se existia uma conexão. Sinceramente, acho que não.

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